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Post mortem
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Foto: O laptop exibe uma das fatias do corpo de Jernigan, condenado à pena de morte aos 27 anos, no Texas / Crédito: Frank Schott
Antes da execução, um americano condenado à injeção letal doou seu corpo para a ciência. Os órgãos, fatiados, serviram de base para as fotografias macabras que você vê aqui
Fonte: Revista Galileu
Joseph Paul Jernigan fez sua última refeição em 5 de agosto de 1993: dois cheeseburgers, batatas fritas e chá gelado. Às 12 horas e 31 minutos recebeu uma injeção letal no braço, após 12 anos na prisão. Jernigan foi sentenciado à morte em 1981 no Texas, Estados Unidos, depois de assassinar a facadas e tiros Edward Hale, um homem de 75 anos que o pegou em flagrante roubando um aparelho de micro-ondas. Convencido por um capelão, doou o seu corpo à ciência e foi parar no Human Visible Project, iniciativa da Biblioteca Nacional de Medicina para difundir o estudo da anatomia humana nos Estados Unidos. O cadáver de Jernigan foi envolto em gelatina, congelado e cortado horizontalmente em 1.871 fatias de 1 mm de espessura. Cada uma delas, da sola do pé ao topo da cabeça, foi fotografada contra um fundo preto, acumulando 65 GB de material.

É aí que a história ganha um novo personagem. O diretor de arte Croix Gagnon, fã de fotografia, resolveu aproveitar o material para uma nova concepção: a série de fotos 12:31, em referência ao horário de morte do condenado. Croix criou uma animação com 20 segundos de duração juntando em sequência cada uma das imagens das fatias do corpo do assassino. O vídeo foi exibido na tela de um computador, que foi movimentado em um cenário escuro, enquanto o fotógrafo Frank Schott clicava — todas ambientadas nas ruas de São Francisco. “Foram feitas mais de 200 tentativas para chegarmos às sete imagens que compõem o projeto”, diz.

O efeito, que lembra uma pintura antiga, e bem fantasmagórica, foi conseguido pelo autor ao fotografar a luz emitida pelo laptop com um tempo de exposição longo — a mesma técnica utilizada para registrar cachoeiras ou avenidas, que dá movimento à imagem. A forma final dependia de como o assistente movia o computador durante a captura. A ideia de que o ensaio ficasse aterrorizante não era o objetivo inicial. “Queríamos criar fotografias com bastante beleza e ambiguidade para chamar o espectador para a história. As imagens só se tornam macabras depois que você entende o contexto das fotos”, diz Croix.

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