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Dá água para o vinho

Dá água para o vinho

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Erika Goulart, proprietária da Vinícola Goulart, é uma mulher com uma história inusitada.  Paulistana, nascida nos anos 70 e neta do Marechal Gastão Goulart, descobriu em alguns papéis perdidos do avô que era proprietária de terras na Argentina e daí para frente não parou mais. Quer saber mais? Confira essa entrevista. 
                         
Edna: Como se sente sendo a única brasileira a produzir vinhos na Argentina?

Erika : Eu me sinto bem. Não existe mulher brasileira, produzindo vinhos na Argentina.
Na verdade, me sinto muito bem. Em Mendoza, Goulart é conhecida como a ‘Bodega de la Brasilera’ e é muito divertido. Desde nossa primeira safra em 2005, colhemos muitos frutos mundialmente: Em 2010 o ‘Goulart Grand Vin 2007’ foi eleito o Malbec 5 estrelas da ‘Decanter Magazine’. O vinho também foi escolhido pela ‘Wine Spectator’ como a “nova cara de Mendoza” e participamos em Las Vegas do TOP 200 WINE SPECATOR – VINICOLAS DO NOVO MUNDO. O The New York Times escolheu nosso Malbec entre os 10 melhores,  The Washigton Post entre os 5 melhores. O ‘La Wine Advocate de Parker’, pelo segundo ano consecutivo, degusta nossos vinhos em catas individuais. Somos o super Malbec na Dinamarca e ai segue… Com todos esses reconhecimentos ao nosso trabalho, eu como empresária me sinto bem, mas como brasileira me sinto muito melhor.

Os argentinos começaram a produzir vinhos excelentes no final dos anos 90, e quando eu cheguei em Mendoza, todos os investimentos externos e enólogos extrangeiros de nome começaram a chegar, esse foi o caso do Alberto Antonini, Paul Hobbs e Michel Rollannd. Todos tinham uma estrutura fabulosas e eu não tinha nada, somente um trator e dois empregados.
Ninguém acreditava no meu projeto, eu não entendia de vinhedos e muito menos de vinhos. Não tinha uma equipe de trabalho formada, nem era famosa. Eu cuidava dos vinhedos sozinha, fazia a colheita e vendia as uvas nas cooperativas.

A diferença da Vinícola Goulart é que nós não começamos como um projeto de investimento de dinheiro, nós começamos porque eu me apaixonei por Mendoza e meus vinhedos, sempre trabalhei para elaborar excelentes uvas e vinhos.



Erika com a produção de vinhos 


Edna: Onde nasceu e viveu antes de ser proprietária de vinícola?
Erika: Eu nasci em São Paulo, capital, no Bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo, no ano 72. Minha mãe era professora e meu pai militar e publicitário. E somos três irmãs, todas mulheres.


José Luis Lugilde e Erika Goulart


Edna: Quando e como despertou seu interesse por esta área?
Erika: Meu avô foi um dos últimos marecháis brasileiros, e foi um dos Comandantes da Revolução de 1932, o nome dele era Marechal Gastão Goulart e ficou conhecido como o “Comandante da Legião Negra” e em sua época de exílio na Argentina comprou esses vinhedos e só anos mais tarde encontrei os papéis numa caixa de fotos e anotações.
Eu trabalhei na Bosch quando estava na faculdade em Campinas e depois abri minha própria agência de promoção e eventos aos 21 anos. Eu trabalhava para Parmalat, Suvinil, Frangosul e Alcan, já estava esgotada de trabalhar tanto todos os dias. Tinha dinheiro, comprei aos 22 anos um BMW 325 mas não tinha tempo para conversar, jantar, “tomar um vinho”… Eu queria outra vida.

No carnaval do ano seguinte viajei a Buenos Aires e conheci  meu marido, José Luis Lugilde que é empresário e proprietário da “Casa Vetmas”, uma loja de antiguidades em Buenos Aires, e foi ele a pessoa chave da minha vida me apoiando e me incentivando a continuar, ele sempre acreditou no meu projeto.


Erika com a família


Edna: Onde e em que período começou?
Erika: Eu aluguei um apartamento em Palermo, Buenos Aires,  dava aulas de português e viajava a Mendoza para cuidar do vinhedo, o começo exato foi 1995, somente cuidando do vinhedo, a produção do vinho veio a partir de 2002 com ensayos.



Pé de uva cultivado na vinícola


Edna: Quais são os principais tipos de vinhos que sua vinícola produz e o que os diferencia?
Erika:
Nós produzimos Malbec e Cabernet Sauvignon. Nossos vinhos começam a ser elaborados no vinhedo. A recuperação dos vinhedos foi fundamental e  demoraram muitos anos. Maurício Parody foi o responsável pela recuperação dos nossos vinhedos, ele é agrônomo e sócio da Goulart, trabalhou na Toscana e em Bordeaux por 7 anos e la conheceu o Alberto Antonini e juntos começaram a produzir o vinho ‘Alto Las Hormigas’ em Mendoza e ficaram sócios.

Eu conheci Mauricio em 2000, ele me disse que se eu precisasse de ajuda ele me ajudaria, e depois de três meses, percebi que precisava de uma boa equipe e o contratei. Maurício me ensinou que a uva é o principal no vinho e que nós tínhamos uma boa matéria prima, mas precisávamos trabalhar.

Em 2006 contratamos o melhor enólogo da Argentina, Luiz Barrald, proprietário da ‘Vina Cobos’. Luis tem o vinho argentino quase perfeito, o Parker, com 99 pontos e conseguimos em 2010 ser o 5 estrelas da ‘Decanter Magazine’, na Inglaterra, conquistando o prêmio máximo com o Goulart Grand Vin 2007. Conseguimos esse feito com o Maurício cuidando da agronomia e o Luis da enologia de nossos vinhedos, assim estamos com “a casa em ordem”.
As linhas são diferenciadas pela quantidade de uva e por hectares.

Hoje em dia nos temos 4 linhas no mercado : GOULART C CLASICO, GOULART R e THE MARSHALL RESERVA, GOULART GRAND VIN e GOULART SUPER MALBEC.




Flyer com os tipos de vinho que Erika produz

 
Erika com os vinhos fabricados pela Vinícola Goulart


Edna: Quais os principais momentos do trabalho que sua vinícola desenvolve os vinhos?
Erika:
Na nossa vinícola o trabalho não pára, estamos constantemente buscando e elaborando cada vez mais melhores vinhos, cada ano é diferente do outro e estamos atentos a tudo. O mês de abril na colheita é um mês chave, rezamos para não chover, para não cair granizo e só depois que começamos os cortes e decidimos qual o vinho que vamos escolher, que é outro momento importante. Eu confio na minha equipe, e isso é fundamental. Eles sempre fazem o melhor.


Erika com amigos


Edna: Qual é a contribuição de seu terroir para a produção de seu vinho?
Erika: O ‘Malbec em Cahors’ e diferente do ‘Malbec de Mendoza’. Mendoza tem a proteção da Cordilheira dos Andes o que fez com que o Malbec de transforma-se em uma uva tipo A.  Mendoza não tem influências das correntes marítimas, que é por onde o Malbec tem muita concentração de taninos, o que o deixa ainda mais delicioso!!!
A altura, a proteção, o clima árido, a quantidade de dias de sol e a amplitude térmica da Cordilheira dos Andes são fundamentais para o êxito do Malbec em Mendoza.


Erika com uma amiga


Edna: Quais os planos futuros para a Vinícola Goulart?
Erika:
Nós chegamos rápido ao futuro, nossa produção está no limite de 500 mil garrafas e todas são vendidas. Acredito que 2011  será o momento de desenvolver nossa importadora no Brasil com o lançamento das etiquetas C, R e M, que somente são comercializadas nos Estados Unidos e Canadá,e também a construção do GOULART WINE CHATEAU, produzindo vinhos para 10 pessoas particulares amantes do MALBEC.


Vinícola Goulart

José Luis Lugilde e Erika Goulart
 





 

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6 Comentários

  • 14 de Dezembro de 2010 | 21:24

    NILTON BUSTAMANTE

    Olá, Edna Gomes!
    Gostei muito dessa matéria, parabéns!

    Fiquei impressionado com a Erika Goulart, por essas coisas que a vida apresenta e, quando se acredita, através de muito esforço, trabalho e ânimo, acontecem histórias incríveis.
    Claro, fiquei também curioso com esse 'malbec' da Goulart.

  • 30 de Novembro de 2010 | 00:33

    marcia sauron

    Amiga, parabens...Vc está linda e feliz!
    Quero ver essa carinha feliz e realizada sempre.
    Bjs. Marcia Sauron.

  • 30 de Novembro de 2010 | 00:32

    Fábio Silvestre

    Parabens Edna..
    Um grande abraço

  • 29 de Novembro de 2010 | 17:30

    William Hanna

    Perguntas perfeitas..e com certeza sua simpatia traz aconchego as palavras e carisma com a entrevistada...Simplesmente o sucesso..

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