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Sereias catarinenses
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Confesse agora: o que está vestindo por baixo da roupa? Uma lingerie de tirar o fôlego, daquelas que precisam de porte de armas para vestir? Uma peça de algodão básica? Ou um paninho com poucos resquícios da cor original e o elástico solto?
O que cada um esconde por baixo dos panos diz muito como está a sua relação com a pessoa mais importante desse mundo: você!
História ótima de lingerie que ouvi, entre gargalhadas, no cabeleireiro. A maravilhosa iria sair com um gato de sonhos pela primeira vez para jantar. Então, caprichou dos pés à cabeça. Unhas dos pés carmim, óleo perfumado para hidratar as pernas bronzeadas e depiladas. Pretinho básico moldando o corpo de sereia. Manicure francesinha nas mãos. Cabelos sedosos arrumados estrategicamente para parecer que acordou, deu uma voltinha de moto e estava pronta. Olhos marcantes, gloss nos lábios. Delicado perfume francês. Mas... Como não confiava que fosse capaz de se segurar na primeira noite com um gato tão envolvente e achou melhor colocar, por baixo dessa produção de arrasar, uma cacinha bege bem antiga hor-ro-ro-sa, reservada para aqueles dias do mês. Bom, na segunda taça de Veuve Clicquot, antes mesmo da sobremesa, já sabia que tinha encontrado o Tal. Já imaginou o sobrenome dele no monograma dela, a lua-de-mel no Tahiti depois da marcha nupcial. Mas... Não conseguia parar de pensar, arrependida, na famigerada calcinha velha e furada. Sofria por antecipação, imaginando o constrangimento de despir-se. Quase não foi ao apartamento dele! Mas os longos e molhados beijos no carro eram tão quentes, que ela acabou topando ir para o apartamento do Mr. Right. “Seja lá o que Deus quiser!” – pensou. No sofá, seu futuro marido parecia um polvo, com tantas mãos. Estavam pegando fogo! Antes que as brasas incendiassem o pretinho básico e o terno Armani, ele resolveu ir ao banheiro. “E agora?” – pensou ela. Decidiu, num minuto, tirar toda roupa e esconder rapidamente o trapinho bege em baixo da pilha de roupas no chão. O homem quase caiu duro quando deu de cara com aquele monumento, nuazinha em pelo na sua sala! Anos depois, já com as escovas de dentes morando no mesmo copo e os brinquedos dos filhos espalhados pelo chão, ele confessa, ao lembrar da primeira noite, que a achou ousadamente depravada. Só então ela contou a história da calcinha bege que foi parar no lixo no mesmo dia...
Você sabia? As primeiras roupas de baixo não foram criadas para aquecer a derrière sob saias vaporosas de tecidos caríssimos, mas sim para proteger tais saias e mantê-las longe da sujeira e odores corporais! Banhos não eram um hábito freqüente.
Os primeiros registros de roupitchas íntimas são de romanas, em 40 A.C. Pedaços de algodão eram amarradas ao corpo como fraldas. Cleópatra, antes mesmo de Jean Paul Gaultier e Madona, enlouqueceu os homens mais poderosos da época usando sutiãs decorativos em forma de cones!
No século XVII as espanholas inauguraram o famoso espartilho, que estava bem longe de ser o fetiche que é atualmente. A peça, que hoje desfila exposta pelas ruas fazendo par com jeans, era sinônimo de desconforto. No passado era feito de material rígido, apertado, que disfarçava e distorcia as formas femininas. Os corsellets que espremiam a mulher e achatavam o busto, se consagraram desde então. Mudavam toda a configuração interna dos órgãos, comprimiam as costelas, os pulmões, causavam freqüentes desmaios! Um horror! Depois do sucesso de “Moulin Rouge”, os espartilhos voltaram com tudo.
Dicas da titia Barbarica. Meninas, atenção. Calcinha fio-dental marca. Não sei quem foi que teve essa idéia de que a calcinha ideal para usar com roupa justa é a fio-dental. Aquele triângulo de tecido em cima do cóccix parece um luminoso apontando para baixo, muito vulgar. Calcinha apertada é o fim! Divide o quadril, faz um mosaico no bumbum, marca tudo! Lingerie de renda é uma desgraça com roupa justa ou transparente. Parece celulite. O tecido fino e transparente encosta no relevo da renda e parece que a pele está toda irregular. Calcinha vermelha com frufru, de sex-shop barata, também é uó.
Como são suas calcinhas e biquinis? Largue o jornal, vá correndo às gavetas de lingerie e biquinis. Não há nada mais desestimulante que um biquini velho, sem graça, com o elástico mole, do tamanho de uma barraca de camping. Não importa quanto tempo você está com o maridão, ele precisa ser reconquistado todos os dias. Você usaria isso com um novo namorado? Se a resposta é não, jogue tudo no lixo e compre peças novas. Dê-se um carinho com lycra. 
Essa semana estive em Ilhota e fiquei absolutamente encantada com tudo que vi! Esse verão promete! Faça uma visitinha à capital catarinense da moda íntima e saia com lingeries e biquínis renovados. Complete a produção com sandálias de salto alto e chapéus bem grandes e molinhos e fique pronta para encarar o verão de Santa. Que venha o sol!
Barbara Reiter – autora do livro O Poder Feminino – Matrix Editora
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