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Nutrição ou saciedade?
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Esta diferença também pode definir entre ser esbelto ou obeso.
Desde o advento do fast food, a questão da alimentação passou a preencher as páginas dos jornais e revistas; sem falar das anamnésias dos consultórios médicos. Mas afinal, você come para se nutrir ou para saciar sua fome?
São muitos os fatores que definem as preferências alimentares de cada pessoa. Porém, os mais importantes são seu ritmo de vida e claro, as influências do meio social que vão da família aos apelos da mídia, passando pelos amigos e colegas de escola ou trabalho.
A vida agitada das metrópoles inclina para o uso do fast food (refeição rápida ou, numa variação da tradução, “quase” refeição) – que hoje em dia poderia ser muito bem chamado de “fat food” (comida gorda), dado o seu alto índice de gordura e outros elementos que geram obesidade com seus ingredientes.
Por outro lado, a vida metódica e quase sem imprevisto do universo rural inclina para os doces e massas, a tradição interiorana que permaneceu mesmo depois que o trabalho braçal passou a exigir menos energia do trabalhador.
No aspecto psicológico, a carência nos dois contextos ambientais aumentou; talvez por um processo insensato de transferência da vida social para a internet, o que ocorre como gerador de sedentarismo quase que na mesma proporção de incidência no campo e na cidade, talvez por motivos ainda não detectados. Fato é que a comida, notadamente, os doces e chocolates, é a substituta preferida para o carinho e atenção que faltam na vida de milhões de pessoas que atualmente compõem um terrível quadro de obesidade no Brasil e no mundo.
Isso tudo mais a abundância de oferta de alimentos, especialmente nos países em desenvolvimento como o nosso, nos fazem pensar que a alimentação tem sido antes um fator de busca por saciedade do que um veículo de nutrição.
Como a questão da saciedade é imprescindível ao ser humano que se habituou a só parar de comer quando se sente satisfeito (em geral, quando sente um peso no estômago), vale a pena estudar a questão com o foco nesse quesito.
Não obstante às inúmeras dietas que surgem aqui e alhures sugerindo ou até mesmo prometendo emagrecimentos rápidos ou reposição disto ou daquilo, há um caminho eficaz através da alimentação com o qual se pode garantir saúde e boa forma e que pode ser usada por qualquer pessoa sem a neurose de se ter de controlar calorias, porções ou qualquer outra coisa desse tipo. Basta que a pessoa esteja disposta a reeducar seu organismo adquirindo hábitos conscientes do que é nutritivo e suficiente para a nossa condição humana.
Na verdade, tudo se resume na composição de uma alimentação rica em componentes necessários à manutenção eficaz do organismo.
Em primeiro lugar, observar a ingestão de líquidos. A água é o elemento predominante no corpo, por isso tem de ser reposta em grande quantidade, preferencialmente, na mesma proporção dos 70% que nos compõe. Você pode escolher um tipo de água leve para consumo em larga escala, intercalar com sucos naturais, água de coco, sopas sem creme de leite e chás diversos, preferindo deixar de fora o chá preto e o chá mate, que são altamente energéticos e podem ser reservados para este fim, quando for necessário.
Quando considerada viva, ou seja, com seus doze minerais ativos, a água supre o organismo da maioria dos componentes dos quais ele precisa para se alimentar, por isso não pode ser jamais desprezada.
Além disso, a água ajuda a desintoxicar o organismo e desinchar o corpo.
Colocando o foco no corpo, sabemos que o coração é o órgão real do organismo, e deve ser privado de gorduras saturadas (de origem animal) ou hidrogenadas, que lhe fazem terrível mal.
Porém, estudos recentes realizados pelo Laboratório de Clínicas Médicas da Unicamp demonstraram que a gordura saturada também afeta o cérebro atuando diretamente no hipotálamo, região responsável pelo controle do apetite e gasto energético, chegando a destruir os neurônios responsáveis pela transmissão da informação de saciedade.
Ora, se o seu corpo fica sem este tipo de controle, como você saberá quando já está satisfeito?
"Portanto, a perda de alguns desses neurônios pode ter consequências bastante desastrosas para manutenção desse equilíbrio entre fome e gasto energético", explica o pesquisador da Unicamp Lício Velloso.
Em termos de gordura, vale também dizer que as aquecidas desintegram suas moléculas liberando, durante o processo de cozimento ou fritura, diversas substâncias nocivas, inclusive, cancerígenas.
A preferência é, portanto, para as gorduras insaturadas, cujos danos nos neurônios são menores.
Na prática, a saída para este caso é substituir os cozimentos com óleo e água por cozimentos rápidos a vapor (a exemplo do que fazem os japoneses), as frituras por assados e trocar as gorduras animais por vegetais, preferindo o azeite virgem de oliva e óleos mais leves como o de girassol, coco, gergelim e linhaça.
Notadamente, as gorduras insaturadas são encontradas em azeite de oliva, canola (óleo canadense), óleo de milho, amêndoa, castanha-do-pará, abacate, semente de linhaça, truta e salmão.
Com relação à margarina que se passa no pão, ela pode ser substituída por tahine, pasta de gergelim ou mesmo conservas como a de berinjela.
As carnes gordas são substituídas com vantagem por alimentos com alto teor de Omega 3 como os peixes de água fria (salmão, sardinha, atum e arenque). O Omega 3, por sinal, cabe muito bem nas dietas de emagrecimento porque combate a celulite e as gorduras nocivas do organismo em geral, o que também resulta na diminuição de espinhas.
Por suas propriedades, o Omega 3 colabora com um corpo mais liso e esbelto, além de ajudar a produzir um excelente humor em quem o inclui no cardápio rotineiro.
Noz, castanha, amêndoa e pistache são alimentos ricos em gordura poliinsaturada, que combate a inflamação e colaboram com a circulação e a eliminação da gordura ruim. Por serem alimentos calóricos, porém, não devem ser usados em abundância, bastando ingerir cerca de até seis unidades por dia, de preferência comidos, bem mastigados, entre as refeições e com frutas secas.
O intestino, por sua vez, é considerado o órgão mais importante depois do coração. É tão importante que, sozinho, ele comanda o bom funcionamento de quase todos os demais órgãos do nosso organismo. Em outras palavras, quando o intestino não funciona bem,nada mais funciona bem.
O que deixa o intestino em perfeito funcionamento também é encontrado na alimentação. No caso, a prioridade está com as fibras, que ajudam a desintoxicar o organismo e estabilizar o açúcar no sangue (glicemia) e, com isso, tiram a vontade de comer coisinhas o dia todo. São encontradas nos alimentos integrais, nas frutas e nos vegetais. Depois, surgem os probióticos (leite fermentado, queijo e iogurte), que recompõem a flora intestinal.
O complexo vitamínico B colabora com nossa dieta eliminando o desejo compulsivo por doces, além de diminuírem as possíveis dores de cabeça, inclusive, nos períodos de TPM da mulher, pois a vitamina B6 controla os efeitos hormonais da aldosterona, hormônio da fase pré-menstrual que inibe a eliminação do sódio, o que causa o inchaço e cefaleia típicos do período.
Recuperar o sensor de saciedade danificado pelas gorduras ruins é uma tarefa difícil, mas o magnésio é um excelente controlador desta área, além de também inibir a vontade de comer doces e o apetite em geral. Deve, portanto, ser incorporado à alimentação diária.
Os alimentos ricos em magnésio são: abacaxi, vagens, verduras escuras, cenoura, castanhas, nozes e integrais, além dos carboidratos complexos.
No caso, os carboidratos complexos têm a característica de serem absorvidos de forma lenta, exercendo pouco estímulo à liberação de insulina, a qual, quando em excesso, causa letargia, fadiga e, às vezes, hipoglicemia. São também indicados, portanto, para quem faz exercícios.
Produtos à base de soja, leites magros e desnatados, frutos do mar, feijão, lentilha, arroz, grãos integrais, oleaginosas, ovos e sementes de girassol e gergelim também são produtores de tripofano, o antecessor da serotonina, que é o hormônio do bem-estar.
No ovo, na soja e nos laticínios também estão proteínas, indispensáveis para o sistema estrutural do organismo. Com esses alimentos no cardápio cotidiano, pode-se pensar em dispensar a carne vermelha, que faz aumentar o nervosismo e a ansiedade, prejudiciais ao processo de emagrecimento, além de conterem maior número de toxinas.
Por fim, o zinco, que combate poderosamente a irritabilidade, a ansiedade e a insônia, fatores que costumam colaborar em muito com a engorda. Ele é encontrado em carnes magras, peixes, crustáceos, ostras, leite, cereais integrais, feijões e nozes.
Com este conhecimento é fácil optar por uma alimentação equilibrada, com muito líquido, à qual também se acrescentará exercícios regulares e descansos bem dosados. Isto basta para viver tranquilo e com saúde perfeita.
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