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Bruxismo (apertamento dos dentes) pode causar zumbido
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Relação entre problemas ortodônticos, ortopédicos faciais e craniomandibulares com o zumbido foram esclarecidos no encontro de setembro do GAPZ
O especialista Gerson Köhler, ortodontista e ortopedista facial, foi o palestrante do encontro do Grupo de Apoio a Pessoas com Zumbido de Curitiba (GAPZ), que aconteceu ontem (03), no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. O tema da palestra foi “A atuação da Ortodontia, da Ortopedia Facial e Ortopedia Craniomandibular em pacientes com zumbido”. Segundo Köhler, a musculatura facial é muito poderosa e atua sobre os dentes, os ossos que os sustentam e as articulações temporomandibulares.
Para se ter ideia do poder dos músculos presentes na face, o especialista apontou que o ato de engolir a saliva gera 50 quilogramas/força e a mastigação possui de 100 a 150. “O bruxismo, nome técnico dado ao apertamento dos dentes causado pelo excesso de força desnecessária da musculatura facial, pode atingir até 500 quilogramas/força, um potencial extremamente destrutivo para as estruturas do sistema craniofacial. A intensidade da contratura muscular dita o grau e a intensidade do bruxismo”, explica.
Ao causar os apertamentos, os músculos comprimem uma área vascularizada e com nervos que fica localizada na região posterior do disco articular (o 'menisco' das ATMs), que, anatomicamente, é vizinha das estruturas do ouvido. “Quando acontece a compressão os sinais enviados ao cérebro são decodificados como zumbido, sensação sonora interna que pode ser percebida na cabeça ou nos ouvidos, de acordo com a definição da otorrinolaringologista Tanit Sanchez, fundadora do GAPZ”, esclarece o especialista.
E é neste contexto que a Ortodontia, a Ortopedia Facial e a Ortopedia Craniomandibular se tornam importantes para quem sofre com o zumbido. Antes de determinar a causa exata, o paciente deve se consultar com um otorrinolaringologista para então ser encaminhado para outras especialidades. “Para identificar se o zumbido está relacionado às estruturas faciais o paciente será orientado - numa atitude diagnóstica - a realizar diversas manobras que exercitam a neuromusculatura do segmento de cabeça-e-pescoço, entre elas, o o ato de 'apertar os dentes' (na verdade eles são apertados, enquanto reféns da musculatura mastigatória) e outras que 'mexem' com a musculatura de face, cabeça e pescoço”, aponta.
São aproximadamente nove movimentos, que devem ser feitos por apenas cinco segundos – tempo suficiente para que o paciente possa notar se a movimentação causou alguma influência no zumbido durante a sua realização, seja na intensidade - o ruído sofre modulações ficando mais baixo ou alto - ou na qualidade, o tipo de barulho é alterado. “Outros movimentos também podem ser incluídos no diagnóstico, que deve ser feito por um ortodontista ou ortopedista facial que atue - em contexto médico interdisciplinar - com envolvimentos com o zumbido”, destaca.
Grupo ameniza sofrimento dos portadores de zumbido
O aposentado Alceu Mendes dos Santos, 67, esteve presente pela primeira vez no GAPZ e veio em busca de ajuda. Santos sofre com zumbido há cinco anos e relaciona o problema aos mais de 30 anos dedicados ao trabalho em uma madeireira. “A gente se comunicava por sinais porque não dava para escutar nada, só o barulho da serra. Agora estou com zumbido, estou procurando tratamento e os médicos me indicaram o GAPZ para conhecer mais sobre o problema. O barulho me incomoda mais de noite, quando eu vou deitar, parece um passarinho que canta muito forte”, conta.
Assim como Santos, muitos outros portadores de zumbido chegam ao GAPZ desanimados, quase sem esperanças, mas ao conhecer sobre o problema e entenderem o zumbido, passam a perceber o ruído de outra maneira. “Quando a pessoa sabe mais sobre o zumbido o sintoma é amenizado, pois a pessoa fica tranquila em relação ao problema, sabe que ele tem tratamento. O desconhecimento e os mitos desesperam os pacientes e é para isso que o GAPZ existe, para transmitir informações corretas e esclarecer dúvidas”, acrescenta o professor Köhler.

Os encontros do GAPZ acontecem todas as primeiras sextas-feiras do mês, no 5º andar do anexo B do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, a partir das 14 horas. O evento é aberto para qualquer pessoa, a entrada é gratuita e quem quiser colaborar pode fazer a doação de um produto de higiene pessoal que será encaminhada a uma entidade que cuida de pessoas da terceira idade. O próximo evento será no dia 07 de outubro e a palestra será com a otorrinolaringologista e otoneurologista Rita de Cássia Cassou Guimarães, coordenadora do GAPZ Curitiba, com o tema “Noções sobre os vários tipos de tratamento do zumbido”.
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