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Picolés fazem a alegria de animais no Zoo
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Beto Carrero World aposta em técnicas de enriquecimento ambiental
Está enganado quem pensa que o desconforto provocado pelo calor incomoda apenas os seres humanos. Alguns animais padecem tanto quanto o homem em dias dominados por altas temperaturas. Para amenizar estes efeitos do verão, o Zôo do Beto Carrero World produz picolés específicos para os bichos. Tem picolé de frutas, de carne vermelha e até de peixe.
As espécies estão adaptadas a apanhar seu próprio alimento na natureza, disputando território e também parceiros para o acasalamento. Deste modo, é natural que a rotina de um cativeiro seja monótona para os animais. A partir da compreensão deste contexto surgiram as técnicas de enriquecimento ambiental, uma tendência mundial que desencadeia estímulos a fim de promover o bem estar físico e também psicológico dos bichos.
Há 3 anos que o Parque tem promovido essa diferenciação no cotidiano dos animais, que no inverno possuem outras formas de distração. “O animal fica estressado com os limites impostos por essa rotina fora de seu habitat natural, que lhe exige pouco movimento. Além de alimentar e refrescar, o picolé torna-se um prazer, pois eles passam horas tentando descobrir como devorá-lo mais rápido”, explica a bióloga Kátia Cassaro, responsável pelo Zôo.
Os picolés são produzidos no próprio Parque. Na cozinha do Zôo as carnes e frutas são congeladas, em baldes plásticos ou garrafas pets, até o momento de serem oferecidas aos animais. Eles recebem o alimento uma vez por semana, para que não percam o interesse. O caráter de novidade, neste caso, é fundamental para o sucesso da operação.
Basta o tratador pegar o barco para atravessar o lago, que separa a Ilha dos Primatas dos visitantes, para logo se ver macacos correndo ao seu encontro. Eles adoram o picolé de abacaxi. Alguns deles já descobriram que ao quebrar o gelo o acesso à polpa da fruta é mais rápido. Assim eles pisam em cima até conseguir o intento. As macaquices, é claro, arrancam muitas risadas do público.
Da mesma forma, tigres e onças com seus picolés de carne e ursos com seus picolés de peixe, atraem a simpatia dos curiosos. Eles rolam a pedra de gelo de um lado para o outro, lambem, mordem. Comprovando a velha teoria de que a grama do vizinho é sempre mais verde, os animais até ousam uma troca de picolé com os companheiros de cativeiro. Mais uma prova do quanto o enriquecimento ambiental é favorável ao desenvolvimento cognitivo das espécies cativas.
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