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Superação Pessoal

Superação Pessoal

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O Papa Bento XVI tem surpreendido. Criticou o que chamou de uma dieta constante de notícias sobre o mal no mundo, dizendo que isso endurece os corações. Afirmou que a forma como a imprensa retrata e amplifica os males e faz as pessoas se "acostumarem com as coisas mais horríveis". Que a imprensa insensibiliza as pessoas.
Bem, como gosto de boas notícias e concordo com o pontífice nesse assunto, lá vai. Histórias de superação pessoal sempre comovem. Adoro quem reescreve seu destino como bem quer. Hoje conto a história de uma mulher comum, mas com um talento incomum descoberto na sexta década. Pois foi aos 60 que abandonou o magistério e ficou melancólica ao olhar pela janela. E ao olhar o morro da Mangueira pela janela de casa, a aposentada Lucia Laguna achou o que buscava:
"Do outro lado, havia um morro. Achei que precisava trabalhar o meu entorno, a paisagem que me rodeia. Essa era a resposta que eu procurava tanto e que talvez aplacasse a minha angústia".
A vida no magistério transcorreu calma até a aposentadoria. "Depois, passei uns seis meses de vazio. Fazia as coisas domésticas, bordava, criava até bijuterias. Também ajudava meu marido na fábrica, mas faltava algo. "Após frequentar cursos de pintura e história da arte na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, começou a desenvolver seu trabalho de pintura. Lucia é hoje uma das mais proeminentes artistas brasileiras. Sua pintura ganhou visibilidade quando ela esteve entre os cinco vencedores da penúltima edição do Prêmio CNI-Sesi Marcantonio Vilaça, em 2006.  Expôs por todo o país, depois de um ano de acompanhamento do crítico de arte Paulo Herkenhoff. Repetindo uma afirmação dele, ela diz que, desde então, seu trabalhou ganhou densidade.



O caminho atípico de Lucia é inspirador para qualquer pessoa que esteja sentindo uma lacuna interna. Ainda há outras histórias de talentos revelados tardiamente. Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas era doceira de profissão. Cursou as quatro primeiras séries. Ao completar cinquenta anos, a poetisa relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como "a perda do medo”. Nesta fase, deixou de atender pelo nome de batismo e assumiu o pseudônimo que escolhera para si muitos anos atrás: Cora Coralina. Reinventou-se! Só teve sua primeira publicação aos 75 anos! Ficou famosa principalmente quando suas obras chegaram até as mãos de Carlos Drummond de Andrade, quando ela tinha quase 90 anos de idade.
Essas trajetórias de vida me remetem à parábola dos talentos, que Jesus contou. Parábolas são historinhas alegóricas e cheias de simbolismo. Conta a história de três funcionários de um fazendeiro que viajou e confiou a estes quantidades diferentes de talentos para que multiplicassem durante sua ausência. A palavra talento veio atravessando os tempos e deixou de significar dinheiro, para ser nos dias de hoje, uma aptidão natural ou habilidade adquirida e desenvolvida. Entendo que aí a parábola passa a fazer mais sentido. O que importa não é o quanto a pessoa possui, mas sim o quanto ela se empenha em fazer do seu talento algo útil para si e para a sociedade. Jesus usou na parábola a moeda mais forte da sua época e hoje interpretamos como uma coisa por demais valiosa. Todos temos oportunidades para aplicar os nossos talentos. Entretanto muitas vezes nos perdemos e não transformamos em oportunidades para mudarmos nosso mundo, nosso ambiente. O trabalho é instrumento de progresso intelectual e moral. Os talentos são todas as condições que nos são entregues para que possamos crescer. Contudo, muitas vezes cegos pelas nossas paixões, não valorizamos a ajuda que nos é concedida e acabamos por não aproveitá-la.
E você, que está aí lendo? Como anda seu entusiasmo de viver? Sua satisfação pessoal? O que fez de seus talentos inatos que lhe foram entregues para usar nesse planeta? O que fez com aquela inteligência vivaz incomparável quando criança? Multiplicou? Trabalhou com ela e produziu? Escondeu? Esqueceu de usar? Enterrou? Qual era seu sonho de criança? Você era gênio em quê? Você foi uma grande promessa de futuro? O que escreveu para seu futuro que hoje virou presente?
Muitas vezes acordamos, respiramos, lavamos a louça, assistimos TV, jogamos tênis, jogamos a vida fora, mas não estamos vivos, só sobrevivendo. Há pessoas que andam por aí, pelas ruas e shoppings da cidade, mas não sabem que estão em estado de coma, anestesiados, com talentos enterrados pelos medos, pela preguiça, comodismo, enfermidades adquiridas pela alma, encarnações desperdiçadas.
Ouço gente em dificuldade questionar “Será que Deus está me testando?” Sim, está! Pra ver se você tem ganas de arregaçar as mangas e ir fazer o que lhe compete nessa vida! Porque ninguém vai fazer por você! Nem Deus!
Barbara Reiter – www.opoderfeminino.com.br/wordpress

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Barbara Reiter<br />Balneário Camboriú

Estilo Único

21/09/2010 | 16:46

Por:

Barbara Reiter
Balneário Camboriú

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