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Morre Ãcone da cultura gay de São Paulo
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A ativista Claudia Wonder faleceu neste sexta-feira, aos 55 anos, vÃtima de uma infecção provocada por fezes de pombo. O velório será na Secretária de Justiça, no Pátio do Colégio, à s 18h.
Faleceu neste sexta-feira, dia 26 de novembro, aos 55 anos, a ativista Claudia Wonder, vÃtima de uma infecção pelo fungo Cryptococcus neoformans encontrado principalmente nas fezes de pombos. Claudia estava internada no Centro de Referência e Treinamento (CRT) DST/AIDS de São Paulo, na Vila Mariana, desde o começo de outubro. O velório será na Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, que fica no Pátio do Colégio, 148 / 184 - Centro, à s 18h. O enterro deve acontecer no Cemitério Vila Alpina, mas ainda não foi confirmado.
Paulistana, performer, cantora, compositora, atriz, escritora e Ãcone da militância GLBT brasileira, Claudia Wonder começou sua carreira artÃstica fazendo shows em boates e no teatro, onde atuou em várias peças. Também participou de filmes como "O marginal" e" A próxima vÃtima". O documentário "Meu amigo Claudia", do cineasta Dácio Pinheiro, produzido em 2009, que conta a história da artista, foi um dos mais celebrados pela crÃtica nos últimos tempos, eleito o melhor documentário no Festival Mix Brasil 2009.
Claudia Wonder marcou época no underground paulistano dos anos 80. Estreou como letrista e vocalista da banda de rock Jardim das DelÃcias. Em seguida, formou a banda Truque Sujo, sempre obtendo sucesso de crÃtica e público. No final da década de 80, mudou-se para a Europa e lá ficou durante onze anos, onde trabalhou em shows e depois como empresária na área da estética.
De volta ao Brasil, participou do CD Melopéia, que traz sonetos do poeta Glauco Mattoso musicados por vários artistas, e da primeira coletânea de electro nacional, o CD Body Rapture. Lançou seu primeiro CD solo "FunkyDiscoFashion"; em setembro de 2007. Em 2001, foi homenageada como abre-alas da Parada do Orgulho Gay de São Paulo e, em 2006, foi madrinha do Festival Mix Brasil de VÃdeo e Cinema da Diversidade Sexual.
Na militância, coordenou o Grupo de Estudos da identidade de Gênero Flor do Asfalto. Também trabalhou como monitora de abordagem e comunicação do Centro de Referência da Diversidade no projeto Cidade Inclusiva, uma parceria do governo da cidade de São Paulo com a União Européia. Durante seis anos, atuou como colunista e repórter da revista G Magazine e do site G.Online.
Em 2008, lançou pelas Edições GLS o livro Olhares de Claudia Wonder (184 p., R$ 39,90). Na obra, ela descortinou o universo trans e mostrou que encarar a diversidade é a única forma de superar o preconceito. Entre histórias engraçadas e trágicas, perfis e entrevistas, Claudia abordou temas espinhosos — como a humilhação a que estão permanentemente expostas as minorias sexuais —, mas também revelou caminhos possÃveis, sempre permeados pela dignidade.
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