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Luis Sérgio Krausz ganha o prêmio Isaias Golgher 2011

Luis Sérgio Krausz ganha o prêmio Isaias Golgher 2011

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O Instituto Cidades Criativas e o Núcleo de Estudos Judaicos da UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais anunciaram os vencedores do PRÊMIO ISAÍAS GOLGHER 2011.

O  1º. lugar foi conquistado por Luis Sérgio Krausz com  “Ruínas recompostas: Aharon Appelfeld e os rastros do judaísmo centro-europeu”.

O ensaio aborda, de forma sofisticada e abrangente, a importante obra de ficção do escritor de língua hebraica Aharon Appelfeld (1932-) a partir da análise de alguns romances cuja temática é o mundo judaico da Europa Central. Esse universo, do qual o escritor foi arrancado aos oito anos de idade, quando os nazistas e seus aliados deram início à deportação dos judeus da cidade de Czernowitz, então parte da Romênia, onde nasceu o autor, é recriado na ficção, tal qual o passado, porém, fugindo às idealizações e ao sentimentalismo nostálgico. O projeto do autor, segundo Krausz, aproxima-se, antes, de uma arqueologia dos escombros, por meio da qual ele reconstrói um universo complexo, de aporias, contradições e perplexidade, próprio dos judeus da Europa Central no período entre guerras.

Luis Sérgio Krausz é Professor Doutor em Literatura Hebraica e Judaica na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, em RDIDP, Pós Doutor em Literatura e Cultura Judaica pela Universidade de São Paulo (2010), Doutor em Literatura e Cultura Judaica pela Universidade de São Paulo (2007), com estágio de pesquisa na Universidade Livre de Berlim,  Mestre em Letras Clássicas pela University of Pennsylvania, com tese escrita na Universidade de Zurique sob orientação do Prof. Dr. Walter Burkert (1992), e aluno especial do Jewish Theological Seminary of America e da Columbia University nas áreas de Literatura Bíblica e Literatura Clássica.

O 2º. lugar ficou com Ângelo Adriano F. de Assis  com a obra “As macabeias da colônia: criptojudaísmo feminino no Brasil quinhentista”. - Durante a primeira visitação inquisitorial às capitanias brasileiras do Nordeste, entre 1591 e 1595, destaca-se o número de mulheres cristãs novas acusadas de práticas judaizantes, sinalizando a intensa participação feminina de resistência judaica. Este rigoroso ensaio, de autoria de Ângelo Adriano F. de Assis, analisa, de forma pormenorizada, a importância dessa resistência para a manutenção e sobrevivência judaica no mundo luso-brasileiro durante os séculos 16 e 17. Os processos movidos pelo Tribunal do Santo Ofício da Inquisição portuguesa contra a família Antunes, principalmente contra a matriarca da família, Ana Rodrigues, suas filhas e netas, que podem ser vistas como Macabéias, são estudados pormenorizadamente pelo pesquisador como um exemplo dos mais significativos do criptojudaísmo então vivido na colônia.

O 3º. lugar foi para “Genealogia literária” em A estranha nação de Rafael Mendes, de Moacyr Scliar, de Glauber Pereira Quintão. - O romance A estranha nação de Rafael Mendes, de Moacyr Scliar, é analisado neste excelente ensaio de Glauber Pereira Quintão, a partir do estudo de árvores genealógicas literárias. Para o pesquisador, Scliar, ao recompor ficcionalmente a história de gerações de antepassados do personagem Rafael Mendes, é capaz de propor um novo olhar sobre a tradição e a memória.

Ao primeiro lugar será outorgado o prêmio no valor de R$10.000,00 (Dez mil reais); ao segundo lugar, R$5.000,00 (Cinco mil reais), e ao terceiro, R$3.000,00 (Três mil reais). Os autores dos trabalhos destacados com Menção Honrosa receberão diploma.

A Comissão Julgadora foi composta pelos professores Jacó Guinsburg, Wander Melo Miranda, Nancy Rozenchan e Lyslei Nascimento.

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