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Sony: reflexões sobre um império ameaçado

Sony: reflexões sobre um império ameaçado

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A multinacional japonesa Sony tem uma história de inovação que começou em 1946, em Tóquio, com Akio Morita e Masuru Ibuka, que tinham mesmo a proposta de levaram ao mercado produtos inéditos, pioneiros e vibrantes, como a própria personalidade de seus fundadores.

Com o nome original Tokyo Tsushin Kogyo K.K., a Sony foi a primeira a fabricar aparelhos gravadores de fita K7 no Japão. Através da iniciativa de Morita de licenciar o recém-inventado transistor, da Bell Labs, para a criação de novos produtos, lançou no mercado o inédito rádio com transistores, batizado de Sony TR-55. E quando a invenção chegou ao mercado norte-americano, a empresa assumiu oficialmente o nome da sua criação, com o objetivo de ganhar popularidade no país, já que tudo o que procedia do Japão era visto com maus olhos nos Estados Unidos.

Na campanha brasileira de lançamento do gravador portátil Sony em 1975, protagonizado pela atriz Cristina Pereira, o slogan “Faça Sonyterapia” foi um sucesso inominável que chamou a atenção de jovens de todas as idades para a marca.

O comercial mostrava Cristina, com seus traços faciais passando à distância dos padrões de beleza da nossa sociedade,ouvindo repetidamente e com ares de sonhadora a gravação de uma voz masculina, sedutora, limpa, dizendo “Eu te amo”. Tudo a ver com a mensagem subliminar do novo nome da empresa, que nada mais é que uma junção da palavra “SOnus” (som) com a palavra “sonNY”, que significa bonito e inteligente.

Mais tarde, em 1979, a Sony criou o primeiro K7 player portátil, o Walkman, e ganhou definitivamente o apreço do público interessado em modernidade.

Com o lançamento da linha de jogos eletrônicos, em 1994, a Sony colocou o nome Play Station na boca de milhões de crianças e adolescentes no mundo inteiro, e não parou mais.

Hoje, não bastavam os abalos econômicos sofridos com os terremotos no Japão, que obrigaram a empresa a fechar seis de suas fábricas, a PSN (PlayStation Network) teve os servidores que controlam os jogos on line da Sony invadidos por hackers que não só capturaram as senhas dos jogos, como também as dos usuários cadastrados no mundo inteiro, incluindo suas contas e senhas de cartões de crédito, tirando do ar a opção de jogar on line entre pessoas e ameaçando a integridade dos dados da empresa e de seus usuários.

A ocorrência, que se deu na noite de quinta-feira, 20 de abril, foi assumida pelo próprio chefe da Sony, o Sr. Patrick Seybold, que ainda não anunciou perspectiva de solução para o caso.

De bonita e inteligente, agora, a Sony parece não ter nada. Porém, mais aterrorizante que a ação dos hackers, é a reação do púbico juvenil usuários, de cujos representantes surgiram aqueles que ameaçaram até a tirar a vida de parentes ou a própria, caso a situação da Sony não se estabilizasse.

Devemos rever, o mais rapidamente possível, onde estamos colocando os nossos valores e como estamos conduzindo e orientando a educação dos nossos filhos. Afinal, quando uma notícia desastrosa se torna motivo de descontrole psíquico para os nossos e nós mesmos, é sinal de que não estamos sabendo semear o necessário para o desenvolvimento daquilo que deve ser um dos principais pilares da formação do caráter humano: o controle emocional.

Aliado ao domínio psíquico, à criação de um ideal nobre de vida para si e a perseverança por alcançar tal objetivo, o controle emocional é alicerce indispensável para que a humanidade suporte a gradativa, mas feroz, revelação da verdade que nos cerca: somos os responsáveis por nossas vidas, nossa evolução e pela preservação da casa planetária em que vivemos.

Mesmo que não vejamos ligação ente os fatos, o ocorrido com a Sony tem em comum com a chacina em Realengo, os crimes passionais em escolas e entre jovens, o caso Richthofen e outros, exatamente a falta de parâmetros morais que nos norteiem para o erguimento de um pilar emocional forte, capaz não somente de dar domínio da razão sobre o psiquismo, mas também de gerar em nossos jovens o discernimento necessário para distinguir entre o real e o ilusório, a capacidade e a ação, a força do espírito e o poder terreno.

Se ainda é difícil para você orientar seu filho acerca desses assuntos, que tal promover em si mesmo tais bases?

No limiar da nova era, não há como aprender a lidar com o outro sem antes aprendermos a lidar conosco mesmos. E a Sony, nesse tsunami de tragédias e reações, nessa linha de raciocínio deixa de ser simplesmente um império ameaçado para atuar como fonte de alerta contra o império do consumismo no mundo, força esta que tem degenerado o germe aparentemente frágil da conciliação com o bem, o amor, a paz, a vida em si, a correção e a não violência.

Porque, acima de tudo o quanto se possa imaginar, faz parte desta fase de evolução do mundo construir um mundo melhor.

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Lucia Roberta Mello <br />São Paulo

Estilo Único

13/05/2011 | 15:41

Por:

Lucia Roberta Mello
São Paulo

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