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Santa Catarina Moda Contemporânea
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A palavra moda vem do latim modus, significa “modo”, “maneira”. Significa muito mais que uma cobertura para o corpo. Implica num contexto maior, conceitual, comportamental, político, social, sociológico, forma de sentir e de querer ser visto. Se o formato “desfile” para apresentar conceitos e coleções já cansou, o formato “exposição em capsule collections” tem tudo para dar certo! Essa foi a maior ousadia do Santa Catarina Moda Contemporânea 6ª edição.
O evento começou com uma verdadeira aula de valores às tradições na Hering e de MKT 3.0 na Dudalina, tudo num só dia, com uma visita às fábricas tradicionais do estado. Estou com os neurônios em ebulição! Tarefa hercúlea escolher adjetivos que definam o deleite dessas visitas. 
Sonia Hess de Souza preside hoje, além da fábrica dos pais (que tem 80% de funcionárias com arquitetura glandular acomodada em sutiãs), o Grupo de Mulheres Líderes Empresariais, e ainda é vice-presidente da ABIT. Ela mostra que não existe mundo feminino x mundo masculino; existe, sim, o mundo corporativo onde quem tem competência se estabelece, independente de usar salto alto e batom ou gravata.
O test-drive da camisaria feminina começou ano passado na cidade de Campos do Jordão, quebrando um paradigma de moda exclusivamente masculina da marca Dudalina e foi um sucesso. Já coloquei várias da coleção na minha wish-list e reservei espaço no closet. 

O pit-stop seguinte foi o megahightech Museu Hering, instalado num casarão estilo enxaimel do fim do século XIX que faz parte não apenas do patrimônio histórico do estado, mas da história da marca. Há uma linha do tempo, na interatividade digital no monitor touchscreen onde se pode ouvir desde a carta que um irmão Hering escreveu ao outro a depoimentos de funcionários. É um ambiente sensorial, onde a cultura e a tradição são sentidas num acervo que traz não só a história de uma família, mas da produção têxtil de uma época. 

O dia seguinte foi a vez de conferir as instalações das capsules colletions. Fábricas tradicionais do estado abriram suas portas para estudantes e criadores para enlouquecer o mundinho fashion. Em cada espaço, uma proposta diferente eleita pelos times criativos e artistas visuais para provocar emoções. Paletas, ruídos, jogos de matizes, detalhes malucos impossíveis de serem produzidos em escala industrial. Cenografias, leituras de moda para serem mais que apenas vistas: para serem sentidas. A distância entre cultura e costura é apenas dois alfinetes. 

Na Hering, a instalação Aquaplay algas e criaturas marinhas imersos na moda. 
O espaço da Dudalina investiu no projeto Mão-Máquina, figurinos e cenários futuristas e monocromáticos que homenagearam o passado artesanal de detalhes hand-made, da época que alfaiates faziam as peças sob medida. 

Manufatura volta a ser sinônimo de luxo
Na minha wish-list os vestidos da Lez a Lez com estampas jubilosas, exuberantes, esbanjando sensualidade techno-tropical. 

No espaço da Copa & Cia, o prato principal a ser servido foi poesia concreta. Fui convidada especial para jantar cultura. O tema “Jantar na Casa do Poeta” evidenciou o prazer da conversa edificante à mesa ao compartilhar bons momentos entre família e amigos. Para compor o cenário, em cada lugar à mesa ao invés de pratos estavam dispostas máquinas de escrever. Ao invés de folhas de papel, jogos americanos da empresa. No lustre e papel de parede, letras esperavam formar palavras e ideias, para compor poesias. 

Romantismo e transgressão no Bedroom Rock Festival do time criativo do Senai Joinville. 

O espaço da RVB resgatou a biografia de uma mulher fantástica e à frente de seu tempo, que chocou a sociedade de Brusque do século passado por ser dona de bordel, mas entrou para a história da cidade com uma aura de admiração em torno de si: Fanny. Homenagearam Fanny reconstruindo um clima de rendez-vous e cantando músicas da Ópera do Malandro de Chico Buarque num pocket-show nota 10.



O Santa Catarina Moda Contemporânea, nessa sexta edição trouxe essa proposta para sair do lugar-comum, surpreender e colocar Balneário Camboriú no mapa do fashionismo brasileiro.
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5 Comentários
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26 de Maio de 2011 | 19:56
Regina Moro Rodriguez
Muito mais do quê informações visuais, vejo que o evento também foi uma demonstração sobre comportamentos. Gostei muito da posição de Sonia Hess de Souza quando coloca que não há mais lugar para embates existenciais entre o mundo feminino e o mundo masculino, mas sim há tão somente um mundo, que é o Corporativo e ponto.
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26 de Maio de 2011 | 17:04
Thomas G. Walker
A matéria está ótima e muito elucidativa. Parabens pelo seu trabalho!E parabens tbem pela nossa bela Santa!
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26 de Maio de 2011 | 05:38
Alice Haag
Realmente inovador! Fala-se tanto em moda, acompanhando lançamentos e tendências, mas sempre com o olhar "lá fora". Um evento como este prova que não faltam criatividade e competência no mercado da moda em SC. É com orgulho que observamos todo o bom empreendedor e, finalmente, podemos dizer: Yes, we can!!!
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25 de Maio de 2011 | 16:38
Maria de Fatima Marchetti
Deveras apropriados todos os adjetivos escolhidos pela colunista ...realmente um evento sem paradigma o qual certamente será copiado e aperfeiçoado (se é que é possível!) e lançará santa catarina de vez ao topo do mundo da moda...parabens aos organizadores do evento e parabens à colunista Bárbara que soube com maestria delinear os perfeitos contornos do que representa tal evento...beijos e sucesso amiga bárbara..
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