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Bate papo com Stella McCartney
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Já sabem nossos antenados leitores que a poderosa estilista Stella McCartney (sim, é a filha de Paul) criou uma coleção para a C&A e veio no início desta semana à Sampa (terça à noite) participar do lançamento. A festa da C&A para receber Stella rolou na Casa Panamericana, para 400 convidados e com coquetel vegetariano.
Uma das estilistas mais bem sucedidas de sua geração, ela vive de transformar os desejos e necessidades das mulheres em realidade, através de coleções de roupas e acessórios que compõem um guarda-roupa perfeito. Mãe de quatro filhos (dois meninos e duas meninas), ela é simpática, de conversa fácil e concedeu esta entrevista aos jornalistas:
Qual foi o processo para criar a linha para a C&A brasileira?
Stella: Nós não trabalhamos muito no Brasil, então para mim foi uma pequena introdução da nossa marca para as brasileiras. Olhei para a C&A e pensei em peças que tinham a ver com a grife Stella McCartney, coisas que as consumidoras possam manter em seu guarda-roupa por um bom tempo. Foi importante para mim tentar entrar no estilo das meninas brasileiras e poder criar uma linha de produtos duráveis e atemporais.
Você começou a vender roupas na NK Store e foi um sucesso. Você fez uma linha pra C&A e é um sucesso. Quando vai abrir uma loja por aqui?
Stella: Então, esse tipo de coisa envolve toda uma logística. Mas o Brasil faz parte do planejamento que tenho e, definitivamente, é um dos países onde temos interesse em abrir uma loja da marca. Mais pra frente…
Falando em colaborações, a linha infantil que fez pra GAP deu muito o que falar. Você pensa numa extensão da parceria com a C&A, de repente, pra moda infantil?
Stella: Ah, como eu gosto de fazer moda infantil! Comecei a fazer também pra minha marca e gostei muito da experiência. E, quer saber? Os preços desse tipo de peça são acessíveis na minha marca – olha no meu site e compare.
Qual o segredo para ter uma vida normal, mesmo acabando de ter o quarto filho e um ritmo de trabalho, digamos bastante forte e pesado?
Stella: É achar um equilíbrio! Há muita pressão na indústria da moda e isso é para todo mundo e não só para os estilistas. Essa é uma indústria que não tem piedade mesmo e é muito competitiva, você sabe, há milhares de grifes por aí, mas poucas do nível em que eu trabalho. Eu tenho muita sorte de ter o emprego que tenho, mas concordo que é um universo estressante e maluco, e nessa situação o único caminho é achar um equilíbrio.
Tenho sorte por ter marido e filhos e assim, consigo viver minha vida além da moda, me ajuda a manter um olhar mais realista das coisas. Se não tomar cuidado você pode perder de vista o que realmente é importante, e isso acontece em qualquer profissão. Mas, realmente, está tudo muito louco no momento. Há cada vez mais coleções, você tem que ser cada vez maior, os preços tem que ser mais baixos e as entregas mais rápidas a cada estação. Ao mesmo tempo, este é um momento interessante, é uma indústria global e empolgante, mas você não pode se deixar contaminar pela loucura.
Quantas horas você trabalha por dia?
Stella: Depende. Eu poderia trabalhar 24 horas, mas tento manter um horário razoável e fazer com que todos ao meu redor também vivam dessa forma. Acho que a gente ainda consegue entregar tudo trabalhando um número decente de horas. Mas claro que muda muito de dia para dia, pois tem semanas malucas e outras mais tranquilas. A tecnologia também ajuda muito!
No final, esse é o segredo: equilíbrio. Mas eu também tenho uma equipe muito boa que faz com que eu não tenha que trabalhar todos os segundos do dia. Se não fosse assim eu não poderia ter minha família. Você tem que tomar decisões na vida e eu decidi ter uma família. Quando o trabalho não te der mais prazer, é hora de parar e se perguntar se ainda vale a pena. Quando as coisas não vão bem, tire um momento para refletir. Mas acho que todos parecem muito ocupados hoje em dia, independente da profissão.
Criatividade ou os negócios o que conta mais ponto em sua carreira?
Stella: O lado do business e da construção de uma marca são tão importantes quanto o design. Não importa se você é extremamente criativo, você ainda tem que conseguir fazer suas roupas acharem um caminho até os consumidores. Nós vivemos numa era em que os estilistas podem criar coisas malucas, pois, no final, a maioria das grifes vende bolsas. É muito raro uma maison vender roupa, nós somos uma das únicas grifes de roupa mesmo. Você pode ser louco e criativo, mas tem que encontrar um bom equilíbrio entre business e criatividade.
Você já tinha algum gosto pelo lado dos negócios quando começou?
Stella: Eu não sabia de nada! Saí da (escola de moda) St. Martins e alguém queria comprar minha coleção de formatura e eu não tinha nada! Pensei: “esses compradores devem ir atrás de quem faz isso direito, não a mim!”. Não sabia de nada… Eu fazia as roupas na minha garagem e usava muitas rendas antigas, que eu só encontrava seis metros de cada, então só vendia quatro vestidos, pois era o que dava para fazer com aquela renda. Mas eu gosto do lado business, sabe? Acho que cada vez mais os estilistas querem vender suas peças. Para mim, o maior prêmio é criar algo que as pessoas querem ter e vestir. Eu não vou desenhar as coisas mais malucas só para serem fotografadas pelas revistas. Meu maior orgulho é ver as mulheres escolhendo e se divertindo com aquele produto. Para mim, isso sim é recompensador. É um desafio criar algo lindo e que causa desejo.
Muitas marcas, aqui e fora, estão usando peles em suas coleções. Quais os recursos hoje para fazer peles cada vez mais parecidas com as verdadeiras?
Stella: Há milhões deles. Você pode simplesmente usar pele falsa, que está disponível no mercado, mas eu acabo usando muitas outras técnicas, como tear ou tricô, que você escova e trabalha em cima. Há muitos processos manuais interessantes que podem simular todo aquele volume. Você pode cortar em camadas, compactar, desfiar. Há muitas formas de criar efeitos lindos, mas infelizmente essas técnicas ainda encarecem o valor final das roupas. De qualquer forma é muito mais gentil ao meio-ambiente.
E a internet... Você usa muito essa ferramenta em seu dia-a-dia?
Stella: A gente tem Twitter e Facebook da empresa. Também temos um aplicativo onde colocamos filmes, as linhas infantil e de lingerie e uma história legal de óculos rolando agora. O site está passando por uma reformulação, está com e-commerce, mas ainda não funciona no Brasil. Estamos expandindo na Europa primeiro, mas a linha infantil dá para pedir do Brasil. Essas coisas, iPads, iPhones, não me motivam muito. Eu uso muito pouco. Eu não tenho tempo. Entro no Skype quando estou fora, daqui a pouco vou falar com meus filhos pelo Skype, e navego na internet quando tenho um segundo. Eu não trabalho com computador, uso lápis e papel, sou à moda antiga, ainda amo livros e gosto de tocar as coisas. Mas claro que a internet é um recurso maravilhoso. Nós trabalhamos com várias atrizes, e quando estamos fazendo um vestido para elas, é bom ter a internet para pesquisar, ver o que elas já vestiram… Tudo isso torna o processo muito mais rápido.
E prá encerrar... Momento atual... Como você está?
Stella: Agora? Um pouco cansada. Quer dizer, tenho um bebê de 3 meses… Acordei cedo hoje e agora já é a hora de estar com sono!
Com isso, Stella McCartney se despediu de nós e da cidade, já que vai passar alguns dias em Angra dos Reis. Ela queria mesmo era ir pra Amazônia, mas pelo jeito não foi desta vez. Valeu!
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