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Ao meu pai, com meu respeito
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Ao meu pai, com meu respeito
Tenho visto muita gente nesse mundo encher a boca, gritando alto, ficando brava, só para pedir respeito. Diante do filho, o pai pede respeito; e é ele quem faz cara de mau para estar mais sério ao pedir respeito ao filho.
Eu não sei como explicar, muito menos, como entender. Quem não se dá ao respeito, respeito não pode querer. Mas pai é pai, você bem sabe: quando lhe falta o respeito, ele explode e faz tremer.
Afinal, o que é respeito?, eu pergunto a todo pai. E o meu vem responder, que é a honra que eu lhe dou quando faço a coisa certa; quando o faço me querer mais ou o deixo de boca aberta.
Tenho isso na memória dos meus tempos de criança: ele firme, sorriso largo, estufa o peito e diz: “Este filho aí é meu!”. A medalha na lapela, pela conquista lavrada, era o motivo do riso que ele dava à largada.
Depois passou o tempo, nem diploma valia mais. Meu pai queria mesmo é que eu tivesse meus ideais. Eu os tive e tropecei, caí cem vezes ou mais, nos passos que ensaiei. E depois de muito engano, sem ter meu pai a me sorrir… perdi meu senso de todo e o respeito eu não cumpri.
Certo dia, sem querer, meu pai caiu adoentado. Sem ter nada, em meu fracasso, juntei-me a meu pai no leito em que jazia amargurado. Eu fiz reza e cantoria… dei-lhe zelo e alegria até seu recuperar.
Quando enfim se levantou, completamente refeito, novamente encheu o peito e para o vento clamou: “Eis aqui, este é meu filho!”
Eu parei, olhando o ar, quis chorar de alegria. E sem saber o que fazia, fui fazendo mais e mais. Virei o mundo do avesso, deixei meu jeito travesso e na vida eu pude mais.
Foi então que eu entendi que respeito é não ter medo é levar ao outro a paz. É aprender, mesmo em segredo, que a vida vale mais.
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