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Amor em Londres é tão raro quanto encontrar aliens

Amor em Londres é tão raro quanto encontrar aliens

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O título de uma notícia que li na Folha de São Paulo online me chamou a atenção: “Amor em Londres é tão raro quanto encontrar aliens, indica cálculo". Parei para ler, claro. Pensei logo nas aventuras da heroína Bridget Jones. Começava dizendo que romances podem acontecer diariamente, mas encontrar um verdadeiro amor em Londres é tão raro quanto alienígenas na galáxia, segundo o economista londrino Peter Backus, 31, professor da Universidade de Warwick. Ele calculou que suas chances de encontrar um amor na capital inglesa, usando a equação Drake, que é aplicada por cientistas para determinar o número potencial de extraterrestres na nossa galáxia, é de apenas 0,00034%. Ô, dó! Pediu pouquíssimos requisitos básicos: apenas que ela fosse uma mulher radicada em Londres, com idade entre 24 e 34 anos e formação universitária. Estimou que se sentiria fisicamente atraído por apenas 5% das mulheres com todos estes critérios, ou seja, 26 mulheres somente, com quem poderia ter uma relação excelente. Qual a chance de cruzar sem querer com uma assim na balada ou num pub? Uma em 285 mil chances. Very sad, fellow. Há por volta de 10,5 mil mulheres no Reino Unido que preenchem todos os critérios de Backus, disse ele, e há por volta de 10 mil civilizações com potencial de comunicação que podem existir na Via Láctea, de acordo com a equação Drake.

Dá para pensar, não? Quem seria seu par ideal? Faça uma lista de 10 qualidades indispensáveis no seu provável amor. Depois uma pequena lista de 10 defeitos imperdoáveis. Leve o tempo que quiser pensando. Agora, tenho uma grande revelação para você. Vou escrever em letras maiúsculas e você faça de conta que estou gritando pertinho do seu ouvidinho: ESSA PESSOA, DESSE JEITINHO, NÃO EXISTE! Pois é. Sinto informar. Não há ninguém exatamente assim nesses 6,7 bilhões de pessoas no mundo. Se existisse, qual seria a chance dessa criatura estar na mesma cidade que você, disponível para um relacionamento (não casado, enrolado, encoleirado) e procurando alguém?

De férias em Sampa no aconchego de meus pais, Mamis me confessou hoje durante o desjejum que Papis não fazia o tipo dela quando o conheceu. Era baixinho demais além de 16 anos mais velho. Mas ela não contava com a persistência do coroa desfavorecido verticalmente. Após quinhentos nãos de Mamis, deu um tempo de seis meses de folga e voltou à carga total. Faz quase 50 anos que estão juntos. 4 filhos, 3 netos por enquanto.

O que faz com que um relacionamento tenha mais chances de dar certo? Antes, acreditava que fosse mais elementos em comum na forma de pensar, de agir, preferências. Ou química, liga, pele. Agora, penso diferente. Tem que ser duas criaturas dispostas a fazer funcionar. Porque carregar amor-bandido nas costas dá dor na coluna. Tem de ter vontade, amor, amizade, disposição.
Então, se você está a procura da metade da laranja, já errou. Porque cada um tem de ser inteiro por si. E dois inteiros que se encontram, sem relações patológicas complementares. Tipo tímida com extrovertido, garanhão com rejeitada, mãezona com carente, mandão com mandado, agressor com vítima, sabichão com ignorante. Isso só resulta em conflitos permanentes.

Outra coisa, idealizar um tipo e procurar enquadrar o candidato também não vale. Porque a gente pira, né... Maria quer viver a vida num comercial de manteiga na hora do café da manhã com o bonitão sorridente. Zé quer a substituta da mamãe dele: cuida das cuequinhas, da comidinha, mima o marmanjo. Maria e Zé se conhecem. Olha só a ilusão de cada um! Um dia ela acorda, o vê cutucando o umbigo na frente da TV com uma cerveja na mão. Já ele acorda e a vê com a cara cheia de creme, passeando com uma calcinha desbotada e sem elástico de tamanho inversamente proporcional ao bumbum pela casa.

Para dar certo, primeiro tem de saber que nos relacionamos com seres humanos reais, gente de verdade. Não o príncipe dos sonhos idealizados. Tem de dar chance para o baixinho, o alto demais, para o mais velho ou mais novo, o que mora em outra cidade, alguém que pode ser completamente diferente do homem dos sonhos, porque o que vai fazer com que funcione por muitos anos são outros fatores. A vontade de acertar é mais importante. A disposição. O amor que se aprende a sentir. E também a amizade que vai sobrar depois que o fogo estiver brando.

Assim, ao fincar a bandeira em um planeta novo, orgulhe-se da terra conquistada. Sinta-se em casa. Totalmente agasalhada e bem recebida. Compartilhe a companhia de senhores de respeito com toda tranqüilidade e mágica que o momento merece. Preocupe-se menos em conseguir enquadrar o inocente nos seus sonhos de ideal, e mais em domesticar o objeto do seu desejo com muito carinho.
Por mais que poder, dinheiro, mansão em Jurerê tenham conquistado uma ótima posição no ranking dos desejos, o amor ainda lidera com folga. Tudo o que todos querem é amar. Encontrar alguém que faça bater forte o coração e justifique loucuras. Que nos faça entrar em transe, cair de quatro, babar na gravata, cantar alto no carro, querer ter filhos - que são loucuras que se cometem no auge da paixão. Depois que acaba esta paixão retumbante, sobra o que? O amor. Mas não o amor mistificado, que muitos julgam ter o poder de fazer levitar. O que sobra é o amor que todos conhecemos, o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filho, amigos, ex-namorados. É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo e planos em comum. Li certa vez que não existem vários tipos de amor, assim como não existem dois tipos de saudades, três de ódio, quatro espécies de mágoa. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge, amigos ou a Deus. A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, então a sedução tem de ser ininterrupta. Que nem numa fazenda, todo dia quando acordar tem de fazer tudo de novo. Viver feliz para sempre não rola só em contos de fadas. Tem que investir e trabalhar para dar certo. O que faz com que um casal fique junto é mais do que, essencialmente, amar. Beijos!

 

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2 Comentários

  • 30 de Setembro de 2010 | 14:46

    P. S.

    Excelente, digo o mesmo para Balneário Camboriú. Risos

  • 30 de Setembro de 2010 | 09:52

    Luciano Baumgardt

    Adorei!!!

    Você é realmente Bárbara.

    Bj

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Barbara Reiter<br />Balneário Camboriú

Estilo Único

29/09/2010 | 14:56

Por:

Barbara Reiter
Balneário Camboriú

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