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Vida: um balaio de escolhas
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Cada passo do caminho é uma escolha; cada escolha, um ponto de partida; cada partida, uma perspectiva de chegada. A questão é: você sabe aonde quer chegar?
Éramos crianças e tínhamos os passos trôpegos, “sofrivolentos” (uma mistura de sofrível com lento), mas quanta alegria nos dava poder caminhar sobre os dois pés, como nossos pais. Conhecer a mão segura do pai ali na frente, para onde podíamos nos dirigir e nos entregar sem medo de cair. Era a própria certeza do caminhar.
Crescemos um pouco. Correr passou a ser nossa alegria, correr atrás do irmão, do amigo; correr da mãe para se esconder e ela poder vir nos achar; correr do pai contrariado para dele não apanhar… correr era uma brincadeira, uma festa, não importava onde fôssemos parar.
Crescemos mais um tanto, e percebemos que andar não era mais uma festa e correr tinha um significado próprio, nem sempre positivo. A mente entrava em atividade querendo, agora, comandar os nossos passos. Não fazia mais sentido caminhar por caminhar, e a mão do pai não era mais a mão segura ali na frente, pois dele vinha uma voz firme e retumbante indicando, apenas, onde não deveríamos ir.
Chegara a vez das escolhas próprias e… santo destino! Nada ou tudo à frente, muita gente pra palpitar, ninguém pra nos ensinar a ver. Afinal, quem ou que nos ensina a escolher?
Os instintos não ensinam, eles comandam ações e reações de um ponto independente do cérebro, não dependem da razão para indicar caminhos; e funcionariam muito bem, sozinhos, caso nós não fôssemos dotados desta peculiar capacidade de pensar.
Os impulsos não nos ensinam, tampouco. Antes disto, eles nos comprometem. São como cavalos selvagens em disparada pelos campos hormonais que geram comportamento, revelando o que ainda não conhecíamos: nossa índole. Seguir seus passos quase sempre nos conduz ao erro; e quem gosta de errar?
Ah, sim, o erro ensina. Mas dói. Dói muito, sobretudo, quando nos tira a liberdade de ir e vir, o conforto de podermos dizer e fazer o que quisermos.
O acerto? Ah, o acerto. Esta não serve muito para o aprendizado humano; somos muito preguiçosos e rebeldes no pensar para nos valermos dos acertos, nossos ou alheios, para aprender. O acerto não cria desafios, não instiga nosso potencial, e, às vezes, ainda insufla nossos egos, que são crianças arteiras e sem limite para anda. Não, acertar não nos ensina, apenas mostra o que aprendemos ou que somos obedientes a qualquer um que nos tenha mandado fazer o certo.
Sem dúvida, entre o acerto e o erro, quem mais nos ensina a fazer escolhas é meso o erro. Mas isto é uma coisa certa?
Se o justo da vida for o erro, que medida nós teremos para construirmos um mundo melhor?
O que nos motiva para a vida é o sonho, o ideal, cujo alcance vai depender de como o construirmos. Planejar o caminho, antecipar as escolhas e munir-se de perseverança são medidas certas para alcançar um sonho. Aliar moral ao ideal nos garante uma trilha de acertos.
Isto, sem dúvida, nos obriga a pensar. Então, pensar, apesar da preguiça e da rebeldia, é o único caminho possível para nos tirar do estado animalesco de viver por instinto.
O ideal é, ao mesmo tempo, ponto de partida e de chegada. É o élan que nos motiva e a conquista que nos vivifica. E apenas o pensar nos permite essa aventura. O pensar constante, antevivendo os passos, eliminando os erros, positivando a conquista.
Sem o pensar profundo do ser humano, a vida não passa de um balaio de escolhas que nos levam com dor à roda das consequências. É o pensar que nos tira do impasse adolescente e nos conduz ao mundo do discernimento, onde os melhores sonhos se deleitam construindo vitórias sobre o corpo animal dos instintos. É o que faz a diferença entre conduzir a vida e deixar a vida nos levar.
Então, se você ainda não sabe aonde quer chegar, pelo menos, comece a pensar no que quer ser.
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São Paulo
Lucia Roberta Mello é uma pernambucana que mora na cidade de São Paulo desde a juventude...
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