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Palavras que ferem
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As palavras que proferimos, diariamente, podem ser mensageiras de alegrias, tristezas, conquistas, decepções, dores, amores, etc, podem, principalmente, curar ou ferir. É sobre essas últimas que quero falar um pouco. As palavras que ferem.
Algumas palavras ficam impregnadas na memória e são difíceis de serem esquecidas. São palavras que acusam, humilham, culpam, julgam, criticam, etc, e por falar em críticas, eu, particularmente, não gosto da expressão “críticas construtivas”. No meu entender e pela experiência diária com pessoas que sofrem excessivamente com críticas gratuitas, com palavras que machucam, penso que “críticas são críticas”, e não tem como chamá-las de construtivas.
Se algo é construtivo não deveria então ser chamado de crítica. Tais situações poderiam ser denominadas: orientação, aconselhamento, etc, e ainda assim se fossem palavras dirigidas com muito carinho, atenção, compreensão, respeito e empatia. Falando nisso, penso que se aprendêssemos a nos colocar no lugar do outro (empatia), escolheríamos melhor nossas palavras e consequentemente, o mundo poderia ser bem melhor.
Algumas palavras e a forma como são colocadas podem causar grande destruição emocional, feridas que ficam abertas e que doem, muitas vezes muito mais do que feridas físicas. Atualmente, criticamos uns aos outros nos relacionamentos afetivos, no trabalho, na família, nas amizades, etc.
Certa vez ouvi de um palestrante que críticas são como pedras que nos atiram ou que atiramos. E o mais interessante é que independe do tamanho da pedra para o tamanho do machucado que fará. Depende do que “ela” (pedra=crítica), representa para cada um de nós, intimamente.
Se pensamos que “uma pequena pedrinha” (crítica) não fará mal algum, precisamos refletir um pouco juntos. Não conhecemos profundamente nem a nós mesmos. Como podemos esperar que saibamos o que se passa no interior de cada pessoa? Suas expectativas, frustrações, decepções, complexos, traumas, etc. Tenho certeza de que todos nós já fomos feridos através das palavras.
Podemos, então, tomar mais cuidado com a manifestação de nosso ponto de vista, nossos julgamentos, nossas pequenas observações que podem “acertar” exatamente na “ferida aberta” da outra pessoa.
Podemos estar ferindo, profundamente, a auto-estima de alguém quando falamos sobre seu peso, sua altura, seus cabelos (ou a falta de), seu companheiro (ou a falta de), seus filhos (ou a falta de), seu trabalho (ou a falta de), suas fragilidades emocionais, etc... Você não tem um “ponto fraco”? Todos nós temos! Precisamos tomar mais cuidado com os possíveis “pontos fracos” de outras pessoas.
Muitas vezes, sabemos , exatamente, o que fere a outra pessoa e escolhemos as palavras , especialmente, para ferí-la.
Às vezes, não sabemos que nossas palavras têm o poder de causar tanto sofrimento; mas ao dizê-las, percebemos que assim fizeram. E , outras vezes, sequer tomamos consciência do mal que fizemos.
Quando criticamos, estamos vendo as pessoas, à partir de nossa perspectiva. Nos irritamos com suas atitudes. Mas e nossos comportamentos? Nossa forma de ser? Não incomoda ninguém? Com certeza, sim.
Enfatizo, repetidamente, que precisamos aprender a nos colocar no lugar do outro e enxergar que ninguém gosta de ter seu “ponto fraco” exposto ou “cutucado”. É claro que não sabemos o que chateia ou fere todos os seres do planeta. Mas as pessoas que convivem conosco, dia-a-dia, já conhecemos um pouquinho, a ponto de podermos refletir se nossas palavras as machucam ou não.
Podemos dialogar , evitando as chamadas “críticas construtivas”. Lembrando que só sai de nossa boca o que temos por dentro. Pode ser fel ou mel.
Quando somos muito críticos com os outros, geralmente, também somos muito auto-críticos. Às vezes as palavras que ferem, são elaboradas internamente, contra nós mesmos, através de nossos pensamentos.
Ficamos com a auto-estima cada vez mais abalada, com complexos cada vez mais enraizados. A crítica acaba exercendo papel altamente destrutivo. Destrói emoções, sonhos, crenças, esperanças...relacionamentos, famílias...
“Se não temos nada de bom a dizer, melhor ficarmos calados” (antigo dito popular).
Precisamos tomar mais cuidado com as palavras que dirigimos às outras pessoas, e também, com os pensamentos auto-críticos que dirigimos a nós mesmos. Podemos estar ferindo ou reabrindo feridas emocionais , e causando muito sofrimento.
Podemos escolher outro caminho: o elogio. Pense nisso: erramos e acertamos. Que tal, escolhermos elogiar os acertos, os pontos fortes? Estimulando o positivo, os relacionamentos podem ficar muito mais agradáveis e produtivos.
Até a próxima.
Adriana Roveroni
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