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Onde está o discernimento?
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Eu vivo numa sociedade que não sei classificar. Houve tempo em que dizíamos “estamos vivendo o militarismo”, e tudo em torno disso era organizado dentro dos preceitos ditatoriais militares. Era ruim, mas havia certa ordem pela qual nos guiávamos com segurança. Era possível planejar, atingir metas e progredir na vida, social e financeiramente falando. A família era reconhecidamente a base da sociedade e havia valores patrióticos nos quais a cidadania tinha lugar de destaque. Sabíamos discernir o certo do errado muito mais facilmente que hoje, pois o tempo todo havia quem nos dissesse “isso é certo” ou “isso é errado”. O senso de propriedade era imperioso e as pessoas não se desvirtuavam senão na loucura.
O que havia de ruim naquele tempo, então? A privação da liberdade de comunicação. O outro, o poder governamental era quem dizia em que eu podia ou não pensar, fazer, desejar. E isto, sem dúvida, é uma das piores formas de violência.
Os movimentos libertários como o hippie, dos anos sessenta, cravaram um punhal na manobra de massificação. Pioneiros se levantaram aqui e ali para gritarem sua liberdade dizendo não a toda injustiça, a toda castração, a toda imposição. Todavia, o mal da desordem reinou por ali e deste seio nasceu não uma liberdade natural, mas uma espécie de anarquia amoral através da qual o “faça o que tu queres, pois é tudo da Lei” (de Aleister Crowley em seu “O Livro da Lei”), tornou-se a nova ordem mundial, destronando o moral e os bons costumes.
A falsa liberdade se tornou libertinagem e no mundo grassou a corrupção. O capitalismo se alastrou e por fim deu lugar ao consumismo desmedido, de modo que as pessoas se tornaram escravas do seu desejo e este, por sua vez, escravo da temporariedade... Um caminho para a destruição acelerada do mundo em que vivemos.
Vejo o percurso, o caminho, mas não a causa clara. E fato é que, senhoras e senhores, não há mais discernimento sobre coisa alguma. De que maneira a senhora ou o senhor poderia se referir aos nossos tempos atuais?
A maioria das pessoas diz: “Era dos corruptos!”. E eu me lembro, aqui, das palavras sábias da Bíblia em Provérbios 21:23: “O que guarda a sua boca e a sua língua guarda a sua alma das angústias”, ou em Mateus 12:34: “A boca fala do que o coração está cheio”.
Estamos o tempo todo fazendo história, mas a maneira como aprendemos a discernir os eventos do mundo e suas naturezas é o modo como a escreveremos logo mais e, por consequência, como ficaremos conhecidos no futuro.
As leis de igualdade, nascidas da corrupção, defendem minorias frágeis de maneira tão mais pênsil e insegura que ofende e prejudica o renascimento do moral. Não se fala mais em respeito à humanidade, mas respeito ao homossexual, ao negro, ao pobre, ao ignorante...
A fome grassa em diversos países africanos enquanto suntuosos banquetes, a exemplo dos tempos dos reis são servidos para se discutir a miséria extrema. Acaso a coerência e o equilíbrio são virtudes destinadas somente a um deus? Não! Ao ser humano são dados os talentos para que ele os multiplique, e nada fora de nós mesmos há de fazer por nós o que é de nossa responsabilidade operar.
A violência se tornou a nova praga mundial, e com ela o consumismo desmedido, a impunidade e a injustiça. E leis e mais leis se criam em nome do bem-estar da sociedade. Ora, pois, que bem-estar se pode produzir no excesso ou na escassez?
Acaso já se é possível tomar a parte pelo todo? Não! O todo, na lei de sinergia, é maior que a soma de suas partes, mas quais os olhos o veem? Erro de discernimento que ofusca a visão e denigre a sociedade através de uma percepção estreita e equivocada da “realidade” em que vivemos.
Precisamos, em caráter de urgência, resgatar nossos valores mais nobres a fim de sabermos até mesmo quem somos e qual história nós estamos construindo. O ponto do equilíbrio não se pode jamais encontrar tomando-se medidas extremistas. Pois que o homem e a mulher caminham olhando para o chão, mas contendo um véu de mistérios sobre suas cabeças, para onde é só verter a cabeça para cima para começar a descortiná-lo.
“Olhos de ver e ouvidos de ouvir”... Não precisamos de religiões que nos digam, basta que meditemos nos sábios a quem admiramos com ardor de alma. “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração está seu coração”.
Coloquemos, pois, a simplicidade em nossos corações, esta simplicidade que faz com que apenas desejemos nos agasalhar no frio, comermos na fome, gritarmos no susto e perguntarmos quando não sabemos. Só com uma visão simples de mundo poderemos discernir o que estamos de há muito destruindo em nosso mundo: a natureza do planeta e a sapiência da espécie.
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