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Aparências, nada mais?
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Dilema já conhecido o “Ser”e o “Ter”já geraram e ainda geram muitas distorções de valores.
Muito se discute ou se discursa sobre a inversão de valores do mundo “moderno”, onde o “Ter” é mais valorizado que o “Ser”. Os filhos ficam com vergonha de seus pais, quando um amiguinho da escola tem um carro ou uma casa “melhor”. E é ainda mais complicado, quando o amiguinho reforça isso com frases e atitudes de: “eu tenho, eu tenho, eu tenho, OU “eu posso, eu posso, eu posso”. (detalhe: muitas vezes, estimulados por seus pais)
Estamos falando de crianças inocentes? Certo? Talvez. Depende a idade e a maturidade intelectual/emocional. Porém, o que vemos no dia a dia são jovens e/ou adultos valorizando extremamente o “ter” e praticamente esquecendo-se e/ou deixando de lado o “ser”.
A situação fica ainda pior quando percebemos que “o mundo”(ou seja, as pessoas) de forma geral supervaloriza o “ter”, “ter, “ter”...
Chegamos até a nos questionar: “Vale a pena “SER”? Ou seja, questionamos valores intrínsecos ao SER, como: ética, caráter, compaixão, solidariedade, humildade, amor, etc e etc...
Creio que você que está lendo este texto em algum momento já se questionou: “Vale a pena “SER”....”? Desta forma, o “TER” e sua valorização extrema vem dominando e se tornando algo “natural”. “Ter” a melhor casa, o melhor carro, o melhor brinquedo, e assim por diante.
Muito cedo, a criança percebe que “ter” a coloca em situação diferenciada (infelizmente). Enquanto vai crescendo, tal idéia vai se fixando e forma um adulto extremamente materialista e individualista, pois, ao deixar o “SER”de lado, perde-se a referência de valores importantíssimos para a convivência social (em grupos pequenos como a família ou maiores como a cidade em que vive, e finalmente, reflete no mundo).
Ok! Realmente tudo isso já tem sido muito discutido, relatado, colocado para reflexão. “Ter” ou “Ser”? Porém, trabalhando com o comportamento humano e também com a comunicação e o entretenimento, pude observar que uma outra questão tem se evidenciado: o “PARECER”!
Já percebeu isso? Como o “Ser” fica esquecido e o “Ter” fica cada vez mais difícil, resta ao “Ser Humano” uma outra alternativa: “PARECER”. “Parecer SER”ou “Parecer TER”.
As aparências é que estão com a cotação em alta. Basta “parecer” SER ou “parecer” TER. Por exemplo, basta que um grupo considerável reconheça que uma pessoa “pareça SER” idônea, honesta, realizada, bem sucedida, etc.”.. para que esta pessoa passe a usufruir de tal “status”.
“Status”! O que é “isso”afinal? Deriva do latim “statuo quo” . Statu quo é uma redução da expressão latina [in] statu quo [ante], que significa, literalmente, “no mesmo estado em que se encontrava antes”. Diz o dicionário Aurélio que a forma “status quo”seria preferível a “statu quo”. Os dicionários ingleses, também defendem a mesma teoria. Tradução de status em Inglês: condition, position, rank.
Na expressão latina completa – in statu quo ante – a palavra status (em Latim, “o estado”) não aparece no nominativo. Teríamos status se a palavra fosse o sujeito , e não o adjunto adverbial, como na expressão statu quo. Status, usado isoladamente, na linguagem coloquial, tem o significa : situação, estado ou condição ou grau elevado de distinção e prestígio social.
Após as devidas definições sobre “Status”, voltemos a nossa questão central: PARECER. Atualmente, basta PARECER ter determinada situação ou condição. Basta PARECER ser algo na sociedade. Basta PARECER ter elevado prestígio social, que esta “APARÊNCIA” é “comprada” pelos demais e a pessoa em questão passa a gozar dos benefícios (status) que, realmente, teria direito, alguém que tivesse ou fosse algo que ela apenas “PARECE” SER.
Complicado? Não. Infelizmente, não! Muito simples: vivemos longe dos valores do “SER”, e até nos distanciamos do valor exacerbado do “TER” (até porque , atualmente, poucos, raros...realmente “TEM” OU “É”).
Vivemos na era das “APARÊNCIAS”! E isso gera um efeito dominó; no meu ver, catastrófico. Como educar nossos filhos diante destes valores , completamente, distorcidos? Ensinamos a amar o próximo... e ele vê na escola, nas ruas: desrespeito total entre as pessoas.
Ensinamos a valorizar a educação , os estudos, para “SER ALGUÉM NA VIDA”... E o que ele vê? Pessoas que “se dão bem” com rolos, com engodos, com enganos, com politicagem. Ensinamos a valorizar as amizades, a respeitar as diferenças... e o que ele vê? Desrespeito, desvalor de comportamentos corretos, desrespeito geral.
Aprendem a “engolir” o real sentimento e manter as “aparências”, para a melhor convivência nos grupos? É fato: vivemos a ERA DAS APARÊNCIAS. DA SUPERVALORIZAÇÃO DA APARÊNCIA. DO “PARECER SER”, DO “PARECER TER”.
Eu, na minha individualidade, espero que possamos, muito breve, VOLTARMOS ÀS RAÍZES DE NOSSOS VALORES. Voltar ao “Ser ou Não Ser , eis a questão, de Shakespeare. Ah... como era bom, filosofar com consistência e propriedade!
Deixo uma questão: Do “Ser”, fomos para o “Ter”, e agora, para o “Parecer”, qual será a próxima “estação”?
Grande beijo
Te espero, aqui, no próximo encontro!
Adriana Roveroni
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1 Comentário
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11 de Dezembro de 2011 | 13:19
Thelma Eliza Ferreria Gregori
Querida Adriana,um texto palpitante sobre dois parâmetros de comportamento que ainda confundem muita gente com formação frágil: "TER" ou "SER" ,eis a questão!
O problema de quem só pensa em "TER" é que nunca vai poder exercer com liberdade a felicidade de "SER" ,com originalidade.
Terão que "SER" como os que "TEM"...é aquele lance de viver de aparências,terrível não ?
Ninguém pode viver eternamente como não é:um dia a máscara cai e a personagem se cansa.
Acredito que ser livre para "SER" não tem preço,sem as amarras de ser apenas "fachada".
A outra questão do "SER", é "TER" aquele ser de valor inestimável pelas qualidades humanas que fazem a diferença na humanidade e geram o verdadeiro respeito e credibilidade.
"SER" para consequentemente "TER" pode ser natural,mas "TER" por si só é uma grande "roubada"!
Gosto e admiro os que apenas "SÃO" porque tem muito mais do que os que apenas "TEM".
Mas nada impede "SER" e "TER",desde que não sejam invertidas as prioridades.
Obrigada por nos elucidar em tantos aspectos.
Beijo
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