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São Paulo puxa o freio
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No lugar das placas de 70 e 80 km por hora, as avenidas do eixo norte do corredor Norte-Sul de São Paulo agora têm em seus indicadores de velocidade o número 60, deixando a região que vai desde o viaduto do Anhangabaú até a Dumont Villares mais lenta. A medida, entrada em vigor no dia 18 de maio de 2011, segundo a CET, deverá abranger mais regiões da capital até o final do ano, e visa à redução em pelo menos 20% dos acidentes de trânsito.
Como moradora da Z/N, sinto-me constrangida em abordar o fato, tendo em vista que os problemas da região não se restringem ao limite de velocidade de suas avenidas e sequer estão relacionados a isto, mas sim, a fatores diversos que deveriam ser levados em conta, tais: o aumento indiscriminado de edifícios residenciais e comerciais na região, a falta de policiamento adequado, sobretudo, naquelas avenidas como a Dumont Villares, que servem de pista de racha para corredores amadores à noite e nos finais de semana, e uma generalizada falta de amor à vida que se flagra no comportamento em geral da região, onde a cada dia crescem os índices de criminalidade e contravenção juvenis.
O problema, obviamente, não é tão regional assim. Há muito tempo temos sofrido, em todos os bairros da capital, as consequências de um crescimento desorganizado e incontrolável, onde a falta de fiscalização não chega aos pés dos efeitos causados por corrupção e péssimo planejamento. A falta de comunicação entre setores diretamente envolvidos com o aumento populacional por bairro indica o grande problema que nós temos na área de urbanismo.
Só para ter a noção, saiba que a cada edifício de 25 andares, com 4 apartamentos por andar, faz crescer o trânsito diário em 1 quilômetro. Isto, sem contar com a perturbação na rede elétrica, que não se prepara para aumentos semelhantes, tampouco o sistema de água e esgoto. Imagine, agora, o aumento de 5, 6 edifícios como este em apenas um quarteirão, de uma só vez! Mas isso tem ocorrido à larga na cidade. Na Zona Norte, porque vejo, eu posso afirmar com certeza, mas isso é lugar comum em todos os quadrantes da nossa querida São Paulo.
É assim que somos obrigados a puxar o freio em nossas vidas. Porém, não nos deixam de cobrar, em nossos trabalhos, resultados produtivos. Isso, aparentemente, é o que causa uma dicotomia ainda mais estressante em nossas vidas: não podemos nos atrasar, não podemos estar cansados para desempenharmos bem as nossas funções produtivas e também temos de estar bem, ao retorno para casa, para que os nossos filhos não sofram com as nossas possíveis alterações de humor, desgaste físico e emocional etc.
Do lado da cidade, a questão é: São Paulo está pronta para puxar o freio de vez ou, para evitar isso, redirecionará a questão das responsabilidades em torno da produtividade para nós, os trabalhadores?
Pode parecer pouco ou até nada, mas a questão da diminuição de velocidade nas vias principais não cumpre com o seu objetivo de redução de acidentes, já que o maior problema disto está na falta de educação do povo e de seus problemas com alcoolismo, dependência química e imprudência, de um lado, e da corrupção e falta de planejamento, de outro, são problemas mais relevantes e comuns. Além disso, ela causa, ainda, tantos problemas a mais para o indivíduo trabalhador que, fatalmente, isso se refletirá em áreas ainda mais complicadas, como o do atendimento público à saúde. Sem falar no desperdício de energia e de dinheiro, que só mais tarde será percebido.
O jeito, senhores e senhoras, é nos unirmos inteligentemente para encontramos, em conjunto com os órgãos competentes, notadamente, com a Prefeitura, não só a raiz principal do problema, mas também as suas soluções plausíveis. No mínimo, devemos requerer um planejamento integrado a todos os setores, e não medidas isoladas que atendam a um único fator complicando aos demais.
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