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Entrevista com o médico José Otávio Teixeira - Hérnia de Disco
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Dr. José Otávio Correard Teixeira, integrante do Hospital das Clínicas de São Paulo, o maior do país segundo uma matéria da revista Veja, pela implantação de um cotovelo, Dr. José Otávio nos dá uma entrevista exclusiva sobre a cirurgia da Hérnia de Disco com técnica minimamente invasiva.
Pergunta: Jamile Zaguir - Dr. José Otávio, fale-nos de sua trajetória após formar-se.
Resposta: Dr. José Otávio - Após concluir o curso de Medicina pela USP, fui aperfeiçoar-me na Europa, onde estudei na Universidade de Louvain (uma Universidade européia criada em 1425).
Lá, validei meu diploma para a comunidade européia além de seguir residência médica em Ortopedia.
Com forte tradição em pesquisa, tendo um prêmio Nobel como chefe do departamento de biologia molecular, não pude deixar de aproveitar a magnífica capital de Louvain desenvolvendo pesquisas na área de criobiologia, aplicada aos transplantes.
Após o período de residência e motivado pela evolução de minhas pesquisas, transferi-me a convite, para a UCLA, onde segui meus estudos de biologia molecular e diferenciação de células tronco (há 20 anos atrás), ao mesmo tempo em que me aperfeiçoava como fellow em cirurgia da coluna vertebral.
Pergunta: Jamile Zaguir - Retornando ao Brasil?
Resposta: Dr. José Otávio - Retornando ao Brasil, montei o Banco de Tecidos do Hospital das Clinicas em São Paulo (o primeiro do Brasil), sendo precursor dos transplantes musculoesqueléticos 
(Entrevista da Veja)
Enquanto testa os movimentos do motorista Enildo Candido Alves, de 49 anos, o ortopedista José Otávio Correard Teixeira fala rápido. Ele tem muito o que contar. Teixeira adornou seu currículo com um feito invejável. Realizou um bem-sucedido transplante de cotovelo no motorista. Há mais de um ano, Enildo sofreu um acidente de carro e chegou ao hospital sem sentidos. Por causa do impacto da batida, perdeu 35 centímetros do braço. A mão ficou ligada ao ombro por uma maçaroca de carne, nervos, pele e osso esmagados. A porção implantada entre o pouco que restou veio de um cadáver. Ela só pôde ser utilizada porque foi armazenada em condições especiais no banco de tecidos desenvolvido pelo doutor Teixeira, no Hospital das Clínicas, há quatro anos. Se for congelada pelo processo tradicional, a cartilagem existente entre os ossos morre. Isso acontece porque o frio intenso provoca um desequilíbrio químico da estrutura de suas células, mas o médico desenvolveu um programa de computador que realiza um congelamento especial, que alterna períodos de frio e calor. Isso é fundamental para manter a cartilagem viva.
Os transplantados habituais correm risco de vida e são obrigados a tomar drogas pelo resto da vida. São elas que tentam inibir a rejeição. Com Enildo é diferente. Os ossos do cotovelo que ele recebeu estão mortos — serão substituídos lentamente pelas células do seu próprio organismo. A cartilagem do doador, porém, está viva, mas fica coberta por um gel protéico que a isola do sangue do receptor. É uma interessante propriedade natural da cartilagem, que, como que coberta por uma camada de papel celofane, não entra em contato com o sangue. Isso evita que o processo de rejeição seja deflagrado. Enildo já movimenta os dedos da mão, com exceção do polegar, e dobra o braço até a altura do umbigo. Uma nova cirurgia deverá devolver-lhe os movimentos por completo até o final do ano.
Pergunta: Jamile Zaguir - E sobre sua atuação no Incor?
Resposta: Dr. José Otávio - Depois de mais de uma centena de pacientes servidos, fui convidado pelo INCOR, onde organizei o Banco de Valvas Cardíacas, inédito em São Paulo. Ali permaneci por 9 anos criando o Banco do zero e o deixando após mais de 200 criopreservações.
O espírito de busca a inovação nunca me deixou e no campo da medicina aplicada, sempre estou em busca das soluções mais eficazes e de menor risco para o paciente.
Pergunta: Jamile Zaguir - Hoje o senhor dedica-se exclusivamente à Hérnia de disco, podemos falar a respeito?
Resposta: Dr. José Otávio - Claro! Hérnia de disco é uma lesão na parede de revestimento do disco intervertebral, que enfraquecida permite que o conteúdo do disco fique saliente (fora de seus limites normais) fazendo pressão sobre outras estruturas da coluna, notadamente nervos da medula espinal. Isto causa dores, formigamentos e até perda de força nas pernas.
A hérnia de disco é causa de dor nas costas acometendo indivíduos notadamente após 40 anos.
Ela pode ser de baixa intensidade. Mas também pode ser de forte intensidade com irradiação para glúteos, coxa e perna.
Pergunta: Jamile Zaguir - Há remédios?
Resposta: Dr. José Otávio - Como se trata de uma lesão anatômica, isto é, alguma coisa saiu do seu lugar e está ocupando o espaço de outra, Não existe tratamento com remédio que resolva o problema. Se eu tiver um prego no meu sapato, eu posso tomar remédio analgésico e calçar o sapato. Sentirei pouca ou nenhuma dor. Porém, a menos que eu remova o prego, o problema não deixará de existir, às vezes doendo mais, às vezes doendo menos.
Pergunta: Jamile Zaguir - Então, só cirurgia?
Resposta: Dr. José Otávio - Assim, as Hérnias de Disco sintomáticas terminam em tratamento cirúrgico, que antigamente se fazia por cirurgia de grande porte, nas quais se abria uma larga incisão nas costas, cortando músculos e fáscias, ligamentos e ossos, além de mover nervos delicados, até alcançar a hérnia, que então era removida, exigindo depois longa recuperação, com todas as deficiências geradas pelos cortes nos músculos, ligamentos, etc.
Pergunta: Jamile Zaguir - E hoje?
Resposta: Dr. José Otávio - Hoje, fazemos a técnica minimamente invasiva endoscópica: trabalhando com o paciente sob anestesia local, introduzimos uma sonda de diâmetro menor que uma caneta “bic” por entre as fibras musculares até o local da Hérnia Discal, sem cortar músculo, ligamentos, osso, e sem mobilizar nervos.
Uma vez lá, através de uma câmera de vídeo e de pequenos instrumentos, que incluem pinças, pinças cortantes a até laser, realizamos a remoção e reparo da hérnia.
Depois é fechado o curativo com um band aid e o paciente pode ir para casa.
Quando bem utilizada, no momento correto, remove totalmente a dor, sem destruir o disco intervertebral, que permanece com a sua importantíssima missão de amortecedor da coluna, sem remover ossos o ligamentos, que dão firmeza a coluna e sem causar desnervação muscular. Em outras palavras mantém a coluna com sua fisiologia normal.
Pergunta: Jamile Zaguir - Quem pode se submeter a esta operação?
Resposta: Dr. José Otávio - Qualquer pessoa com dor lombar de origem discal, e ciática por hérnia discal.
Pergunta: Jamile Zaguir - Qual a anestesia?
Resposta: Dr. José Otávio - Anestesia local. O risco anestésico é o de uma anestesia local.
Pergunta: Jamile Zaguir - Quanto tempo de hospitalização?
Resposta: Dr. José Otávio - Nos EUA, o paciente recebe alta 2 horas após a operação. Aqui, nós internamos por 24 horas.
Pergunta: Jamile Zaguir - O paciente sai andando, como chegou?
Resposta: Dr. José Otávio - Nos EUA, retornam ao trabalho imediatamente. Aqui, eu recomendo repouso de dez dias.
Pergunta: Jamile Zaguir - Por que?
Resposta: Dr. José Otávio - O latino é mais sensível.
Pergunta: Jamile Zaguir - Quais os riscos?
Resposta: Dr. José Otávio - São como os riscos de qualquer cirurgia, só que extremamente reduzidos, já que é cirurgia minimamente invasiva.
Assim, o risco de infecção é proporcional a uma cirurgia com incisão menor do que 1cm e duração menor do que 1 hora.
E a operação não envolve manipulação de nervos.
Pergunta: Jamile Zaguir - Obrigada Dr. José Otávio, pela oportunidade de levar aos nossos leitores informação com este tema tão atual como a Hérnia de Disco e com um profissional sério e competente como o senhor. Agora o mais importante, precisando, onde o encontramos?
Resposta: Dr. José Otávio - R. Sergipe 441 cj 71, São Paulo- SP
Tel: 11- 36673522
Dr. Jose Otavio Correard Teixeira
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3 Comentários
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06 de Março de 2011 | 10:40
maria josé gonçalves dos santos
sou estudante de fisioterapaia,estou atualmente fora da academia e não voltei a academia ainda por condições financeiras,mas não desisti dos meus sonhos.trabalho a 12 como técnica em terapeuta ocupacional ,quiropraquisista,massoterapeuta ,e pesquiso muito sobre coluina ,principalmente hérnia de disco , é a area que meis atendo.futuramente minha manografia será sobre hérnia de disco,e espero contar com o senhor para ajudar-me nas minhas dúvidas que serão muitas.obrigada pela sua copetência e clareza nas colocações.Antenciosamenmte.maria josé
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28 de Novembro de 2010 | 01:03
Fabricio Vicentini
Ola meu nome e Fabricio e vivo nos EUA, Massachusetts. Sofri uma operecao de ernia de disco, ja fazem 4 mese e depoois da cirurgia eu perdi uma perda consideravel da pernadireita, a mesma perna que doia antes de eu operar. Estou fazendo fisioterapia, mas estou perdendo as esperancas, pois nao estou vendo resultados... Por favor, poderia me dizer oque pode estar acontecendo? Muito obrigado. Fabricio.
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19 de Outubro de 2010 | 16:00
M Fatima - SJ Rio Preto/SP
Dr. Otávio - Falou em competência está ai. Já na primeira consulta faz um diagnóstico certeiro, quando vê os resultados dos exames é apenas uma confirmação. Que os novos médicos "formandos" o tenham como modelo e se espelhem em alguém assim, e então teremos uma revolução na área da medicina e pacientes satisfeitos.
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