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Mestre Athayde: vida e obra que encantam os turistas
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Quem visita as cidades de Ouro Preto, Mariana, Congonhas e Santa Bárbara se impressiona com os detalhes e o realismo presente nos forros das igrejas e na pintura das obras presentes nestes monumentos. Apesar de muito citado, pouca gente conhece sobre a história e a obra de Manoel da Costa Athayde, mais conhecido como mestre Athayde.
Nascido em Mariana em 18 de outubro 1762, Athayde era filho de portugueses. Por influência do pai, o militar Luís da Costa Athayde, entrou para a carreira como cabo de esquadra. Passou a sargento e alferes em 1799.
Começou a pintar por volta de 1781. Registros referem-se a obras para o santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo e para a Ordem Terceira do Carmo de Mariana onde realizou obra de encarnação de imagens que consiste na técnica em fazer uma imagem parecer real. Além de pintor e encarnador foi também entalhador e professor.
Imagens da Via Sacra em Congonhas: realidade
Historiadores crêem que tenha recebido influência do pintor mineiro João Batista de Figueiredo, devido a semelhanças entre as técnicas. Documentos da época também fazem referências a Manoel como professor, inclusive indicam que se tornou mestre ao receber do Senado da Câmara de Mariana atestado de professor das “Artes de Arquitetura e Pintura”. Em 1818 tentou sem sucesso fundar a escola de arte de Mariana, chegou em carta a pedir autorização a João VI para criar a Aula de Desenho de Arquitetura Civil e Militar e da Arte da Pintura em sua cidade.
A obra
A atividade de Mestre Athayde abrange douramento, encarnação, pinturas em paredes, pinturas de cavalete (telas), painéis, e pintura decorativa de forros e tetos de igrejas.
Usava como referência ilustrações de Bíblias e catálogos importados da Europa. Fazia a transposição das imagens, simplificava os originais, adequava ao espaço e aos recursos disponíveis.
Uma das características da sua expressão artística era o emprego de cores vivas, principalmente o azul, a sua preferida. Em seus desenhos, os anjos, as madonas e os santos apresentam traços de povos africanos.
Pinturas de Athayde: tons em azul e anjos com traços de povos africanos
É a partir do século 19 que Athayde realiza trabalhos de vulto, como as pinturas do forro da sacristia da igreja da Ordem Terceira de São Francisco, em Mariana, por volta de 1800, pinturas do forro da capela-mor da Igreja Matriz de Santo Antônio (1806), forro da capela-mor da matriz de Santo Antônio, em Itaverava (1811), pintura do forro da capela-mor da igreja de Nossa Senhora do Rosário (1823), e painel Última Ceia, para o Colégio do Caraça, em Santa Bárbara (1828).
Nos tetos de igrejas desenhava colunas, paredes, púlpitos e outros elementos arquitetônicos em perspectiva. A técnica criava a ilusão de profundidade e dava aos fiéis impressão de que havia outro mundo acima.
Até 1818, encarna e doura as imagens de Aleijadinho para o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo.
Segundo a crítica Lélia Coelho Frota, o artista teria utilizado seus quatro filhos como modelos para a confecção dos anjos que adornam os diversos forros e painéis por ele executados e sua esposa para a execução da madona mulata, retratada no forro da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis de Ouro Preto.
Encontro dos maiores expoentes do barroco mineiro
O grande encontro dos dois maiores expoentes da arte brasileira do século 18 em Minas Gerais – Aleijadinho e Mestre Athayde – é a igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto. Obra-prima de gênios, realizada entre 1765 e 1810. Athayde pinta o forro, uma das principais obras da arte sacra brasileira, a Assunção da Virgem. Substitui rosados querubins dos modelos europeus por anjinhos mulatos. E Nossa Senhora tem traços da companheira do pintor, a mulata Maria do Carmo Raimunda da Silva, com quem teve quatro filhos.
Assunção da Virgem: a mais importante obra de Athayde
Oficialmente, morreu solteiro, a 2 de fevereiro de 1830, provavelmente antes de completar 68 anos, pois a certidão de batismo data de outubro de 1762. Foi sepultado na igreja de São Francisco de Assis, em Mariana.
Fonte: Câmara Municipal de Mariana
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