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A química da paixão

A química da paixão

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Chegamos juntos. O olhar de ambos se enterneceu. Cupido entrou em ação: desferiu duas flechadas numa só tarde, que transpassou corações sem aviso. Sinto fogo no meu peito. As faces em brasa. Ele sente o coração acelerar. Suspiros. Gemidos. Aumento de pressão. Descargas de dopamina e endorfina. Euforia sem explicação. Pupilas se dilatam.

Olhamos um para o outro? Nana-nina-não. Olhamos na mesma direção.  Mas uma avalanche de estímulos nos cega para o restante do cenário no estande da YachtBrasil na Tedesco Marina. Eu só tenho olhos para a linda lancha. Ele só vê a Ferrari que está em frente à embarcação. Assim funciona a química inexplicável das paixões.

Minha paixão pelo mar é antiga. Atavismo genético. A vida veio da água. Somos feitos de muita água. Antes de nascer, nadamos no líquido amniótico. Quer acalmar um bebê choroso? Dê um banhozinho nele.



O mar encanta, intriga, atrai, apaixona.

Várias viagens empreendi pelos sete mares. Deitada no conforto do meu quarto. Com o poeta português Camões, fiz planos em naus e embarquei junto com Os Lusíadas “por mares nunca de antes navegados”. Pensei em responder à questão de Fernando Pessoa: “Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal?” Fui companhia observadora por 100 dias ao onanista aventureiro na moderna odisseia de atravessar um oceano ou navegar entre os polos a bordo de um veleiro. Acompanhei as descobertas de Fernando de Magalhães na companhia da família Schurmann. Várias viagens entre oceanos virtuais, imaginárias. Reais? Só passeios nos iates dos amigos em Angra ou na costa catarinense.



Fiz snorkeling e mergulho livre em Labadee, no Haiti. Aprendi mergulho autônomo com os filhos na Ilha Bela. O mundo subaquático é coloridíssimo, calmo, silencioso. Tudo acontece noutro ritmo. Flutuo leve entre seres desconhecidos. Comprei equipamentos, roupas. Preparo-me para a hora de viajar e mergulhar com o meu iate.



No Festival Náutico Tedesco Marina dou de cara com tudo o que mais sonho. Não bastasse a envolvente feira de embarcações, ainda há a loucura do luxo e glamour…

Morando em Balneário Camboriú, em frente a esse marzão verde-esmeralda, estou pensando seriamente em fundar o Movimento dos Sem-Iate e corrigir essa injustiça social… hehehe…

Fotos: (Milton S de Oliveira)

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