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Novela resgata a importância da família
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Após meses em que a trama de Insensato Coração se desenrolou mostrando muita vigarice, crimes hediondos e outros enredos, muitas vezes tão fúteis quanto o ser humano pode ser, o valor da família é arrematado no último capítulo como um apelo necessário para podermos parar e pensar para onde foram os valores e o sentido desta que sempre foi a mais importante instituição social.
Sem aludir à religiosidade cristã, como é a praxe quando se fala em constituir ou respeitar a família, o autor Gilberto Braga converge todo o sentido da novela numa única questão a se refletir: a família.
Nessa convergência, aliás, ele mostrou que o tempo todo o tema central fora este: a busca pelo equilíbrio entre as pessoas e o resgate da família como núcleo de força e equilíbrio social.
Com um sensacionalismo incrédulo, criou toda sorte de vilania, talvez no intuito de retratar as diversas misérias que temos presenciado através da mídia e em nosso entorno: corrupção, exploração, roubo, extorsão, chantagem, disputa pelo poder, assassinato, preconceito, jogos de interesse, falsidade ideológica...
E ainda imitando a vida, enredou tudo isso dentro do palco das famílias que foram se degenerando diante da instabilidade moral e emocional de seus membros para se reajustarem depois a formações mais harmônicas.
Entre outros contextos, foi na ousadia inédita de levar às telinhas o primeiro casamento gay em novelas, o autor mostra que é possível tratar de temas polêmicos de forma realista e mesmo assim conquistar a simpatia do público, uma receita louvável para quem deseja marcar ponto contra a homofobia, tema tão recorrente nos dias de hoje.
Vale a pena tirar algo de útil disso tudo. Que seja, pois, pelo resgate da visão familiar como o núcleo central que sustenta o amor entre os seres humanos. No sentido consanguíneo, fazendo-nos perceber que não é apoiando, encobrindo e errando junto com o ente amado que erra que estaremos honrando o amor familiar; e que a família não serve de apoio para nossas ambições sociais, pois revela relações mais importantes e valorosas as quais devemos nutrir com o nosso melhor.
E no sentido afetivo, que as famílias fraternas se fazem com respeito e amor ainda maiores, desde que sustentadas pela solidariedade. E, finalmente, que para se construir a felicidade numa relação não se pode esperar que o outro mude sua natureza, mas sim, devemos aprender a respeitá-la e nos ajustarmos da melhor forma ao seu convívio.
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