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Record, um novo conceito em telenovelas

Record, um novo conceito em telenovelas

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A Record levou ao ar, na noite de 3 de maio de 2011, o último capítulo de Ribeirão do Tempo. De maneira inteligente e competente – como há muito não se via – suas lições de direção, enredo e interpretação não sufocaram a trama de desfecho da novela, como costuma ocorrer em outras emissoras, cujos capítulos finais aglomeram acontecimentos na base do “tempos depois...”. Até mesmo ao usar o jargão do casamento no último instante, Ribeirão do Tempo, que sempre manteve um ritmo ameno e condizente com a nossa realidade e a própria evolução da obra, deu-se de forma tranquila sem ser previsível, a não ser pelo jocoso Ari Jumento (o magnífico André de Biasi) apreciando a marcha “glacial” enquanto a noiva Cloris Fortunato (Patrycia Travassos) adentrava a igreja.

Muitas lições úteis puderam ser retiradas dali: “o crime não compensa”, como nos casos do professor Milton Flores (Antônio Grassi) e da loiríssima Karina (Juliana Baroni); “o amor prevalece sobre qualquer loucura ou sonho surreal”, como mostrou o ex-prefeito Querêncio (Taumaturgo Ferreira) à dançarina Marisa Miranda (Daniela Galli); “somos ricos não pelo ouro que podemos carregar, mas pela natureza que conseguimos preservar”, como bem nos ensinou Bill (Gilson Moura) ao guardar até o final de sua vida segredo de Ribeirão; “amigo é aquele que diz a verdade quanto necessário”, na verdade revelada por Newton (Rafael Calomeni) a Tito (Ângelo Paes leme); “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”, lição tirada do desfecho de Mateus (Jorge Pontual) flertando com Zuleide (Mariana Hein); “o amor reside nas coisas simples”, tal revelou o casal Joca (Caio Junqueira) e Arminda (Bianca Rinaldi); “o amor vale a pena sempre, mesmo quando requer que renunciemos aos nossos”, que foi o legado de Célia (Mônica Torres) ao deixar a filha presa para viver seu grande amor ao lado de Mr. Briggs (Victor Fasano); “algo maior concilia até mesmo inimigos mortais”, assim como o neto conciliou às tortas o delegado Ajuricaba (Umberto Magnani) e o jornalista Lincon Rocha (Eduardo Lago); “a ignorância não está, necessariamente, atrelada à incompetência”, como se viu no caso do casamento de Jumento; e, finalmente, “todo cativo, ao conquistar a liberdade, revela algo de muito bom para oferecer ao mundo”, como bem o descobriu Sereno Flores (Cássio Scapin).

Mas nenhuma dessas lições se compara à da declaração de amor que Tito fez a Filomena (Liliana Castro), com direito a declaração de joelhos, lágrimas e beijo apaionado.

Com tanta maestria no desenvolvimento e desfecho de Ribeirão do Tempo, é lamentável saber que a novela ainda tenha ficado em terceiro lugar, disputando acirradamente espaço com Passione, da Globo, e Uma Rosa com Amor, do SBT. Porém, justifica-se a duração de praticamente um ano no ar.

Parabéns à emissora, que a cada dia ganha mais espaço no horário nobre e está muito perto de se tornar referência na produção de telenovelas brasileiras.

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1 Comentário

  • 05 de Julho de 2011 | 19:12

    Cleide

    Eu simplesmente amei essa novela e, de longe a considero a melhor de 2010/2011. É uma pena que por puro preconceito só se tem valor quando os atores e autores talentosos estão na "poderosa" Globo.

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Lucia Roberta Mello <br />São Paulo

Entretenimento

30/05/2011 | 15:04

Por:

Lucia Roberta Mello
São Paulo

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