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Grupo Gattu encena Boca de Ouro, clássico de Nelson Rodrigues

Grupo Gattu encena Boca de Ouro, clássico de Nelson Rodrigues

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Como parte das homenagens pelos 30 anos da morte do maior dramaturgo brasileiro, Nelson Rodrigues, o Grupo Gattu encena o clássico Boca de Ouro, a história da tragédia tipicamente carioca.
 
O espetáculo estreia dia 25 de setembro, sábado, às 21 horas, no Teatro Gil Vicente, sede da companhia paulista.
 
A direção é de Eloísa Vitz, que também está no elenco ao lado de Elam Lima, Laura Knoll, Marcos De Vuono, Marcos Machado, Daniela Rocha Rosa, Laura Vidotto, Miriam Jardim, Diogo Pasquim, Breno Mendes, Daniel Gonzáles e Adriano Campos.
 
As apresentações são gratuitas.
 
 
Grupo Gattu encena Boca de Ouro,
clássico de Nelson Rodrigues tem
compromisso com formação de plateia
 
Após bem-sucedida temporada das peças Dorotéia e Viúva Porém Honesta no
primeiro semestre de 2010, o grupo se aprofunda novamente em
pesquisa sobre obra rodrigueana. Ingressos são gratuitos
 

Como parte das homenagens pelos 30 anos da morte do maior dramaturgo brasileiro, Nelson Rodrigues, o Grupo Gattu encena o clássico Boca de Ouro, a história da tragédia tipicamente carioca. O espetáculo estreia dia 25 de setembro, sábado, às 21 horas, no Teatro Gil Vicente, sede da companhia paulista. A direção é de Eloísa Vitz, que também está no elenco ao lado de Elam Lima, Laura Knoll, Marcos De Vuono, Marcos Machado, Daniela Rocha Rosa, Laura Vidotto, Miriam Jardim, Diogo Pasquim, Breno Mendes, Daniel Gonzáles e Adriano Campos. As apresentações são gratuitas.
 
Boca de Ouro é parte da trilogia do grupo com obras de Nelson Rodrigues. No primeiro semestre de 2010, o Gattu montou Doroteia e Viúva Porém Honesta. Além da proposta de de trabalhar com temas da cultura nacional, o Grupo Gattu pretende formar um público jovem de teatro, não habituado a frequentar esta forma de expressão artística e favorecer o acesso a qualquer classe social. O grupo mantém o texto original do autor. “Temos um compromisso com a formação  de plateia e acessibilidade. É importante para nós montar Nelson Rodrigues na íntegra e mantê-lo com a sua genialidade intacta”, diz a diretora Eloísa Vitz.
 
Boca de Ouro é uma tragédia carioca em três atos, escrita por Nelson Rodrigues em 1959. Estreou em 19 de outubro de 1960, em São Paulo, no antigo Teatro Federação, depois chamado Cacilda Becker. Sem sucesso, ficou somente três semanas em cartaz, tendo no papel-título o diretor polonês Ziembinski.
 
Sinopse
Bicheiro temido e respeitado na comunidade onde vive, o personagem-título Boca de Ouro, interpretado por Elam Lima, manda arrancar todos os dentes perfeitos, substituindo-os por uma dentadura de ouro. Prepotente e cruel, Boca de Ouro também cultiva o sonho de ser enterrado num caixão de ouro só para recompensar o trauma de ter nascido numa gafieira e de ter sido abandonado pela mãe numa pia de banheiro. O malandro banqueiro do bicho, repleto de suíngue e malícia, começa apresentando seu protagonista, que acabara de morrer assassinado. O repórter Caveirinha, designado para descobrir a verdadeira história do marginal, vai entrevistar sua ex-amante, Guigui (Laura Knoll), que narra três diferentes e inusitadas versões do mesmo assassinato. Em todas elas, estão envolvidos Leleco, um malandro desempregado, sua mulher, Celeste e três ricaças.
 
Todas as histórias são contadas por Dona Guigui quando jornalistas vão até a sua casa em busca de manchetes. Em primeira instância, sem saber que o bicheiro está morto, Guigui o define como um homem cruel e insensível. Depois, ao saber do assassinado, torna-se emotiva e passa a elogiá-lo, ao mesmo tempo em que denigre seu atual marido Agenor (Marcos de Vuono), que, irritado, decide abandonar o lar.
 
Sentindo-se culpado pelo ocorrido, o repórter Caveirinha (Diogo Pasquim) influencia Dona Guigui a contar uma terceira versão sobre a morte de Boca de Ouro. Esta revela seu poder, crueldade e inseguranças. Um bicheiro malandro, uma amante, um jornalista em busca de grandes manchetes e um assassinato relatado em três ângulos distintos. Quem matou o Boca de Ouro é a pergunta que não quer calar.
 
A montagem
Elementos cênicos são utilizados para transportar o público ao universo de Nelson Rodrigues, com humor e brasilidade. “A montagem não se enquadra em rótulos. Extrapola o realismo. Criamos uma estética própria que se fossemos nomeá-la chamaríamos de realismo fantástico ou neo-realismo”, diz a diretora Eloísa Vitz.
 
Esteticamente, a pintura do artista mexicano Diego Rivera tem papel importante na construção das cenas. “As pinturas mostram a força do trabalho operário e resgata as culturas pré-colombianas. Sua arte explode nas telas com emoções fortes e densas com cores quentes e marcantes”, completa a diretora. As obras do artista mexicano também marcam presença no figurino, assinado por Adriana Piasecki e pelo próprio grupo. “Os figurinos são o nosso texto imediato na  identificação das personagens. Trabalhamos uma paleta de cores norteado pelos quadros de Diego Rivera”, diz Eloísa.
 
Cenas simultâneas, lutas com o apoio de dublê, divisão do palco em diferentes planos, fumaça, entre outros efeitos especiais estão presentes na montagem, compondo a atmosfera dos anos 50 e o dinamismo da nossa atualidade.
 
Composta e assinada por Rodrigo Scarcello e Gustavo Araújo, a trilha sonora é executada ao vivo pelos dois músicos, com o objetivo de dar dinamismo à montagem.  "São músicas compostas para cada personagem. Estes temas permeiam todo o espetáculo, sendo pouco a pouco desconstruídos e distorcidos, na medida em que a personagem Guigui relata suas versões do assassinado, influenciada por seus sentimentos. Nossa trilha explora sonoridades de diversos instrumentos acústicos e eletrônicos", afirma Rodrigo Scarcello.
 
A iluminação tem a proposta de criar efeitos "surpreendentes" em cena, com a construção de espaços e criação de atmosferas cinematográficas e passagens de tempo. "A luz trabalha para compor todo o projeto de cena, trazendo o clima, as nuances e os detalhes das atmosferas construídas", conta o iluminador Nilton Saiki.
 
O cenário conta com poucos e relevantes elementos de cena, como andaimes e escadas, que transportam o público aos espaços da ação criando suas próprias ilusões e referências. “Os sólidos Rodrigueanos ocupam, sim, o mesmo espaço. Os lugares são diáfanos, os tempos coexistem. Os andaimes instalam o estado de reforma. Estamos em obras!”  brinca Heron Medeiros, que assina a cenografia.
 
Inspiração em personagem real e paralelo com Vestido de Noiva
O chofer de um ônibus que Nelson Rodrigues pegava para ir almoçar na casa mãe tinha todos os 27 dentes de ouro. Orgulhoso de seu xodó, dizia sempre que os dentes eram de ouro maciço, 24 quilates. Impressionado com a história, o dramaturgo resolveu escrever uma peça que combinasse a dentadura dourada do motorista com uma personagem real do submundo carioca, o bicheiro Arlindo Pimenta. Assim nasceu Boca de Ouro, o bicheiro de Madureira que mandou trocar todos os dentes brancos e perfeitos de sua boca por pivôs de ouro puro. Malandro e cheio da legítima ginga carioca, Boca de Ouro nasceu numa pia de gafieira e seu primeiro banho foi com água de bica. Morre de complexo por causa da sua origem.
 
Boca de Ouro traz de volta à obra do dramaturgo alguns elementos de Vestido de Noiva. Nesta sua célebre peça, a ação dramática é, na verdade, a projeção exterior da mente de Alaíde, mulher que foi atropelada por um carro e acaba morrendo. O público fica informado desse fato a partir da comunicação do acidente ao jornal e, depois, ao ouvir as manchetes gritadas pelos jornaleiros. Em Boca de Ouro, a ação é projeção da mente contraditória de dona Guigui, antiga amante do bicheiro. Os flashbacks, matéria dramática da peça, são frutos da confusão mental de dona Guigui e servem para desnudar Boca de Ouro aos olhos do público. A ação é toda manipulada por ela.
 
Sobre o Autor
 
Nelson Rodrigues (1912-1980) começou a carreira no jornalismo, aos 13 anos,  em 1925, como repórter policial do jornal A Manhã, impressionando os colegas com sua capacidade de dramatizar pequenos acontecimentos.
Em 1943 revolucionou a dramaturgia mundial com a peça Vestido de Noiva. Nelson Rodrigues foi
jornalista, dramaturgo, romancista e cronista,
escreveu 17 peças de teatro, 9 romances, 5 livros de contos e 13 livros de crônicas.
Sua obra e seu gênio literário são um patrimônio da literatura brasileira.
 
Sobre o Grupo Gattu
O Grupo Gattu foi criado há 10 anos pela atriz e diretora Eloísa Vitz. Incentivado pela UNIBAN Brasil, formou um núcleo independente de pesquisa teatral, com sede própria no Teatro Gil Vicente.
Sua essência é a busca da excelência cênica, por meio de incessantes pesquisas e investigações sobre as obras encenadas. Revela uma linguagem autêntica e surpreendente, assumindo um compromisso com a Arte. O grupo assina onze montagens e dezoito temporadas mantendo-se em pesquisa constante.
Como missão propõe-se à formação de plateia, a aproximação do público de diferentes classes sociais, à encenação de obras literárias de grandes dramaturgos, à escolha de temas que possam provocar ecos e reflexões no público.
 
Sobre a diretora
Eloísa Vitz é diretora e atriz do Grupo Gattu. Cursou a EAD – Escola de Artes Dramáticas da USP, e é Bacharel em Direito e Letras e Pós-Graduada em História da Arte.
Como atriz, destacou-se no grupo TAPA com os seguintes espetáculos: “As Viúvas”, de Arthur Azevedo; “Contos de Sedução”, de Guy de Moupassant; “A Importância de Ser Fiel”, de Oscar Wilde e “Camaradagem”, de Stringberg (premiado como melhor espetáculo pela APCA 2007 - Associação Paulista dos Críticos de Arte), todas sob direção de Eduardo Tolentino.
Como diretora, está à frente do Grupo Gattu, desenvolvendo um trabalho de pesquisa e montagens muito bem sucedidas. Dentre os principais trabalhos destacam-se:
“Teatro a Vapor”, de Arthur Azevedo – 2003 e 2004 ;
“Vereda da Salvação”, de Jorge Andrade – 2004 e 2005 ;
“Viúva, Porém Honesta”, de Nelson Rodrigues – 2005, 2006, 2008 e 2009
; “Game: Jogo Perigoso”, processo colaborativo -  2007
; “Auto da Barca do Inferno – O Duelo”, de Gil Vicente – 2008 e
“Dorotéia” de Nelson Rodrigues - 2009
 
Serviço:
Teatro Gil Vicente – Sede do Grupo Gattu. Avenida Rudge 315, Campos Elíseos. Estreia 25 de setembro. Até 19 de dezembro. Sábados às 21h e domingos às 20h. Ingressos: gratuitos (bilheteria aberta com 2 horas de antecedência). 120 min. Capacidade -  155 lugares. Censura -  16 anos. Duração – 90 minutos. Contato: 3618.9014/ www.gattu.com.br.
 
Ficha técnica:
Elenco: Elam Lima, Laura Knoll, Marcos De Vuono, Marcos Machado, Eloísa Vitz, Daniela Rocha Rosa, Laura Vidotto, Miriam Jardim, Diogo Pasquim, Breno Mendes, Daniel Gonzáles, Adriano Campos. Direção: Eloísa Vitz. Assistência de direção: Daniela Rocha Rosa Iluminação: Nilton Saiki. Cenografia: Heron Medeiros. Preparação Corporal: Yôga – Ana Cichowitz Fernandes. Coreografia de lutas: Rafael Fernandes. Direção Musical: Rodrigo Scarcello e Gustavo Araújo. Cenotécnico: Fabrício Mendonça de Freitas. Figurino: Adriana Piasecki e Grupo Gattu. Costureira: Alice Correa. Realização: Gattu Produções Artísticas Ltda.



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