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Grupo Galpão em temporada em São Paulo
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Grupo comemora dez anos de patrocínio exclusivo da Petrobras
Com 29 anos de trajetória, o Grupo Galpão apresenta “Tio Vânia (aos que vierem depois de nós)”, de Anton Tchékhov. A direção é de Yara de Novaes, mineira reconhecida no cenário nacional. A nova montagem estreou nacionalmente em Curitiba, em abril , lotando as três apresentações no Festival de Teatro, um dos mais importantes do país. Depois fez temporada em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, com casa cheia , passou pelo Filo (Londrina), o POA (Porto Alegre), os Festivais de Inverno de Minas Gerais. Em primeira incursão internacional foi apresentado no Teatro Vascello (Roma/ Itália), e agora chega a São Paulo, dia 3 de novembro, quinta-feira, às 21horas, com estreia para convidados e aberta ao público. A temporada na capital paulista acontece de 4 a 20 de novembro.
A peça faz parte do projeto “Viagem à Tchékhov“, lançado pelo Grupo Galpão em 2011. A escolha por montar o texto “Tio Vânia” expressa as aspirações individuais e coletivas dos atores, e ao mesmo tempo, retrata a fase de maturidade do grupo, que completa 30 anos de existência em 2012. Além de “Tio Vânia”, o projeto reúne a criação de um segundo trabalho, baseado em contos também de Tchékhov. A estreia está prevista para dezembro deste ano em Belo Horizonte e terá direção do russo, Jurij Alschitz, com treinamento vocal da diretora lituana, Olga Lapina.
Peça escrita em 1897 por Anton Tchékhov, "Tio Vânia" tem como tema central a perda inevitável das ilusões e a consequente necessidade do homem de se reinventar e de enfrentar o futuro. Ambientada em uma decadente propriedade rural russa, no final do século XIX, o texto aborda, de maneira profunda e delicada, o amor, o desejo, a passagem do tempo, o declínio físico, a aridez da existência, o desalento, a aniquilação dos sonhos, e inclui, surpreendentemente, uma mensagem atravessada de fé.
Vivendo numa propriedade rural, Vânia, o protagonista, descobre, com quase cinquenta anos, que até então desempenhou um papel secundário e irrelevante na vida. Essa constatação ocorre quando o Professor Serebriákov, viúvo de sua irmã, deixa a cidade para viver na fazenda com sua nova esposa, a jovem e atraente Helena. O novo morador, até então um mito, não só para Vânia, mas para toda a família, acaba revelando, com a proximidade, seu verdadeiro caráter: um homem arrogante e um intelectual medíocre. A chegada do casal altera completamente a rotina da casa. Não só pela prepotência do Professor, mas também pela perturbadora presença de Helena, que incendeia a imaginação de Vânia e atrai irresistivelmente o Dr. Ástrov, um médico amigo da família, com ideias originais com relação ao futuro da terra. Esse último, objeto da paixão de Sônia, sobrinha de Vânia e filha de Serebriákov. Atormentada entre o desejo e o sentimento de culpa, Helena acaba seduzida por Ástrov sem, contudo, se permitir realizar sua paixão.
Para a construção do espetáculo “Tio Vânia”, os atores do Galpão se envolveram, desde 2010, com a leitura de peças dos mais diferentes gêneros e épocas. Buscavam uma dramaturgia que permitisse ao grupo um mergulho no trabalho do ator. Durante essa pesquisa, foram investigadas obras contemporâneas relacionadas à Tchékhov. Essa aproximação apontou o desejo de reler textos originais do grande autor russo. O grupo já havia mergulhado na obra de Tchékhov em 2008 , quando foi dirigido por Enrique Diaz, no processo de criação de “As três irmãs”, que resultou no documentário “Moscou” de Eduardo Coutinho.
O convite à diretora Yara de Novaes, expoente da mesma geração teatral que identifica a maioria dos integrantes do Galpão, vem de sua pesquisa constante e incansável pela natureza e a razão de ser do teatro. Yara vem experimentando, ao longo de sua carreira como diretora, respostas a novos e velhos questionamentos do universo teatral.
Para o Galpão e para Yara, "Tio Vânia" representa, acima de tudo, a busca por um teatro que reflita e revele os sentimentos comuns do ser humano com relação a temas tão presentes e pessoais quanto universais e permanentes.
A iluminação é de Pedro Pederneiras, um dos fundadores do Grupo Corpo. A primeira parceria do iluminador com o grupo traz uma luz climática, que flerta com o realismo, e que revela, sobretudo, o espaço da melancolia. Luz e cenário caminham juntos. O cenário em “Tio Vânia”, de Márcio Medina , não é meramente ilustrativo, mas um elemento dramático. Cinco grandes colunas, em cena, são manipuladas pelos atores e contribuem para a construção de significados. “O cenário respira junto com o espetáculo, seu movimento pode oprimir ou sufocar as personagens, acompanhando a dramaturgia”, conta Medina.
O artista também assina o figurino do espetáculo, que, para ele, tem um diferencial dos demais que já realizou com o Grupo : “É um trabalho sem máscara, quase sem caracterização, com o ator de cara limpa. É um ‘quase realismo’ com o qual nunca havia trabalhado em outros projetos do Galpão”, afirma. Os figurinos possuem um “sabor antigo”, mas sem ser uma reconstrução histórica. “Para fazer justiça a um texto tão atual e presente, não seria justo localizar os figurinos em um passado remoto”, explica.
Em “Tio Vânia (aos que vierem depois de nós)” a música é diferente de muitos outros espetáculos do Grupo Galpão. Normalmente, os atores cantam e executam diversos instrumentos ao vivo. Neste espetáculo, a trilha é toda gravada por instrumentistas, no estúdio. Ela é composta de ruídos como gotas de chuva, trovões, o som de uma bengala que toca o chão e uma canção-tema, composta pelo diretor musical paulista, Dr Morris, parceiro de Yara de Novaes em trabalhos como “Amor e Outros Rumores” (2010), “A Serpente” (2005), e “A Mulher Que Ri” (2009). Segundo Morris, a trilha em “Tio Vânia” tem a função da música cinematográfica, por ser responsável pela criação de ambiências, tempo, mudanças de clima, por retratar momentos de solidão dos personagens. “A trilha serve à movimentação dramatúrgica, é sutil, acompanha os personagens, está dentro da cena”, explica Morris. “Em alguns momentos ela sai das caixas de som e é levada para a cena, transmitida apenas por um rádio antigo ”, acrescenta o músico.
Diretora mineira, reconhecida na cena paulista , Yara começou a dirigir teatro após uma reconhecida e premiada carreira de atriz. Professora universitária lecionou na PUC-Minas, UNI-BH e UFPE, ministrando várias disciplinas na área de interpretação teatral e, atualmente, é professora da cadeira de teatro no curso de Direito da FAAP. Por seus trabalhos de direção ganhou os prêmios Fundacen (1989) - diretora revelação; Sesc-Sated (1999) - Melhor Diretora e Troféu USIMINAS/SINPARC (2003) - Melhor Diretora. Assina a direção de espetáculos como “Um Céu de Estrelas” (2006), de Fernando Bonassi; “Noites Brancas” (2003-2004), de Dostoiévski; “Ricardo III” (1999-2000), de William Shakespeare; “O Caminho para Meca” (2008), de Athol Fuggard, com Cleyde Yáconis; “A Mulher que Ri”, (2008), de Paulo Santoro; “O Amor e outros Estranhos Rumores - 3 Histórias de Rubião” (2010), de Silvia Gomez.
Formado em Engenharia Civil pela UFMG, Pedro Pederneiras foi um dos fundadores, em 1975, do Grupo Corpo, no qual se apresentou como bailarino até 1983. Dirigiu o Corpo - Escola de Dança até 1989, quando assumiu as funções,que desempenha até hoje, de Diretor Técnico do Grupo Corpo. Já trabalhou como iluminador para exposições, balés, óperas e peças de teatro. Dos balés, destacam-se os trabalhos feitos para coreografias de seu irmão Rodrigo Pederneiras em companhias como Ballet Jazz de Montreal (Canadá), Stadttheater St Gallen Ballet (Suíça) e Deutche Opper Berlin (Alemanha). Também já iluminou coreografias de Ivaldo Bertazzo e Rui Moreira. Iluminou a ópera “A Menina das Nuvens”, da Fundação Clóvis Salgado, trabalho que mereceu o Prêmio Carlos Gomes 2010.
Cenógrafo, figurinista e diretor de arte, formado em arquitetura, comunicação visual, propaganda e marketing. É um dos mais inventivos e versáteis artistas voltados para figurino e cenografia da atualidade. Começou seu trabalho em 1976, colaborando com a montagem de Antonio Mercado para A Ópera dos Três Vinténs (Bertolt Brecht). Desde então acumula parceiros entre os mais renomados realizadores do teatro brasileiro, tendo trabalhado com Francisco Medeiros, Juca de Oliveira, José Celso Martinez Corrêa, Fauzi Arap, entre outros. É colaborador do Centro de Pesquisa e Experimentação de Pontedera (Itália), continuador dos princípios de Gerzy Grotowsky. Medina realiza o primeiro trabalho com o Galpão, em 1999, quando “Partido” foi dirigido por outro de seus mais importantes parceiros, Cacá Carvalho. Com o Galpão trabalhou ainda nos espetáculos “Um Trem Chamado Desejo” (pelo qual recebeu o prêmio Shell de melhor cenografia em 2001) e “Till, a saga de um herói torto” (2009).
Com 15 anos dedicados a trilha sonora para teatro, o artista trabalhou com diretores e grupos de diferentes escolas e estados brasileiros. Dentre eles: Grupo Galpão, Aderbal Freire Filho, Yara de Novaes, Carlos Gradim, Odeon Cia Tetral, Bendita Trupe, Johana Albuquerque, Sidnei Caria, Joca Andreazza e Cia Noz de dança. É sócio da produtora Barracão Cultural tendo feito as trilhas de "A Mulher que Ri", "Cacoete" e "O Tribunal de Salomão", atualmente em cartaz comemorando 10 anos da Companhia. Como cantor e violonista foi líder da Urbanda e com seu Grupo, Dr Morris e os Vivos, lançou recentemente o álbum "5". É dono do estúdio do Barracão e sócio de Myriam Taubkin, no projeto "Um Sopro de Brasil". www.drmorris.com.br e www.barracaocultural.com.br
Em 2011, o Grupo Galpão comemora dez anos de patrocínio exclusivo da Petrobras. Foram muitos espetáculos montados, temporadas nacionais, turnês por todas as regiões do Brasil e presença em festivais proporcionados por essa parceria. Maior empresa brasileira e maior patrocinadora das artes e da cultura no país, a Petrobras sempre apostou no compromisso do Galpão: reinventar a vida através da arte, possibilitando ao maior número de pessoas a vivência do teatro como alegria e transformação.

O Grupo Galpão é uma das companhias mais importantes do cenário teatral brasileiro. Com quase trinta anos de existência, o grupo desenvolve um teatro que alia rigor, pesquisa, busca de linguagem, com montagem de peças com grande poder de comunicação com o público. Formado por atores que trabalham com diferentes diretores convidados, como Gabriel Villela, Cacá Carvalho, Paulo José, Paulo de Moraes e Yara de Novaes (além dos próprios componentes que também já dirigiram espetáculos do Grupo), o Galpão forjou sua linguagem artística a partir desses encontros diversos, criando um teatro que dialoga com o popular e o erudito, a tradição e a contemporaneidade, o teatro de rua e o palco, o universal e o regional brasileiro. Com essa mescla, o Galpão cria uma cena de forte comunicação e empatia com o público, com mais de 1.300.000 espectadores, em 2.479 apresentações. Ao longo de sua trajetória, o Grupo participou de 41 festivais internacionais (na Europa, América latina, Estados Unidos e Canadá) e de 70 nacionais, em todas as regiões do país, sendo o único grupo brasileiro a se apresentar no “Globe Theather”, em Londres. O Grupo acumula ainda 19 montagens no currículo, e mais de 100 prêmios brasileiros, com destaques para o “Prêmio Shell” (1994 – Rio de Janeiro), nas categorias melhor direção, melhor figurino e melhor iluminação, e para os Prêmios do estado de Minas Gerais “Usiminas Sinparc” e “SESC Sated”, de Reconhecimento Cultural pelos 25 anos de Atividades.
Ficha técnica:
GRUPO GALPÃO
TIO VÂNIA (aos que vierem depois de nós)
Elenco
Antonio Edson / Tio Vânia
Arildo de Barros / Serebriákov
Eduardo Moreira / Ástrov
Fernanda Vianna / Helena
Paulo André / Teléguine
Teuda Bara / Maria Vassiliévna
Atriz convidada: Mariana Lima Muniz / Sônia
Direção: Yara de Novaes
Texto: Anton Tchékhov
Tradução e adaptação: Grupo Galpão
Cenografia e Figurino: Márcio Medina
Iluminação: Pedro Pederneiras
Preparação Corporal e Assessoria de Movimento Cênico: Mônica Ribeiro
Trilha Sonora e Música Original: Dr Morris
Direção vocal de texto: Babaya
Caracterização: Mona Magalhães
Assistência de Direção: Paulo André
Cenotécnicos: Helvécio Izabel, Bruno Cerezoli, Elton John
Fotos: Guto Muniz
Produção Executiva: Beatriz Radicchi
Direção de Produção: Gilma Oliveira
Produção: Grupo Galpão
Patrocínio: Petrobras
A Petrobras é patrocinadora exclusiva do Grupo Galpão.
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