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Comédia dramática O Espartilho, com direção de Roberto Lage, estreia no Espaço Parpalatões

Comédia dramática O Espartilho, com direção de Roberto Lage, estreia no Espaço Parpalatões

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Peça do vestuário feminino que tinha como objetivo reduzir a cintura e manter o corpo ereto ressaltando a feminilidade serve de metáfora para a peça O Espartilho. Texto inédito de José Antônio de Souza, direção de Roberto Lage, o espetáculo estreia dia 6 de agosto, sábado, às 21 horas, no Espaço Parlapatões.
 
Dani Mustafci e Fábio Ock vivem uma história de amor e sedução ambientada nos anos 50 - década marcada por avanços científicos, tecnológicos e mudanças culturais e comportamentais. A trama gira em torno de Virgínia, dona-de-casa, católica e frustrada com o casamento, que tem sua rotina alterada quando um misterioso homem entra em sua vida. A partir daí, começa um inquietante jogo de sedução e fantasia.
 
Para Dani Mustafci, atriz e idealizadora do projeto, a peça retrata o universo feminino. “O espartilho aperta, machuca e reprime, ao mesmo tempo em que exalta as formas e a beleza da mulher. Esse é o conflito da personagem, mulher reprimida pelo marido (não retratado na peça), que exala feminilidade e desejo de ser amada”, explica
 
O texto trata o assunto com delicadeza, humor e poesia. “Escrevi sobre uma mulher que dentro do espartilho se vê presa como numa jaula e livre como uma fera. Reprimida, é uma esposa dominada pela vigilância do marido e liberada pelos seus desejos de mulher”, fala o autor José Antônio de Souza.  



Roberto Lage, convidado por Dani Mustafci para dirigir o espetáculo, explica que a direção buscou tirar da encenação as características naturalistas. “O trabalho é centrado na interpretação dos atores. Como a história pode ser um devaneio de Virgínia, grande parte da concepção vem do que a personagem projeta.”
 
A personagem usa espartilho por exigência do marido, que obriga a mulher a vestir o acessório e dançar um tango para ele após o jantar. “O fato de ser ambientado na década de 50 contribui para manter uma tensão entre eles”, declara Lage. “Naquele tempo as mulheres eram mais reprimidas, não trabalhavam fora. As pessoas casavam cedo e tinham filhos. A mulher dos anos 50, além de bela e bem cuidada, devia ser boa dona-de-casa, esposa e mãe. Nesse contexto, o espartilho tem uma simbologia forte”, afirma Dani Mustafci.
 
Virginia é jovem, inteligente, culta. “Pianista diletante, é intelectual, gosta de poesia e escreve seus próprios poemas, seu autor preferido é Olavo Bilac. É casada com um homem rude que condena seus hábitos. Casou-se por amor, idealizou um casamento que a realidade se encarregou de desfazer”, conta a atriz, que buscou inspiração em Doris Day e Audrey Hepburn para compor a personagem.
 
Ambrósio é um personagem elegante e cheio de estilo. “Um sedutor, cujo objetivo é conquistar Virginia”, conta Fábio Ock, que teve como referência para montar seu papel a figura do ator Clarke Gable. O casal estabelece, então, um jogo de sedução e fantasia.
 
Os elementos cenográficos, assim como iluminação e trilha sonora, contribuem para uma ambientação realista e histórica, com peças de mobiliário da época estabelecendo um clima nostálgico e onírico.

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