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Pianista Juliana D'Agostini lança seu segundo disco, agora em dupla

Pianista Juliana D'Agostini lança seu segundo disco, agora em dupla

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Musicista paulistana de 24 anos gravou ao lado daquele que é considerado um dos melhores contrabaixistas clássicos do mundo, o romeno Catalin Rotaru

Foi com apenas cinco anos de idade que Juliana D'Agostini começou a estudar piano. Hoje, aos 24, é bacharel em piano pela Universidade de São Paulo (USP), onde se formou sob a tutela de Eduardo Monteiro.

Perfeccionista, passou por diversas escolas em paralelo à USP, tais  como: New England Conservatory of Music, em Boston, EUA, sob a regência de Wha Kyung Byun; Academies Internationales d’Été du Grand Nancy, na França, guiada por Amy Lin (Conservatório Nacional de Strasbourg); e Arizona State University, em Tempe, nos Estados Unidos, sob orientação de Caio Pagano. Em Nova York, onde costuma ir com frequência para apresentações e gravações, é orientada por Max Barros.

Participou também de “master classes” com conceituados pianistas de todo o mundo, como Laurent Durupt (Conservatoire de Paris 14th), Richard Raymond (McGill University, Canadá), Marylin Frascone (França), Sergei Dukachev (National Academie of Arts in UFA, Rússia), Petr Jirikowsky (Conservatório de Praga), Cristina Ortiz e Gilberto Tinetti (USP), Jyeon Kang (Coreia do Sul), Geoffrey Haydon (Georgia State University, EUA), e muitos outros.

Depois do lançamento de seu primeiro CD, “Chopin | Liszt” (2010), Juliana se uniu àquele que é considerado hoje um dos melhores contrabaixistas eruditos do mundo, o romeno Catalin Rotaru, e gravou o álbum “Juliana D’Agostini + Catalin Rotaru”, cujo lançamento está previsto para maio de 2011.

Interpretando peças de Schubert, Grieg, Vieuxtemps e Villa-Lobos, os músicos, que se conheceram no Brasil em 2008, aproveitaram a vinda de Rotaru para o Festival de Inverno de Campos do Jordão de 2010 para gravar o álbum, um encontro inusitado e feliz de piano com contrabaixo acústico, este um instrumento pouco usual em gravações eruditas (originalmente, os arranjos eram para violoncelo, e foram adaptados com maestria por Rotaru).

Comentário por James Melo

O ouvinte que se der o prazer de ouvir este belíssimo CD de Juliana D’Agostini e Catalin Rotaru perceberá, de imediato, que está diante de um trabalho marcado pelo maior rigor artístico e dedicação suprema ao repertório escolhido.

Contendo duas grandes obras magníficas (a “Sonata para Violoncelo e Piano”, de Grieg, e a “Sonata ‘Arpeggione’”, de Schubert) contrabalançadas por um par de obras curtas de caráter deliciosamente contrastante (a “Tarantela” de Henri Vieuxtemps e as “Bachianas Brasileiras No. 5”, de Villa-Lobos), já na escolha do repertório percebemos a preocupação com a variedade de forma e expressão artísticas, oferecendo ao ouvinte um álbum que satisfaz o senso estético em vários níveis de apreciação.

É importante notar este aspecto da organização do CD, pois o mesmo cuidado com a escolha e equilíbrio do repertório pode ser verificado nas interpretações impecáveis, ricamente trabalhadas e emocionalmente profundas que os artistas trouxeram para cada uma dessas obras.

Ouçam, por exemplo, a abertura do primeiro movimento da “Sonata ‘Arpeggione’”, em que Juliana desdobra um fraseado ao mesmo tempo supremamente lírico e sugestivo de profundidades emocionais a serem descobertas mais tarde na obra. Ao ouvi-la nestes poucos segundos que iniciam esta peça rica em belezas temáticas, percebemos de imediato que estamos diante de uma musicista de grande maturidade, capaz de extrair do piano sonoridades marcadas por nuanças aveludadas e cristalinas, estilisticamente apropriadas a um compositor de melodias tão sublimes quanto Schubert.

Comparando este fragmento a outras seções dessa sonata, ou com os momentos mais dramáticos e apaixonados da sonata de Grieg, podemos constatar a facilidade com que Juliana navega entre os aspectos líricos e introspectivos das obras, e aqueles que exigem uma firmeza heroica e até mesmo agressiva, quando apropriado. Um dos aspectos que chamam a atenção na sua concepção das frases musicais é a elasticidade e naturalidade dos tempos, de modo que seu fraseado invariavelmente soa natural e, ao mesmo tempo, eloquente.

No papel de camerista, Juliana revela uma habilidade ímpar em variar a presença sonora do piano, fazendo-o recuar ou avançar num diálogo constante com o seu companheiro, de modo que, ao ouvi-los, temos a impressão de estarmos presenciando uma conversa íntima entre amigos que se conhecem profundamente há muitos anos.

Uma das grandes surpresas do disco foi descobrir como o contrabaixo pode produzir sonoridades tão aveludadas, cantantes e melodicamente flexíveis quando tocado por um músico do calibre do espanhol Catalin Rotaru. Em vários momentos, o ouvinte chega a se esquecer completamente dos desafios técnicos envolvidos em tocar um repertório concebido para o violoncelo num instrumento cuja tessitura apresenta problemas bem específicos.

Temos o supremo comando técnico e a musicalidade infalível de Rotaru a agradecer por este resultado surpreendente e recompensador. Basta ouvir, como um exemplo dentre muitos, o fraseado encantador que ele consegue produzir nas “Bachianas Brasileiras no. 5”, para se ter uma ideia de quão perfeita é a combinação entre a técnica e a expressividade em suas interpretações aqui registradas.

Este CD não falhará em cativar uma audiência ampla e diversificada, não só devido à seleção judiciosa do repertório, mas também por causa do empenho dos músicos, do zelo e do carinho com que burilaram cada uma dessas gemas musicais, e do respeito que demonstram para com o ouvinte ao produzirem interpretações íntegras, tecnicamente límpidas e musicalmente enriquecedoras.

James Melo (RILM Abstracts of Music Literature, City University of New York, NY, EUA)

Repertório – “Juliana D’Agostini + Catalin Rotaru” (2011)


EDVARD GRIEG:
Cello Sonata, Op. 36
I.    Allegro Agitato | 10:01
II.    Andante Molto Tranquillo | 6:41
III.    Allegro | 12:31
+
FRANZ SCHUBERT:
Sonata in A Minor, D. 821 – “Arpeggione”
I.    Allegro Moderato | 13:10
II.    Adaggio | 4:08
III.    Allegretto | 9:50
+
HENRI VIEUXTEMPS:
Tarantella, Op. 22 No. 5 | 5:27
+
HEITOR VILLA-LOBOS:
Aria (Cantilena) 1a. Parte das Bachianas Brasileiras No. 5 | 5:57

Grieg Sonata: arranjo para contrabaixo – Catalin Rotaru
Arpeggione: transcrita por – Stuart Sankey
Vieuxtemps: arranjo para contrabaixo – Catalin Rotaru
Villa-Lobos: arranjo para contrabaixo – Catalin Rotaru

Juliana D’Agostini: piano
Catalin Rotaru: double bass

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1 Comentário

  • 14 de Junho de 2011 | 16:37

    Silvia B

    Parabéns pela matéria sobre esta talentosa pianista clássica..

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