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Michael Jackson - O mito e seu último álbum

Michael Jackson - O mito e seu último álbum

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Com o avanço em velocidade máxima da internet na última década, o mundo da música vem mudando assustadoramente, não tem mais volta, não há como retroceder.

Essa é uma discussão complexa e será falada mais a frente para os leitores, mas o que quero dizer, é que com esse avanço tecnológico e os meios de comunicação se expandindo ao redor do mundo, a impressão que tenho, é que nunca mais veremos um novo Michael Jackson, o "MITO". Assim também como Elvis, Beatles ou Madonna por exemplo.

A tendência do mundo moderno é ter cada vez mais espaço para todos os artistas divulgarem suas músicas e nesse ponto a internet e sites como Youtube ou MySpace são fantásticos, mas um novo Michael nós não veremos nunca mais.

Nunca me esqueci quando o telefone tocou em meu Studio de gravação, e atendi minha filha dizendo que Michael tinha morrido. Era um final de tarde do dia 25 de Junho de 2009. E na hora, pensei: Ah, é mais uma obra da mídia sensacionalista, mas logo em seguida entrei no site da rede CNN, e vi as notícias. Fechei meu Studio, peguei meu carro e fui para minha casa assistir os noticiários. Meu celular não parava de tocar, com amigos me dizendo, o que eu e as pessoas que amam boa música, não queriam ouvir.

As redes CNN e BBC davam e confirmavam a morte de Michael Jackson. Eu na mesa de jantar, não conseguia acreditar nas imagens. Desde o início, olhei com muita desconfiança aquele médico particular de Michael, o Dr. Conrad Murray, confesso que senti raiva dele, mas deixemos isso para os tribunais dos EUA. Muitos criticaram os pais, principalmente Joe Jackson, o pai, pela maneira como ele criou seus filhos. Katherine sempre nos pareceu mais doce, e mesmo sem ter a minha simpatia, reconheço em Joe, com sua disciplina rígida e polêmica, o mentor da indústria que iria se tornar os fabulosos Jackson 5.

Michael separou-se dos irmãos e explodiu em carreira solo se tornando um Mega Star! Tenho todos os seus álbuns, mas o meu preferido ainda é "Off The Wall" lançado em 1979, e produzido pelo mago Quincy Jones. Um discaço!!!
Há dias atrás, ganhei de presente de minha filha, o CD "Michael", o seu último álbum. Foi uma surpresa extraordinária. O CD abre com "Hold My Hand" em dueto com Akon, que assina a produção e ainda executa todos os instrumentos com o também compositor Giorgio Tuinfort.

Cliquem aqui e assistam ao vídeo

Em "Hollywood Tonight", Michael está fantástico, cantando como nunca e com o que se tornaria sua marca. Batida (Beat) marcante para boas pistas de dança e um "Groove" elegante com uma pulsação que remete a "Dangerous", o sucessor de "Bad".

A seguir, encontro a bela balada "Keep Your Head Up", e mais uma vez Michael esbanja leveza e categoria com sua voz afinadíssima, e os "backings vocals" têm nítida influência dos corais de igrejas Gospel. Uma grande escola de cantores nos EUA. Linda música!

"(I Like) The Way You Love Me", é outra balada espetacular, que pode-se ouvir os vocais feitos pelo próprio Michael em "Overdubs", e conta com a percussão luxuosa de nosso querido Paulinho da Costa, radicado há décadas nos EUA.

"Monster" volta com a marca Jackson de batida exuberante e conta com o "Rapper" 50 Cent. "Best Of Joy" é uma música perfeita para se ouvir num belo por-do-sol.

"Another Day" tem participação de Lenny Kravitz na guitarra (Com solo vigoroso), baixo e vocais. "Behind The Mask" retorna ao "Groove", com belo solo de Sax Alto de Mike Phillips e do super tecladista Greg Phillinganes (Stevie Wonder & Eric Clapton). E fechando o disco, temos a voz suave de Michael em "Much Too Soon" mais uma bela canção para um disco que não pode faltar na coleção dos fãs.

Caros leitores, com a morte prematura de Michael, desaparece uma estética sonora impressionante, moderníssima, muito a frente de seu tempo, sonoridade elegante, altamente dançante, baladas românticas para embalar lindas noites de amor. Tudo isso conquistado em parte com o mega produtor Quincy Jones.

Michael fez inúmeras plásticas, inúmeras bizarrices, sabia gastar como ninguém o dinheiro que ganhava, mas daqui há 50, 100 anos ninguém se lembrará desses detalhes, mas o que ficará é sua genialidade e sua música que nunca desaparecerá das rádios, tocadores (Players) de música e de nossos corações.

Beto Saroldi
(Saxofonista, compositor & produtor musical)

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18 Comentários

  • 14 de Fevereiro de 2011 | 09:35

    Valéria Moreira

    Jackson também foi um notável filantropo e humanitário, doando milhões de dólares durante toda sua carreira a causas beneficentes por meio da Dangerous World Tour...isso muito me comoveu , ajudava 39 centros de caridade,

    Um dos poucos artistas a entrarem duas vezes ao Rock And Roll Hall of Fame. O maior artista de todos os tempos.

    Sem dúvida uma grande e irreparável perda!!!! Michael for ever!!!

  • 14 de Fevereiro de 2011 | 09:02

    FELIPE STALLONE

    Caro Beto, MJ é inigualável e jamais será substiuído;
    O aspecto mais importanto do seu artigo é o fato da tecnologia impedir o surgimento de artistas como ele. O que infelizmente vai acontecer é uma " customização" da música por tipo, gênero, idade, etc, de forma que cada faixa social terá seus ídolos próprios sem sequer saber o que está rolando no universo musical como um todo. Isso por causa da enorme quantidade de veiculos para distribuição de lixos musicais, como rap, funk,etc. Ou seja a tecnologia criou espaço para divulgação do lixo e a qualidade tende a cair cada vez mais.Um pena. Um abraço Felipe Stallone

  • 14 de Fevereiro de 2011 | 08:27

    Adelaide Gondin

    Excelente texto! Outro dia assisti um clip do Michael cantando ainda criança. Ele já nasceu iluminado! Mas após ler o texto, fiquei mesmo preocupada se essa fase de Beatles, Elvis e Michael não voltará mais. Viverá apenas na nossa lembrança e em arquivos de computadores. Fiz um rápido paralelo com a música classica: Mozart, Schubert, Beethoven e outros músicos maravilhosos encantaram o mundo e não deixaram sucessores. Vamos torcer para que as próximas gerações tenham a sorte de embalar as vidas em novas músicas. Porque como diria o colunista, o processo é irreversível, não tem mais volta!

  • 13 de Fevereiro de 2011 | 18:07

    Célia Jardim

    Beto, adorei ler o seu texto. Falar do grande Michael, não é uma tarefa fácil, mas vc fala com uma riqueza de detalhes, que a gente sente um aperto no coração ao recordar que ele se foi, e que realmente, não haverá um "outro Michael", mas ele será de fato imortal em nossas lembranças e das gerações futuras.
    Não sabia que vc escreve crônicas, está showwwwwwww!!!
    beijo

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