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Leiloca, a eterna Frenética, cai na gandaia em Show solo

Leiloca, a eterna Frenética, cai na gandaia em Show solo

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Olá amigos leitores!

Hoje minha coluna vai falar um pouco dessa amiga tão querida de todos nós, que é Leiloca Neves. Esse furacão, essa mulher que faz um pouco de tudo em sua vida, e sempre muito bem ao que se propõe. Dança, canta, é atriz,  fala e entende de astrologia como  ninguém, muito antes desse assunto virar moda. Se vocês lembram, era Agosto de 1976 no Rio de Janeiro, quando o sempre inovador, o compositor e produtor musical Nelson Motta, sempre a frente de seu tempo inaugurou num Shopping da Gávea, a discoteca (danceteria nos dias de hoje, ok dear friends? ) Frenetic Dancing Days que se tornou uma febre nas noites cariocas.

Para servir as poucas mesas que ficavam no espaço de uma enorme pista de dança, Nelson Motta teve a ideia de contratar garçonetes, que vestidas de espartilhos, roupas coladas ao corpo, saltos altíssimos e bastante carregadas em maquiagem, fariam o atendimento. Tudo isso já seria uma tremenda novidade na época, mas como Nelsinho sempre buscava cada vez mais ideias novas, acabou escutando a proposta da atriz e cantora Sandra Pêra, irmã de sua mulher na época a também atriz Marília Pêra. Sandra trouxe para o Dancing Days, as amigas Regina Chaves, Leiloca Neves e Lidoka Martuscelli, que fizeram parte do grupo Dzi Croquettes, e logo após vieram a cantora Dudu Morais e Edir de Castro que completaram o sexteto.



O que no começo era um pequeno Set com elas cantando nos intervalos em que serviam as bebidas, acabou se tornando um estrondo, foi arrebatador o sucesso que faziam, e com o público exigindo que elas cantassem cada vez mais, aos poucos foram deixando de servir, e começaram a fazer os Shows da casa, e foram deixando a função de garçonetes. Vamos combinar, que foi uma ideia prá lá de genial! Foi a grande sacada!

O público foi capturado por uma combinação extraordinária de um humor picante e extremamente inteligente com doses de erotismo nas roupas e também nas letras, que obrigavam os compositores, dentre eles, Nelsinho Motta, a driblar a terrível censura, imposta pela ditadura no Brasil. O ritmo era contagiante, a pulsação era da Disco-Music trazida dos EUA, e com a performance exuberantemente sexy daquelas seis meninas, as Frenéticas foram o grande acontecimento musical daquele ano. Eu conheci Sandra Pêra um ano antes desse estouro nacional. Foi em minha estreia no Teatro Opinião com Eduardo Dussek.

Ficamos amigos, Sandra é uma pessoa de altíssimo astral, alegre e de bem com a vida, e não esqueço os cafés da manhã que tomávamos juntos no apartamento em frente ao dela, onde morava o queridíssimo Marco Nanini. É preciso dizer que o café da manhã na casa de Nanini nunca era servido antes das 4h da tarde (16:00h). E por ter ficado amigo de Sandra, quando terminou o contrato do Dancing Days, as Frenéticas passaram a fazer Shows no Teatro Rival, e logo após ganharam o Brasil todo, e nessa época fui convidado por elas a fazer parte da banda, com os músicos gauchos da Banda “Bicho da Seda”, músicos muito bons, que tinham uma pegada Rock muito boa, e logo souberam mixar muito bem o sotaque “Disco Music” com o Rock trazendo para o som das Frenéticas uma mistura muito interessante.


Foto: (Rogério Duscable)

Nessa banda estavam, o baterista Edinho, o baixista Marcos Lessa, seu irmão o guitarrista Mimi Lessa, o tecladista e compositor de vários sucessos Ruban Barra e eu completava os arranjos de naipe de sopros com meu saxophone. Foi uma época incrível, o sucesso era enorme, quando saíamos do eixo Rio-São Paulo, era uma verdadeira loucura. Por muitas vezes, tivemos que sair dos hotéis onde nos hospedávamos com cordão de isolamento e batedores de polícia para nos levar em segurança até os ginásios. Pude ver ali, comigo ainda tão jovem a verdadeira sensação do sucesso. E vou lhes dizer: é maravilhoso! A música está sempre em primeiríssimo lugar, mas aquilo me dava uma impressão de estar tocando com os Rolling Stones, entendem? Muitas vezes, tínhamos que sair com duas, as vezes três horas de antecedencia para chegarmos a tempo nos ginásios, tamanha era a loucura das pessoas, e o trânsito que ficava sempre congestionado.

Ainda lembrando a carreira de Leiloca Neves nos tempos das Frenéticas, existiu uma outra passage marcante que foi a turnê que fizemos com Erasmo Carlos e o saudoso compositor Sérgio Sampaio em 1981. Foi nessa turnê, que eu fui apresentado ao Erasmo pelo fundador da Black Rio, o saxofonista Oberdan Magalhães. E foi uma turnê espetacular! Inesquecível com os ginásios totalmente lotados, e em várias cidaddes nós tivemos que fazer sessões dupla, pela multidão que se formava ao redor dos ginásios.



Os pedidos eram atendidos, e eu não acreditava quando os empresários nos pagavam em dinheiro ainda dentro do camarim, o Show da segunda sessão. Amigos, eu confesso que era bastante cansativo fazer dois Shows numa mesma noite, mas parem pra pensar, nós éramos jovens, com a carreira bem no começo, e eu tenho que admitir que adoro ser bem remunerado pela música que faço. Tenho esse péssimo defeito (Risos). Era muito dinheiro, e ninguém recusaria tal proposta. Eu pensava: Tá cansado Beto Saroldi? Tem muito tempo para dormir, quando você chegar ao Hotel, você dorme, e seu bolso está cheio de dinheiro! Quer melhor do que isso?



Bem, muito tempo se passou, muitas coisas aconteceram, as Frenéticas foram as primeiras contratadas da Warner Music, que acabara de se instalar no Brasil, e seu primeiro compacto com a música “A Felicidade Bate a Sua Porta” composição de Gonzaguinha, foi uma explosão nas rádios e seu primeiro album “Frenéticas” vendeu 150 mil cópias recebendo disco de ouro. Ainda fizeram mais três discos pela Warner. Mas com Sandra Pêra e Regina Chaves deixando o grupo em 1982, as Frenéticas ainda assinaram contrato com a gravadora Top Tape, mas seu ultimo album lançado por esse selo não fez tanto sucesso e o grupo se desfez em 1984.

Mas Leiloca é daquelas mulheres que não conseguem ficar paradas, sua cabaça está sempre recheadas de boas ideias, sua carreira como astróloga vai muito bem, recebe muitos convites de mapa astral, está sempre com agenda lotada, mas ela é, e será sempre uma artista, nós artsistas não conseguimos ficar longe do palco, longe da energia das pessoas que vão ali para nos assistir. Isso nos alimenta muito, e com Leiloca não é diferente. Nos tornamos amigos há muito tempo, e ela manifestava vontade de fazer o seu Show solo, e conversávamos muito sobre isso.

Ela não queria repetir o formato que fazia com as “Frê”, e eu a entendo. Até que um dia ela me telefonou, e disse: E aí? Vamos fazer o Show? Você pode? Quer assinar a direção musical de meu Show? Eu pensei, pensei, e mesmo com tantas atividades que tenho, com meu Studio de gravação (Que me toma muito tempo, agora escrevo essa coluna dentro dele por exemplo), as composições, as produções fonográficas de outros artsistas, ainda escrevo aqui no Portal e na revista Evidência Cosmopolita, e cada vez mais, estou dando mais atenção a minha carreira solo, mesmo assim eu topei mais esse disafio, afinal era um pedido da Leiloca, e eu tinha que fazê-lo com a maior competencia.



Comecei a pensar na formação, então convidei meu amigo e pianista João Bosco, pianista experiente, que faz parte da banda Vitória Régia de Tim Maia, e pensei numa “Cozinha” baixo e bateria com uma formação de músicos mais jovens. E convidei o baterista Sérgio Naciffe, que trabalhou no DVD que gravamos juntos com Erasmo Carlos, e o baixista Gustavo “Groove” Garcia. Acho que foi uma ótima formação, juntando a experiência de João Bosco e a juventude e o vigor de Naciffe e Garcia, sob minha direção.

Fizemos vários ensaios aqui em meu Studio, o som começou a fluir, Leiloca inteligentemente foi focando seu som para Blues, e foi nos trazendo composições dela com Soninha Bonfá, outra grande amiga, nos apresentou a música “Eu Não” um Blues de Ângela Rô Rô, um blues muito bom por sinal. “Asa” de Djavan foi escolhida para abrir o Show. Ela nos trouxe também “Ave Maria” que achei melhor ser um momento totalmente intimista, e deixei-a apenas  muito bem acompanhada de Bosco aos teclados, num momento de muita interpretação e emoção. Tivemos outra surpresa maravilhosa, Leiloca achou em fita K7 uma canção que nosso queridíssimo Eduardo Dussek tinha feito para ela, e claro tinha que estar no repertório.


Foto: (Rogério Duscable)

Ouvimos aquela fita (Ainda possuo um bom gravador K7 aqui no Studio), mas é claro que não é uma audição das melhores, mas isso ficou em segundo plano, porque eu estava muito interessado na canção que Dussek batizou de “Apocalypse Elegante”, e a música é realmente linda, e nos deu um momento meio “cabaré” muito interessante. Dussek é um craque! “A Notícia” do mestre Nelson Cavaquinho entrou também no repertório, que foi completado com uma versao à lá “Sade” de “Perigosa” das Frenéticas e bolamos o “bis” com nada menos do que “Dancing Days”.

Acabamos de estrear o Show “Leiloca.com” no Teatro do Café Pequeno no Leblon Rio de Janeiro, e fizemos o Estúdio I com simpatissíssima Maria Beltrão na GloboNews, que ainda teve a presença marcante de Artur Xexeo, grande patrimônio cultural em nosso país, além de grande tricolor como eu. Aqui na foto na GloboNews, estão: Gustavo Garcia, Sérgio Naciffe, João Bosco, eu, Maria Beltrão, Leiloca e Artur Xexeo.



Convites para Shows estão aparecendo depois que estivemos na TV, e acho que tem tudo a ver irmos para São Paulo com esse Show, e depois fazermos as capitais pelo Brasil. Afinal, é Leiloca.com. Essa “garota” dinâmica que está caindo na gandaia novamente, agora com uma otra roupagem com sotaque próprio, ligada ao Blues, cheia de energia e alegria. E o Show tem que continuar amigos!

Beijos & abraços e até a próxima!

Beto Saroldi

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