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Bate papo com Rafael Moraes
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Não foi à toa que Rafael Moraes nasceu em uma das mais importantes avenidas do mundo, principal centro financeiro e cultural do país, ícone máximo dos paulistanos. Parecia que Sampa já previa que ali, na Avenida Paulista em meados de 70, reduto de músicos, poetas e escritores, mais um deles surgiria. Castro Alves já descrevia na década de 60, a nossa cidade como aspiração artística, "...sonhamos São Paulo o oásis da liberdade e da poesia...". Trecho que o escritor Luis Galvão cita ao descrever a passagem dos Novos Baianos por São Paulo e o encontro deles com Caetano, Jorge Ben, Roberto Carlos e Elis Regina. "...Devo dizer-te que houve aqui um brilhante sarau literário. Pianistas, cantores, oradores, valsadores, virtuoses...". Saraus estes que Rafael vivenciou em sua infância, quando a sua casa era frequentada pelos amigos Elis, Tom Zé, Renato Teixeira e Arrigo Barnabé. Filho de Jornalista que escrevia sobre música brasileira e jazz, dono de uma vasta discoteca e biblioteca caseira, Moraes cresceu ao meio de instrumentos musicais e logo se apaixonou pela percussão em plena Paulicéia desvairada. "...São Paulo não é Brasil... é um trapo do pólo pregado a goma arábica na fralda da América", finaliza com maestria o poeta Castro Alves. (Citação do livro Anos 70 Novos e Baianos de Luiz Galvão, Editora 34).
Com apenas 35 anos, Rafael Moraes, músico, percussionista, produtor musical e DJ, tem um currículo de dar inveja a qualquer mortal. Tocou e acompanhou músicos como Paula Lima, Elza Soares, Nando Reis e Rogério Flausino. Remixou hits de Jota Quest, Cláudio Zoli e o selo franco-brasileiro Urban Jungle. Na Rádio Eldorado foi produtor musical do programa “Em Cena” de Chris Mello e do “Beats Eldorado”. Durante anos participa do WMC em Miami, onde toca nas mais quentes festas de Deep House. Já tocou nos maiores e melhores clubs brasileiros, além de casas glamurosas como o Djoon de Paris e o Garito Café em Palma de Mallorca na Espanha. Juntamente com Ale Reis e André Torquato, forma o grupo Nomumbah que mistura música eletrônica com ritmos latinos e africanos, jazz e soul.

Com tanta música na veia, minha curiosidade era saber como toda essa vivência influenciou a sua carreira e como foi a transição para a produção musical. Eis aqui o nosso bate-papo: "Na verdade eu nunca separei uma coisa da outra, discotecar, tocar, fazer música sempre foram a mesma coisa para mim. Faço isso desde muito pequeno, gravava fitas K7 com seleções, discotecava em festas da escola, tocava percussão, bateria em festivais inter-colegiais, violão na fogueira, etc. Na época do Hip Hop, eu ia até a estação São Bento do Metrô ver os DJs se apresentarem, colecionava discos do Run DMC, Ice T e grandes ícones da época. Nesse momento decidi que queria isso, adorava ver os DJs e o que eles faziam com os toca-discos. Comecei a trabalhar em uma loja de discos com o Jay Mahal, que tinha um programa diário na Brasil 2000 e fazia festas semanais no Dama Xoc e Aero Anta. Aos 15 anos passava o dia numa rádio e a noite tocava como auxiliar. A produção musical foi um caminho natural de querer fazer minha própria música, fuçar as baterias eletrônicas, sintetizadores, gravar ao vivo as congas, bongôs, efeitos de percussão e adicionar aos demais instrumentos.
Eu particularmente sempre achei que DJs que são músicos levam alguma vantagem e se diferenciam na cena eletrônica. Perguntei ao Rafa sobre a importância da formação musical para a carreira de um DJ.
"Ser músico não é uma premissa para ser DJ, mas lhe ajuda a alcançar vôos mais altos. Se você quiser "apenas" tocar a música dos outros, pode se tornar um DJ local de renome, viajar com seu trabalho, mas para ter portas abertas hoje, nessa industria, ser um produtor e ter bons releases em selos importantes é uma premissa. Porém, ser músico e DJ lhe propicia um espectro mais amplo, abre a possibilidade de criar sua própria música e apresentá-la ao público, testar o que funciona, alterar as criações até que ela chegue ao ponto esperado. E obviamente te faz discotecar com mais propriedade, já que conhece harmonia, melodia, frequências, contagem de compassos, etc..."
Bom, minha vontade é de ver o Rafa em ação, misturando set e percussão. E a curiosidade maior fica na construção do set. Como será colocar tudo isso no liquidificador e ir para as pistas?
"Já toquei percussão junto com DJs, já coloquei alguns instrumentos como bongôs e congas ao lado do DJ set para fazer intervenções, mas normalmente toco com Discos e CDs. A construção de um set é uma coisa muito particular, eu tento misturar minhas referências, exclusividades e músicas de efeito forte na pista, sempre dosando bem a quantidade de cada uma... Mas esse é o segredo de cada DJ, o que torna um "melhor" que o outro... Só vendo ao vivo... Derramar os Hits do momento durante 02 horas na minha opinião é uma deturpação do trabalho do DJ, que envolve pesquisa, garimpagem em sites e lojas de disco, pesquisa em determinado gênero/s. Plugar seu iPod com a playlist das melhores da semana e se dizer DJ na minha opinião é a mesma coisa que eu mandar meu laptop com uma playlist e mandar apertar play. Quanto a interação entre meu lado DJ e instrumentista, posso dizer que é um projeto que esta em andamento, pretendo em breve me apresentar fazendo ambos..."
Bom, pra finalizar quero saber sobre os novos projetos em primeira mão. Conta pra gente o que rola Rafa?
"Bom, existe o Nomumbah Radio Show, que é a versão internacional do Beats, veiculado em Londres (www.pushfm.com), ParisDeeper (www.paris-one.com), Athenas (www.smoothtraxx.gr) e Montreal (www.motionfm.com). Estou trabalhando nesse projeto solo de misturar instrumentos de percussão e discotecagem, ainda não decidi nome nem o formato, se utilizarei computador e softwares com uma playlist pré-determinada, ou CDJs e Toca-Discos. O Nomumbah esta com um EP a ser lançado por um importante selo no Brasil e o nome tem crescido na cena undreground. Paralelamente, estamos trabalhando no novo disco, que deve sair no segundo semestre de 2010. A festa GoDeep!, parceria minha com MIlton Chuquer, re-estreia no dia 12 de Maio no Dorothy Parker com o DJ candense Jojo Flores (Gotsoul) como convidado e iniciarei minha residência no clube as quartas-feiras. Estamos criando uma noite de Deep e Soulful House onde convidaremos músicos para se apresentarem no palco junto aos DJs e grandes DJ para sets com o olhar no lado underground e sofisticado da House Music, misturando clássicos, novidades e hits que fizeram época, mas que não são descartáveis. A festa Sunday Sessions, parceria minha com o canadense Tim Adams, esta também procurando uma casa nova para animarmos os domingos com a mistura de Soul, Jazz, Broken beats e Deep House. Aguardem!!!"
Sensível porém rigoroso, detalhista e verdadeiro, praticamente visceral, Rafael é um apaixonado pelo que faz e a música certamente é o seu refúgio pessoal. "Ou você respeita a música ou não; música não é feita apenas para se escutar em casa, é uma maneira de se expressar. A maneira como cada um lida com a música é o que faz a diferença."
E o Rafa faz a diferença nas pistas! Eu já vi e garanto. Para maiores informações visite os sites www.myspace.com/nomumbah, www.kizum.com.br ou baixe as músicas pelo www.soundcloud.com/rafaelmoraes. Para você que curtiu a entrevista com o músico, produtor e DJ Rafael Moraes, fique atento a agenda do mês. Vale a pena conferir uma de suas festas.
12.05 GoDeep! (Dorothy Parker)
15.05 Future Sounds Of Brasil (Live Stage)
22.05 Virada Cultural/Santos
Quartas-feiras@Dorothy Parker
Urban Beats@Sonique (A confirmar data)
Se você quiser sugerir pautas para a minha coluna, me escreva dj@anajohn.com.br
Até a próxima!
Com apenas 35 anos, Rafael Moraes, músico, percussionista, produtor musical e DJ, tem um currículo de dar inveja a qualquer mortal. Tocou e acompanhou músicos como Paula Lima, Elza Soares, Nando Reis e Rogério Flausino. Remixou hits de Jota Quest, Cláudio Zoli e o selo franco-brasileiro Urban Jungle. Na Rádio Eldorado foi produtor musical do programa “Em Cena” de Chris Mello e do “Beats Eldorado”. Durante anos participa do WMC em Miami, onde toca nas mais quentes festas de Deep House. Já tocou nos maiores e melhores clubs brasileiros, além de casas glamurosas como o Djoon de Paris e o Garito Café em Palma de Mallorca na Espanha. Juntamente com Ale Reis e André Torquato, forma o grupo Nomumbah que mistura música eletrônica com ritmos latinos e africanos, jazz e soul.

Com tanta música na veia, minha curiosidade era saber como toda essa vivência influenciou a sua carreira e como foi a transição para a produção musical. Eis aqui o nosso bate-papo: "Na verdade eu nunca separei uma coisa da outra, discotecar, tocar, fazer música sempre foram a mesma coisa para mim. Faço isso desde muito pequeno, gravava fitas K7 com seleções, discotecava em festas da escola, tocava percussão, bateria em festivais inter-colegiais, violão na fogueira, etc. Na época do Hip Hop, eu ia até a estação São Bento do Metrô ver os DJs se apresentarem, colecionava discos do Run DMC, Ice T e grandes ícones da época. Nesse momento decidi que queria isso, adorava ver os DJs e o que eles faziam com os toca-discos. Comecei a trabalhar em uma loja de discos com o Jay Mahal, que tinha um programa diário na Brasil 2000 e fazia festas semanais no Dama Xoc e Aero Anta. Aos 15 anos passava o dia numa rádio e a noite tocava como auxiliar. A produção musical foi um caminho natural de querer fazer minha própria música, fuçar as baterias eletrônicas, sintetizadores, gravar ao vivo as congas, bongôs, efeitos de percussão e adicionar aos demais instrumentos.
Eu particularmente sempre achei que DJs que são músicos levam alguma vantagem e se diferenciam na cena eletrônica. Perguntei ao Rafa sobre a importância da formação musical para a carreira de um DJ.
"Ser músico não é uma premissa para ser DJ, mas lhe ajuda a alcançar vôos mais altos. Se você quiser "apenas" tocar a música dos outros, pode se tornar um DJ local de renome, viajar com seu trabalho, mas para ter portas abertas hoje, nessa industria, ser um produtor e ter bons releases em selos importantes é uma premissa. Porém, ser músico e DJ lhe propicia um espectro mais amplo, abre a possibilidade de criar sua própria música e apresentá-la ao público, testar o que funciona, alterar as criações até que ela chegue ao ponto esperado. E obviamente te faz discotecar com mais propriedade, já que conhece harmonia, melodia, frequências, contagem de compassos, etc..."
Bom, minha vontade é de ver o Rafa em ação, misturando set e percussão. E a curiosidade maior fica na construção do set. Como será colocar tudo isso no liquidificador e ir para as pistas?
"Já toquei percussão junto com DJs, já coloquei alguns instrumentos como bongôs e congas ao lado do DJ set para fazer intervenções, mas normalmente toco com Discos e CDs. A construção de um set é uma coisa muito particular, eu tento misturar minhas referências, exclusividades e músicas de efeito forte na pista, sempre dosando bem a quantidade de cada uma... Mas esse é o segredo de cada DJ, o que torna um "melhor" que o outro... Só vendo ao vivo... Derramar os Hits do momento durante 02 horas na minha opinião é uma deturpação do trabalho do DJ, que envolve pesquisa, garimpagem em sites e lojas de disco, pesquisa em determinado gênero/s. Plugar seu iPod com a playlist das melhores da semana e se dizer DJ na minha opinião é a mesma coisa que eu mandar meu laptop com uma playlist e mandar apertar play. Quanto a interação entre meu lado DJ e instrumentista, posso dizer que é um projeto que esta em andamento, pretendo em breve me apresentar fazendo ambos..."
Bom, pra finalizar quero saber sobre os novos projetos em primeira mão. Conta pra gente o que rola Rafa?
"Bom, existe o Nomumbah Radio Show, que é a versão internacional do Beats, veiculado em Londres (www.pushfm.com), ParisDeeper (www.paris-one.com), Athenas (www.smoothtraxx.gr) e Montreal (www.motionfm.com). Estou trabalhando nesse projeto solo de misturar instrumentos de percussão e discotecagem, ainda não decidi nome nem o formato, se utilizarei computador e softwares com uma playlist pré-determinada, ou CDJs e Toca-Discos. O Nomumbah esta com um EP a ser lançado por um importante selo no Brasil e o nome tem crescido na cena undreground. Paralelamente, estamos trabalhando no novo disco, que deve sair no segundo semestre de 2010. A festa GoDeep!, parceria minha com MIlton Chuquer, re-estreia no dia 12 de Maio no Dorothy Parker com o DJ candense Jojo Flores (Gotsoul) como convidado e iniciarei minha residência no clube as quartas-feiras. Estamos criando uma noite de Deep e Soulful House onde convidaremos músicos para se apresentarem no palco junto aos DJs e grandes DJ para sets com o olhar no lado underground e sofisticado da House Music, misturando clássicos, novidades e hits que fizeram época, mas que não são descartáveis. A festa Sunday Sessions, parceria minha com o canadense Tim Adams, esta também procurando uma casa nova para animarmos os domingos com a mistura de Soul, Jazz, Broken beats e Deep House. Aguardem!!!"
Sensível porém rigoroso, detalhista e verdadeiro, praticamente visceral, Rafael é um apaixonado pelo que faz e a música certamente é o seu refúgio pessoal. "Ou você respeita a música ou não; música não é feita apenas para se escutar em casa, é uma maneira de se expressar. A maneira como cada um lida com a música é o que faz a diferença."
E o Rafa faz a diferença nas pistas! Eu já vi e garanto. Para maiores informações visite os sites www.myspace.com/nomumbah, www.kizum.com.br ou baixe as músicas pelo www.soundcloud.com/rafaelmoraes. Para você que curtiu a entrevista com o músico, produtor e DJ Rafael Moraes, fique atento a agenda do mês. Vale a pena conferir uma de suas festas.
12.05 GoDeep! (Dorothy Parker)
15.05 Future Sounds Of Brasil (Live Stage)
22.05 Virada Cultural/Santos
Quartas-feiras@Dorothy Parker
Urban Beats@Sonique (A confirmar data)
Se você quiser sugerir pautas para a minha coluna, me escreva dj@anajohn.com.br
Até a próxima!
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1 Comentário
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29 de Abril de 2010 | 17:48
Marcos Martins
Grande Rafa.
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