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Um dia assim
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Autor: Nilton Bustamante
Um dia assim como não se quer fazer nada, a não ser viver.
Um dia assim, persianas semi-abertas para manter-se um certo ar, um certo jeito em que a penumbra é bem-vinda.
Ficar sentado no sofá, jogado sem forças pra mais nada, a não ser pensar, pensar, pensar...
Um dia assim como não se quer fazer nada, a não ser viver.
Entender o que se busca, mesmo sem querer...
Não ser cego, mas não enxergar, como pode ser? Estar-se acostumados a ver o comum, mas o comum sempre some ao cotidiano dos olhos. Foca-se demasiadamente os exteriores. Ou por medo, ou por costume, não se aprofunda pelos interiores. Procura-se saber sobre o solo, sobre as raízes, mas não se pesquisa o quanto da seiva precisa para manter uma folha. Busca-se o beijo, como se cada beijo fosse a própria cama. Mas, o beijo é outro sonho, mágico tapete que traz o frio de outros cantos, outros encantos.
Quando motivado e num impulso procurar fazer o bem, levar a caridade, suprir algo que está ao alcance em favor de alguém que necessita muito mais... É sair de si. É deslocar-se do próprio ego ensaiando para entrar no ‘maternal’ do amor para adaptar-se e qualificar-se para estudos mais elevados na Pátria Espiritual.
Um dia assim como não se quer nada a fazer, a não ser escrever.
Deixar alguma marca, algum registro, para quem quiser ver...
Um dia assim, querer fazer mais amigos, esquecer-se se há talvez inimigos.
Buscar fotografias mentais para não se esquecer da própria existência. Saber-se personagem de muitas estórias, na História dos tempos e dos acontecimentos. Quantas vidas inflaram os pulmões pela primeira vez? Quantos suspiros entregando a ampulheta sem mais grão algum de areia escorregadia?
O que parecia que nunca iria passar, torna-se tão sem sentido. Tão esquecido.
Um dia assim, da alma persianas semi-abertas para manter-se um certo ar, um certo jeito em que a penumbra deixa penetrar alguns filetes de luz se aventurar...
Fazer de si tela de cinema, luz mostrando partículas de pó do tempo em suspensão e seguir até onde for possível, até onde vai dar.
Um dia assim como não se quer fazer nada, a não ser viver.
Jervy Hou: 
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