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Morte nas Avenidas

Morte nas Avenidas

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“Ai, que saudades!”. Refleti muito ao ler em um artigo publicado numa famosa revista brasileira de viagem e turismo que os típicos mendigos de Paris estavam fazendo falta pelas ruas. A revista é de dois anos atrás, e o que importa não é o fato em si e sim nossa reflexão sobre o assunto.

Esses andarilhos provocavam em Paris, para o autor do texto, um gosto de verdade gratuita. Sentimento de pura realidade. Os pobres mortais eram (e são) parte cinzenta da cidade das luzes. Sentados nos bancos da menina francesa, captam os mais diversos olhares e apontam para a conclusão de que eles estão em toda parte do mundo. O pedido é universal.

Mendigo assusta muita gente. Toca nosso coração. Você pode ser rico, pobre, louco ou são, mas já se sentiu influenciado por uma cena dessas: baixar ou não o vidro para entregar uma triste migalha? Negar centavos com cara de nojo ou oferecer esperança ao outro? Ou então já fez questão de perguntar o que aquela figura iria fazer com a moeda ou a nota doada por você, certo?

O ato de mendigar pode ser visto como um exercício de humilhação. Tem que ter coragem para pedir, implorar e gritar por dinheiro nos faróis da vida. Tem que ter sangue frio para ignorar o problema. Faz parte de nós.
Na capital catarinense, por exemplo, campanhas apresentam um estímulo para a população não alimentar os pedintes com dinheiro, e sim com roupas e alimentos. Para muitos, pedir é pura mulecagem. Para outros é uma saída para a sobrevivência. O que você pode fazer?

Em Balneário Camboriú observamos hoje um número maior de moradores de rua. Consequência do aumento da população, ao mesmo tempo em que faltam mais políticas públicas de Desenvolvimento Social.  As duas afirmações sinalizam que temos que pensar grande para o problema não virar maior.
Turismo é cultura, é desenvolvimento econômico.... E turismo também é uma questão social! Pode faltar tudo, menos pedidos de ajuda pelas ruas. Se a escala ainda não é assustadora, pode aumentar, e o poder que é público na teoria, na prática precisa ser plural.

Refletir sobre gente na rua é um pensamento que precisa ser levado para a casa. Semana passada voltei a lembrar da frase “saudades dos mendigos de Paris” daquela revista quando ressuscitei uma frase de Caetano Veloso no Facebook. “Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”. É tão cruel quanto linda. Saborosa e irônica quanto tantas outras relíquias do mito Veloso.  Resume nosso poder de comodismo e uma rica intenção sobre a vida: querer o que é pronto sem precisar fazer (mais) nada.

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2 Comentários

  • 08 de Fevereiro de 2011 | 20:12

    Barbara Reiter

    Mauricio, ainda está cheio de mendigos em Paris. Só sentar-se do lado de fora do George V, no Champs Elysées, dali a pouco aparecem as árabes com as cabeças cobertas mendigando. Não sei de que país elas procedem, mas são muitas e a cada passo encontramos várias delas.
    Lógico que também há árabes riquíssimos em Paris. E estão comprando todos os hotéis de luxo da cidade.
    Bom seria o mundo onde não houvessem mendigos, com todos de barriguinha cheia e felizes.
    Bjs!

  • 07 de Fevereiro de 2011 | 19:52

    rosana souza

    Nossa, essa frase do final diz mesmo tudo, os seres humanos são muito cômodos. Adorei essa frase. Posso copiar pro meu facebook? avise ao colunista que estarei copiando.. pode?

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