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Hábitos culturais da alimentação: o que é certo comer?
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Culturalmente, nós, ocidentais, deixamos muito a desejar com relação aos orientais em termos de hábitos alimentares, sobretudo nos comparando com os japoneses, que prezam pela refeição saudável e balanceada. Sua sabedoria implícita coaduna com os favorecimentos geográficos sob o ponto de vista de que o Japão tem no mar sua principal fonte alimentícia.
Como bem o sabemos, a carne de peixe é muito mais saudável que a dos rebanhos à qual estamos acostumados a comer; também é melhor que a carne das aves, embora estas não sejam tão nocivas quanto a carne de boi, por exemplo. Por outro lado, tanto no Japão quanto na Europa a carne de porco é muitíssimo mais apreciada que aqui, e esta é pior que a do gado bovino.
Contudo, o problema maior está no modo de preparar os alimentos, principalmente as carnes; também na quantidade de alimento que ingerimos e na sua variedade à mesa. No que se refere à saúde, sabemos que exageramos no tempero e na fritura, comemos além da nossa necessidade e propendemos a comer mais alimentos ricos em amido e gordura. Assim é que prejudicamos nossa saúde apenas com os nossos hábitos.
A gordura, em especial, conquistou lugar de destaque em nossa sociedade, pois é ela que dá sabor à carne e a muitos outros alimentos, mesmo quando de procedência vegetal. Quem no Brasil não prefere uma batata frita a uma cozida, uma alcatra gorda a um filé de peixe grelhado? Salvo exceções, a preferência brasileira é evidente, flagrada especialmente pelo sucesso dos fast foods.
Mas, se o erro é flagrante no novo hábito pelos lanches rápidos, há muito mais a conhecer acerca dos nossos hábitos, bem como do quanto eles podem nos fazer mal. Em costumes dos mais tradicionais, perceberemos como nossa vida poderia ser melhor, mas não é graças aos nossos maus hábitos alimentares.
A começar do desjejum, há mais regras que podemos suportar, e todas tão divergentes entre si que nos assustam, nos roubam as certezas e nos deixam na encruzilhada entre o certo e o errado, o que resulta, quase sempre, em equívoco e, infelizmente, mal-estar. Por isso, o mais indicado é aprender com o próprio organismo, colocando toda atenção no que lhe faz bem ou mal para então se ajustar a isto.
No mais, bastam alguns poucos conhecimentos lógicos para que você tire uma linha saudável para seu estilo de vida e seu ritmo orgânico. A manhã, por exemplo, compara-se à primeira infância no sentido de que após o nascimento, o organismo, que esteve muito tempo adormecido, precisa se habituar lentamente aos alimentos, sendo isto o que também ocorre pela manhã, após longas horas de inatividade digestiva.
Na verdade, seu sistema esteve se empenhando, durante as horas de repouso, a promover a faxina orgânica. Há, portanto, muito lixo para recolher e jogar fora e se no quintal da sua casa, após a vassoura e as folhas recolhidas o melhor é um bom balde de água, com seu corpo é o mesmo: nada como a água, aos goles, para promover o despejo do lixo acumulado durante a noite. Comer, idealmente, só depois de sentir o esvaziamento intestinal.
Ainda há tempo de dizer que isto de nada valerá se você não proporcionou um bom descanso ao seu organismo, de preferência, respeitando o funcionamento do fígado, que é o principal faxineiro interno, mas gosta de sossego enquanto trabalha. Por isso é que a sesta é um hábito extremamente saudável.
Comer muito à noite porque não se tem tempo suficiente de dia é um dos piores hábitos sob o ponto de vista deste nosso faxineiro. Até porque à noite, ele capricha mais na limpeza, e se ficar cansado por excesso de trabalho, acaba indo descansar antes do tempo e deixando resíduos para trás, o que para você pode significar indigestão, pesadelos e um decorrente mau funcionamento dos intestinos.
Se você ainda não sabe, o seu humor está intimamente relacionado com o humor do seu oficial-mor de faxina, o fígado. Se ele encontrar dificuldade em seu trabalho, fará com que você fique mal-humorado. Para agradá-lo, você deve dar a ele, nas horas de descanso, uma xícara de chá de boldo, que é seu preferido. Mas se ele for preguiçoso, force-o a trabalhar com doce, que age sobre ele como a chibata no dorso no cavalo.
O sistema digestivo num todo também é caprichoso, o que nos remete para o costume de comermos doces após as refeições. Quando o fazemos, não importa o momento, o sistema acusa a presença de açúcar, que a seu ver é o “produto final” do seu trabalho, e simplesmente para de promover a desintegração dos alimentos sólidos que logo fermentarão formando gases com cólicas muitas vezes insuportáveis.
Não adianta substituir doce por fruta, pois o efeito com elas será o mesmo, já que as frutas são as principais fontes de glicose. Estas, apesar das inúmeras possibilidades nos cardápios, devem ser ingeridas apenas nos momentos em que o estômago estiver vazio. Elas são excelentes, desta forma, para nutrir o corpo com vitaminas e o cérebro glicose, indispensável para atividades mentais.
Sucos, refrigerantes e água de coco, todos estes também se encaixam no padrão da fermentação que causa flatulência; mas também o ketchup, o molho agridoce, o molho rosado, e toda aquela variedade de iguarias que misturam doce com salgado, que são tão comumente usados à mesa hoje em dia e desde sempre em cardápios como o marroquino, por exemplo.
Se a pessoa, além de ingerir doce com a refeição salgada, não é adepta da caminhada, os gases não são totalmente expelidos e seu acúmulo é ainda mais prejudicial, e a pessoa muitas vezes passa da prisão de ventre para a diarréia e vice-versa, estabelecendo um ciclo vicioso altamente nocivo para a saúde que em geral também causa celulite e obesidade. E tudo por causa do hábito estabelecido.
A quantidade de comida ingerida às refeições também pode estar relacionada aos costumes e ao estilo de vida. Em São Paulo, como é comum às grandes metrópoles, a miscigenação é maior, donde se concluirá que a variedade cultural também o seja, o que nos impede de tirar uma única tendência alimentar. Todavia, o ritmo acelerado, nervoso, é um fator comum que afeta a todos, tirando tempo de comer da maioria.
Neste aspecto se encontram dois fatores importantes: o hábito de se fazer pelo menos mais uma atividade em conjunto com a refeição, como discutir uma pauta de reunião, ler o jornal, verificar as contas a serem pagas etc., e o de eleger uma das refeições para nela concentrar uma quantidade maior e exagerada de alimentos. Em geral, esta é no almoço que se procura concentrar tudo isso.
Tirando o fato de que para cada tipo sanguíneo há um tipo mais adequado de alimentação, sendo este um pensamento aparentemente restrito à visão da medicina ortomolecular, é de opinião geral, nos dias de hoje, que o ser humano deve se alimentar mais vezes de menores quantidades de alimentos.
A solução é ideal desde que se consiga dosar bem as qualidades de alimentos servidos em cada porção, variando entre frutas, fibras, carboidratos, proteínas e líquidos, e incluindo uma programação eficaz de atividades físicas que permitam ao organismo produzir para si uma rotina mais leve de trabalho, o que certamente irá gerar mais saúde e bem-estar a pessoa.
A água deve ter uma atenção especial sempre, sendo ela o líquido essencial da vida. Quanto a isto, o melhor é bebê-la aos goles entre refeições, de preferência gelada, que garante uma rápida absorção, e pelo menos um total de dois, três litros, se possível, por dia. Os japoneses, de uns tempos para cá, têm desenvolvido o hábito de tomar água logo ao acordar para ajudar na eliminação das toxinas concentradas pela manhã, e isto tem lhes garantido maior qualidade de vida.
Não há regras rígidas a serem seguidas. O principal é percebermos que de fato nosso corpo precisa de bem menos que comemos, pois quanto à forma, o hábito, isto cada um desenvolverá o seu conforme os indícios do seu próprio organismo.
Não obstante, o terceiro milênio descortinará verdades que irão mudar todos os nossos hábitos a partir do momento em que a escassez aumentar e nós descobrirmos que no ar e na água, encontrando as maneiras próprias de lidarmos com estes elementos, se encontram nossas principais fontes alimentícias, precisando ser complementadas pouco por outras fontes, graças, talvez, a uma pequena deficiência da natureza para com a composição da água, principalmente.
Até lá, coloque o foco na saúde do seu corpo e no futuro do planeta.
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