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Ainda Somos Crianças

Ainda Somos Crianças

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O pensamento é sombra do sentimento. É o passado alisando a alma enganada. E quando vem a surpresa passageira, só nos resta o momento consolador. Toma o nosso corpo aquela mania doce de brincar com os órgãos genitais molhados de gelo.

Enrolo os cabelos noite e dia. Sinto-me cansado por estar tomado por um sentimento desequilibrado de amor, misturado com doses altas de paixão. O que acontece com meu corpo, mente e espírito? Liberdade.

Quando li, através de um trecho poético de Clarice Lispector, com uma personagem cheia de angústias, que disse que “a liberdade ofende”, eu sorri para a tela do meu mini-computador, e identifiquei-me. “Ali estou”, conclui. Não, exatamente aqui é que estou: no banco da sala, ao lado de um cachorro que todos amam, saboreando meu chocolate.

Nem a chuva me faz dar importância para o dia. O meu mundo interior é mais complexo, importa mais. Assim entendo que a consequência da liberdade esta naquilo que iremos fazer com ela.

Não tomo mais iogurte, mas nem por isso a infância terminou. Saudades do tempo em que as únicas preocupações da tarde eram encerrar o danoninho e fazer xixi.  Ontem mesmo, sonhei com um sorvete de casquinha e com uma casa de duas janelas. Uma para o amor, outra virada para o sexo. Casa que parecia o lar de minha avó. Isso rima com amor.

Loly Furlan deve ter tido umas quatro casas na vida, muda-se muito, amava demais. O problema não é o amor, e sim a falta dele. Não é o amor aquele monstro que assombra. O sentimento é apenas o reflexo do que pensamos. E assim pensamos, demais.

Não existe ninguém que me fez amar mais do que minha avó. O resto é ensaio, desejo, encanto. O resto nem é amor. Se eu estiver passando por mais uma crise existencial, que não seja a última. Os tempos de crise são momentos de interrogação. Podemos querer fugir, matar e ser matado, fantasiar e ser fantasiado, esquecer e até ser esquecido (por alguns). Mas o que não vamos permitir (nunca!) é amar e não ser amado. Isso é um crime para a nossa ansiosa cabecinha.

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3 Comentários

  • 27 de Março de 2011 | 22:42

    inacio carreira

    Caríssimo,
    gostei muito do teu texto de estreia (para mim, pois foi o primeiro que li) que tem muito a ver com o meu texto de estreia (real) no blog cooperativa das letras.
    por isto ou por aquilo gostei muito, me identifiquei.
    abração.

  • 09 de Março de 2011 | 11:08

    Régis Monteiro

    O Conselho de Literatura se orgulha por ter você poeta como presidente. Tens que vie mais para Porto Aelegre MAURÍCIO. Parabéns!

  • 16 de Fevereiro de 2011 | 23:02

    LilianMotta Cancian Lachenski

    Parabéns mais uma vez Maurício.Realmente vc é um artista da literatura!
    Te parabenizo também por fazer parte dêste tão importante site do Ciro Batelli!

    Beijo no coração...continue sempre esmiuçando a literatura nos teus lindos contos!

    Lilian Motta Lachenski- Pianista

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