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A Moda de Amar

A Moda de Amar

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Quando criança aprende a sentir medo de bicho papão e fecha os olhos para o lado obscuro. Tem carência afetiva, não sabe de quem gosta mais ou por quem é mais querida.

Aí vai crescendo. Sente mais o cheiro e o gosto da vida. Quer poder escolher as próprias roupas. Já se cansa de ouvir as histórias sobre Papai Noel e Coelhos da Páscoa. A competição com o outro é algo comum.

Observa cuidadosa as diferenças entre os meninos e as meninas. Vê que eles riem com facilidade e podem fazer piada de tudo e de todos. Mas suas roupas têm mais cores e vidas. Pode se maquiar, arrumar e desarrumar os cabelos. Mas sempre - inevitavelmente, sempre tem que parecer mais bela que as outras.

Não sabe se encontra no calor da mãe o colo de uma vigia ou de uma amiga. Quer esconder seus segredos do pai, mas a figura paterna é tão forte que ela acaba vendo ele nos olhos dos outros. A fantasia se repete, e ela se perde, não sabe o que fazer. Depara-se com atração física, confunde com paixão, supõe que é encanto, denomina de amor. Acaba caindo sem desistir de sonhar. Família é pra vida toda. Tem que aprender, respeitar e aborver o que é bom.

Cansa da própria beleza. Aprende a ser mais forte, quando demonstra um ponto fraco. A tímida vira louca quando tenta ser sincera. Luta por esperança, beira entre a menina boa e a muleca levada, que quer seduzir, conquistar, tropeçar, agarrar e fazer aquilo que eles fazem: não sentir culpa.

Mas será que eles não sentem culpa? Há um ponto comum entre os homens, as mulheres, entre todos nós: queremos que alguém nos trate com exclusividade, mas nós não queremos nem sonhar (ou imaginar) que a nossa vida inteira será passada ao lado da mesma pessoa. Você pode ainda querer um casamento eterno e esperar dividir seu mundinho com o mesmo ser que hoje parece estar ao seu lado, mas lá no fundo o coração grita e pede pra não ficar preso - o que mais queremos é liberdade, sejamos sinceros!

Porque o pensamento, a imaginação e os sonhos são o nosso maior poder sobre a vida. Por exemplo: quantas vezes você se encantou hoje por alguém? Permitiu se apaixonar? O limite somos nós quem oferecemos, mas o desejo também.

E quando o amor perder este encanto, aí não vai mais existir leveza e vida, aí tudo vai ser fácil e mecânico. Aí tudo vai se perder. Até os ultra modernos se contradizem quando confiam no mito que é possível ser feliz sozinho. Sozinho ninguém esta. Porque nossa cabeça é cheia de bichinhos, de gostos e solidões. Ninguém esta sozinho no mundo dominado pela tecnologia e pela poluição. Nosso mundo já é do outro, o segredo é saber se proteger. Estamos o tempo todo rodeados por energias e pessoas, por pesos e medidas.

E aquela criança que grita no centro do coração, que domina o corpo do adulto sonhador, continua repetindo: eu posso amar de novo.

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2 Comentários

  • 19 de Março de 2011 | 21:01

    Alexssandra Caroline

    Maurício que lindo, vim dar uma olhadinha, você falou das crônicas e eu fiquei curiosa.. super bacana. Parabéns!

  • 18 de Março de 2011 | 23:36

    elizangela da costa

    mauricio, menino, que feliz estou em te ver crescendo um grande poeta. P A R A B E N S

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