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Ciro & Vegas

Ciro & Vegas

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Muitas vezes nós, jornalistas, na rotina de dar notícia de forma imparcial, colocamo-nos num estado de coma auto induzido sem perceber. Ou na tentativa de sempre sermos diplomáticos, corremos um risco pior: o de hipotrofiar uma parte vital do cérebro por falta de uso: o cerebelo opiniático.

Ciro Sem Papas Batelli teve um ataque fulminante de sincericídio agudo (seria pleonasmo?) ao iniciar sua palestra no III Congresso da FEBRACOS em Foz do Iguassu (não é erro ortográfico, agora não há mais ç em nome próprio). A palestra foi nota 100: sem rodeios, sem medo de ser feliz ou infeliz, sem receio de desagradar. Não sabia que o famoso ribeirão pretano que virou Mr. Vegas era músico, mas mandou muito bem quando botou a boca no trombone e arrancou aplausos repetidas vezes.

Iniciou com um convite para os confrades que não gostam de jogo, mas estavam cheios de pressa para se tornarem importadores informais das fronteiras paraguaias, que se retirassem. Bumbuns se chumbaram às cadeiras, petrificados.

Falaria Camões sobre a ironia de saber que coisas há e que passam sem ser cridas e coisas cridas há sem serem passadas. Você crê na volta do Cassino da Urca? Se Ciro terá sucesso na luta quixotesca que trava pela legalização do jogo em terras tupiniquins, só as ampulhetas do tempo dirão. Mas eu adoraria ter visto Carmem Miranda no palco e Walt Disney na plateia.
Let’s go back to the ranch. Passado o choque pelo convite a se retirarem, dissertou sobre as belezas naturais Brasil e em especial de Foz do Iguassu. Lembrou-nos que isso foi obra do Divino Arquiteto e que tal destino merecia uma melhor infraestrutura assinada pelos homens. Comparou com o que foi feito em Nevada, numa cidade ferroviária de clima semiárido que estava em decadência: Las Vegas. Tudo construído por mãos humanas. Através do turismo Vegas se tornou um importante polo econômico americano. Ciro fala com propriedade. Assim como seu homônimo conquistou a Babilônia, Ciro conquistou a capital mundial do entretenimento.

Após a palestra, a caminho do paraíso do duty free do Captain James Hook, me senti como se fosse a única torcedora corintiana no meio da geral palmeirense entre confrades exaltados com atitudes beligerantes. Mas como lembrou Jefferson Severino, o único que comigo torcia pelo Ciro Futebol Clube, contra fatos não há argumentos.

Aposto minhas fichas no Ciro. Place your bets.

Beijos da Santa & Bela Catarina,

Bárbara Reiter

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