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Black- Tie comemora data social paulistana

Black- Tie comemora data social paulistana

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Depois de quase 50 anos de história, o tradicional Clube São Paulo, que já reuniu a nata da elite paulistana, fechou oficialmente . E agora reabriu com um grande gala nomeado de Uma Noite em Versalhes, sob a bandeira muito mais nobre: a do Iate Clube de Santos. A festa foi emblemática e reuniu quem é hoje o poder social e econômnico de São Paulo. Agora, quem passar na frente da antiga sede - o casarão na esquina da Rua Dona Veridiana com a Avenida Higienópolis, em Higienópolis - verá um mastro náutico, símbolo do Iate Clube de Santos, que já tomou posse do local. “Estamos voltando para casa”, diz animado o nobre Berardino Antônio Fanganiello, comodoro do Iate Clube de Santos. Uma informação muito preciosa: “Poucos sabem, mas o Iate nasceu nesta casa, em 04 de junho de 1947.”

O fundador foi Jorge da Silva Prado, grande empreendedor da década de 50, conhecido por ter transformado uma de suas fazendas, no Guarujá, em hotel, o famoso Jequitimar. “Naquela época, a família não tinha onde estacionar seus barcos. Por isso, numa reunião com amigos, criou o Iate Clube de Santos”, explica Fanganiello.

Jorge era bisneto de Veridiana da Silva Prado, filha do Barão de Iguape e personagem importante da história da sociedade paulistana. Foi ela que mandou construir em 1884 o palacete renascentista e o transformou num ponto de encontro de intelectuais e artistas.

Há vários registros históricos sobre a beleza da casa e um deles é de uma de suas ilustres freqüentadoras, a princesa Isabel: “Os jardins têm gramados dignos da Inglaterra, a casa domina tudo, há um lagozinho, plantações de rosas e cravos, lindos. Vim de lá encantada.”

Tombada em 2001 pelo Conselho do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo, o Conpresp, a propriedade tem 3.500 metros quadrados de área construída e 5 mil metros de jardins, onde há lagos de carpas e fontes. Há ainda muitas peças de arte, como uma escultura de Victor Brecheret, que ainda está na entrada da casa, um quadro de Almeida Júnior, que reina na biblioteca, além de muitos objetos trazidos da Europa por Veridiana, como porcelanas Sèvres e Limoges, cristais Laliques e móveis art nouveau, moda na época.

O Iate Clube de Santos incorporou o patrimônio - avaliado em R$ 12 milhões -, as dívidas e até mesmo os 172 sócios do Clube São Paulo. “Os antigos contribuintes têm a vantagem de continuar pagando o mesmo valor da mensalidade do Clube São Paulo, R$ 260, até o fim da vida”, diz Fanganiello. Os 580 sócios do Iate pagam mais, R$ 860. “Também poderão freqüentar as outras quatro sedes do clube (Angra dos Reis, Paraty, Ilhabela e Guarujá).” A negociação durou um ano.

O Clube São Paulo só passou a abrir a casa, alugando os salões para festas, em 2002. Nessa época, o número de sócios já havia caído pela metade - tinha apenas 567 contribuintes.

Grande memória paulistana
 
Inspirado nos congêneres londrinos, o clube era um lugar de reuniões de homens - mulheres entravam apenas em datas especiais -, interessados em conversar e beber uísque em confortáveis poltronas de couro. Não havia outro tipo de entretenimento, como piscina ou quadras esportivas. Seu formato não sobreviveu ao tempo. Nem a abertura de seus salões para festas resolveu os problemas financeiros da entidade - ao contrário, rendeu uma guerra com os moradores dos prédios vizinhos, que se incomodavam com o barulho das comemorações.

Obras de melhoria elétrica e hidráulica já começaram. A casa foi toda pintada e o jardim do éden, revitalizado. Há ainda um projeto de iluminação da área externa, que deve ser melhor aproveitada pelos novos donos. O Iate não fala em alugar a casa para festas. “Vamos abrir o espaço para palestras e leilões, ocasiões em que a casa fica aberta a todos”, diz Fanganiello
 
Dona Veridiana

Palco de discussões envolvendo intelectuais, artistas e políticos no século 19, quando era residência de dona Veridiana da Silva Prado, mítica figura da história paulistana, o prédio, fincado num ponto nobre de São Paulo, vive outro tipo de polêmica.

De um lado, o Iate Clube de Santos, dono do imóvel que ocupa quase uma quadra no perímetro formado pela avenida Higienópolis e ruas Dona Veridiana e General Jardim, em Higienópolis.

Do outro, a prefeitura e moradores do bairro --um dos redutos da elite paulistana. No meio, a Universidade Mackenzie e, mais ainda, os seus alunos.

A discórdia: 300 metros de cavaletes metálicos enfileirados pelo clube, formando um biombo que divide a calçada ao meio e deixa só a parte externa livre para o pedestre.

O motivo: afastar os estudantes do Mackenzie (que fica em frente) durante as festas de recepção dos calouros, no início de cada semestre.

O imóvel é uma chácara, com jardins e um palacete típico da elite paulistana da virada do século 20, com influências renascentistas.

Confira as fotos!

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