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1ª conferência LGBT da região da 17ª SDR acontece na próxima quarta-feira em Balneário Camboriú
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Na próxima quarta-feira, dia 14, a Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú vai sediar a 1ª Conferência Regional LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis). Significa pensar nos Direitos Humanos, na Educação, na Segurança Pública e no Turismo.
O preconceito é um assunto que diz respeito a toda e qualquer família, mesmo nos lares que não tenha um homossexual. Você consegue imaginar uma cidade, um bairro, uma empresa, um estado e um país sem a presença dos gays? São eles maquiadores, artistas, chefs, cabeleireiros, jornalistas, políticos, atletas.
Eles estão por toda a parte. Já tentaram mascarar a realidade sexual e diminuir os gays colando a sigla GLS, hoje LGBT, com epidemias como a da AIDS. Conseguiram no início, mas hoje a realidade mundial mostra que a homossexualidade não é uma doença como a OMS - Organização Mundial da Saúde, durante anos, classificou. E os homossexuais estão em todo e qualquer lugar: nas faculdades e na política, nas ruas e nas empresas.
Preconceito
Quando o Governo Federal, alguma Prefeitura Municipal ou mesmo o Governo do Estado de Santa Catarina promove debates para coibir a prática do Bullyng nas escolas, questiono-me: mas o que é o Bullyng senão agressão, violência e perseguição? E quando o Governo Estadual discute o Bullyng, por que o mesmo Governo não aproveita a oportunidade para tentar diminuir os tantos casos de homofobia que temos em nosso estado?
Dizem que Santa Catarina é linda. E realmente vivemos em um estado lindo e privilegiado. Estamos em um estado mais rico econonomicamente do que a maioria do Brasil, temos aqui grandes e fortes marcas e possuímos um grandioso poder natural: ilhas com praias divinas, protegidas pelos deuses. Mas não somos protegidos como deveríamos pelo Poder Público. Santa Catarina é um estado onde o assunto homofobia ainda não é oficializado pelo Poder Público. Que tal enfrentar o medo que se tem de falar disso? A falta de ações revela um atraso que afeta a nossa cidadania e abre espaço para a criminalidade prevalecer.
As ações não caminham sozinhas. Precisamos sonhar coletivamente, acreditar em sintonia e formar uma grande rede de valorização e proteção. Principalmente enquanto alguns políticos ignorarem os movimentos anti-homofobi, temos que obter forças paralelas. Ninguém conquista nada sozinho. Uma Parada da Diversidade sozinha também não é capaz de grandes feitos. Há seis anos nossa capital catarinense apresenta uma grande, alegre e bem organizada Parada, símbolo de cidadania e visibilidade LGBT. No último final de semana aconteceu mais uma edição. Mas ainda falta muito. Falta a Parada conquistar aquilo que realmente precisamos: servir de vitrine política para alcançarmos Leis que coíbam a violência contra a comunidade LGBT. Com ações isoladas, o problema social permanecerá com status de abandono. E o número de mortos continuará aumentando, formando uma triste realidade.
Já estamos observando, com alegria, heterossexuais e profissionais que até pouco tempo atrás não compreendiam assuntos relacionados com os LGBT apoiando as causas da classe. Muitos abraçam a bandeira do arco-íris e querem ver uma realidade menos agressiva. É um movimento pela paz e pelo amor. Não podemos ouvir calados desculpas de políticos, formadores de opinião e outras pessoas que dizem não poder apoiar o movimento LGBT porque a "igreja não permite". Receber votos de ateus eles podem? Em época de eleição o vereador que você votou perguntou se você acreditava em Deus e na Bíblia antes de ganhar sua confiança e simpatia?
O combate
Não estamos discutindo religião, estamos aqui em nome da paz, do amor, e de muitas famílias que sofrem. Temos que respeitar, mas não nos diminuir quando presenciamos centenas de desculpas. Os religiosos deveriam ser os primeiros a apoiar a causa. Não são eles que falam sobre o amor, a família e o bem-estar? E mais: eles também sofrem, e muito, preconceito por terem escolhido uma outra maneira de viver. A discussão tem que ser saudável, harmoniosa, e devemos pensar em primeiro lugar no bem da população. Se uma Lei que coíba a homofobia na cidade for apresentada e aprovada, ela nada vai ter a ver com Casamento e Adoção Gay - porque isso já se tornou mais possível com os avanços do Poder Judiciário. Fica difícil pensar numa cidade turística sem mais respeito e valor aos homossexuais. É um contra-censo querer ser grande, moderna e cosmopolita e, por outro lado, virar as costas para um assunto que o Brasil discute.
Por que continuar falando sobre homofobia? O Governo Federal, através da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, aponta pesquisas que mostram que a cada três dias um homossexual é assinassinado no Brasil. Mas devemos questionar: que falsa maioria é essa? Dividir as pessoas entre "direita" e "esquerda", "maioria" e "minoria" não é o caminho para essa solução que depende de um processo cultural onde qualquer cidadão e cidadã pode colaborar. Antes da Lei do racismo, era permitido fazer piada sobre os negros na TV, em qualquer palco e avenida. Se não fosse a Lei Maria da Penha (que precisa ser mais fiscalizada em todas as cidades), as mulheres chegavam espancadas nas delegacias e ninguém sabia como fazer aquele denúncia porque faltava uma Lei específica que protegesse as vítimas de violência doméstica. A cada três minutos uma mulher é agredida no Brasil. Em três horas, uma criança é violentada sexualmente, e um homossexual, a cada três dias, é assassinado. É por isso que a luta contra a homofobia dependa da sua sensibilidade.
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Balneário Camboriú
Maurício dos Santos é Jornalista...
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