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Guga fala à ALFA sobre como se reinventar

Guga fala à ALFA sobre como se reinventar

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O maior tenista da história do Brasil, que teve de abandonar precocemente a sua profissão, conta à revista as lições que tirou do esporte, que continua com a agenda lotada e mostra que nunca é tarde para se recomeçar.
 
A carreira acabou, mas a vida continua. O maior tenista da história do País, Gustavo Kuerten, falou à ALFA sobre o seu recomeço. O tênis se tornou mais popular em terras brasileiras após a brilhante carreira do atleta que precocemente, aos 31 anos, teve de pendurar a raquete. O motivo? Uma lesão crônica nos quadris que lhe fez passar por duas cirurgias. “A dor começou em meados de 2001. Todo atleta de ponta é obrigado a lidar constantemente com a dor, pois somos submetidos a exigências sobre-humanas. Convivo com essa dor há quase dez anos e vou ter de continuar”, conta. Sobre propagar o seu talento a jovens aspirantes a tenista, ele se questiona. “Como posso incentivar as crianças a jogar tênis sabendo que o esporte de alto rendimento é tão agressivo com o corpo? Bateu um conflito moral. Mas esse é o preço para se destacar em qualquer esporte”, conclui.
 
Agora Guga se reinventa e conta à revista que quando abandonou a carreira, prestou vestibular para teatro, porque sempre desejou vivenciar a rotina de uma universidade. “Isso era quase uma obsessão para mim, que tive de largar os estudos por causa do tênis. Eu queria ter a sensação de estar aprendendo algo totalmente novo”.  Ao contrário do que muita gente acha, a agenda do ex-esportista ainda continua apertada, inclusive, abandonou o curso de teatro depois de dois semestres. “As pessoas acham que só estou curtindo a vida, surfando o dia todo. Mas meu cotidiano é bem atribulado. Há fisioterapia, treinos, trabalho em prol do Instituto Gustavo Kuerten, contratos publicitários, nossos investimentos”, acrescenta.
 
A política é o caminho por que muitos ilustres acabam optando em algum momento da vida, e com Guga não é diferente, pelo menos, convites não têm faltado. “Fui assediado várias vezes por políticos querendo o meu apoio ou que eu me candidatasse a algum cargo. Por enquanto, creio que o meu papel político está no Instituto Gustavo Kuerten”, afirma, referindo-se ao trabalho que desenvolve há dez anos com 450 crianças carentes. Hoje, aos 34 anos, ele tem o mesmo viço que dedicou ao esporte, voltado aos seus novos projetos – que incluem um filho. “Em muitos sentidos a minha vida está apenas começando, tenho tempo para desenvolver uma carreira que venha a ser tão significativa quanto a de tenista. Por isso, não concordei quando quiseram colocar uma estátua minha aqui em Floripa. Já pensou eu passando em frente à minha estátua? Deus me livre!”, ironiza.

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