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Cristina Pereira e Ricardo Blat comemoram 40 anos de parceria, com Pamonha e Panaca

Cristina Pereira e Ricardo Blat comemoram 40 anos de parceria, com Pamonha e Panaca

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Dirigida por Ernesto Picollo, peça tem texto de Rogério Blat e homenageia as grandes duplas cômicas com origem no circo, cinema, TV e histórias em quadrinhos. Espetáculo foi idealizado para o formato de arena e fica em cartaz até 15 de maio, no Tucarena

Dois amigos inseparáveis, que vivem como gato e rato, em plena competição e tentam se sabotar o tempo todo. Este é o fio condutor para o enredo da comédia Pamonha e Panaca, em cartaz no Tucarena, de sexta a domingo, até o dia 15 de maio. Com direção de Ernesto Picollo e texto de Rogério Blat, espetáculo tem dois grandes atores do teatro, cinema e TV, Cristina Pereira e Ricardo Blat, que vivem uma dupla de trapalhões urbanos, que, da pobreza extrema, ganham na loteria, mas, despreparados, perdem tudo e voltam à miséria.

Amigos há 40 anos, Cristina e Ricardo se conheceram em São Paulo no final da década de 70 e, já naquela época, iniciaram sua parceria teatral. Alguns dos espetáculos em que os amigos dividiram palco são Maroquinhas Frufru, no Teatro Popular do SESI, e Equus, com texto de Peter Shaffer, direção de Celso Nunes, com Paulo Autran e Ewerton de Castro como protagonistas.

“O último espetáculo que fizemos juntos foi O Estranho Jogo, uma comemoração dos nossos 20 anos de amizade, no final dos anos 80. Nesse tempo, criamos grandes laços e nossa amizade só cresceu”, conta Cristina. Paulistas, ambos foram tentar a vida no teatro carioca. “Somos parceiros de profissão e percorremos essa estrada juntos. Temos um amor muito grande um pelo outro”, comenta Ricardo, que acredita que Cristina tem um olhar bastante crítico, ideal para esse espetáculo.

A peça conta a história de duas pessoas simples, sem dinheiro algum, que riem da própria desgraça. As personagens Pamonha e Panaca vivem para tentar saciar a própria fome e, repletos de divergências, já se habituaram a regar sua ranzinza amizade com boicotes, intrigas e manipulações em que os problemas são deixados para segundo plano, dando espaço para a ambição.

Para Ricardo Blat, o que se desenha no palco é o retrato da sociedade contemporânea. “As pessoas sabem que têm um problema a ser solucionado, mas são incapazes de resolvê-lo. Assim são Pamonha e Panaca, que se enroscam em mesquinharias e não conseguem resolver a situação”, comenta o ator.

A necessidade de se alimentar e o pretensioso desejo de ser o dono da verdade fazem um amigo empurrar, inconscientemente, o outro para a liderança de cada empreitada. Assim, a cada momento, uma personagem toma a dianteira em tentativas como pescar, colher frutos e até roubar um galinheiro. Às vezes irritada – outrora irritando, a dupla oscila momentos ameaçadores e perversos com ingenuidade e inexperiência, que dão comicidade ao espetáculo.

Reconhecido pelo apelo popular de seus textos, Rogério Blat trata com humor temas que dizem respeito à sociedade. Para o irmão e ator Ricardo, o escritor sublinha situações que estão evidentes, mas que nem todos conseguem enxergar. “Ele tem o dom de pinçar coisas com as quais todos se identificam, estruturais. Desse jeito, cativa o púbico, seduzindo as plateias mais diversas possíveis”, afirma.

Pamonha e Panaca não percebem que eles mesmos são os responsáveis pelo próprio fracasso. De repente, surge a ideia de jogarem na loteria, e a dupla tira a sorte grande. Contudo, parece que nada está resolvido. Enriquecidos, os amigos continuam com os velhos hábitos e a antiga falta de conhecimento. Ricos financeiramente, mas carentes de conhecimento, Pamonha e Panaca tornam-se ainda mais ardilosos, mas perdem todo o dinheiro que ganharam e voltam à antiga pobreza.

Concebido para o formato de arena, o espetáculo tem como ferramenta aliada dos atores duas folhas de papel. Segundo o diretor da peça, trata-se de uma brincadeira com o lúdico da transformação. “São duas folhas do Diário Oficial, cheias de letrinhas, que viram os vários elementos da peça”, afirma Piccolo. Para ele, o fato de usar o jornal como elemento que se desdobra em outros objetos faz link com a excessiva fome de Pamonha e Panaca, que pode gerar alucinação. “É um jeito de mostrar, também, que as personagens têm fome de tudo”.

Cristina conta que seu envolvimento com as personagens é o mesmo de quando trabalhava com alunos na rua. Inclusive muitos deles serviram de inspiração para a atriz. “Quando faço o espetáculo, faço com muito carinho e sensibilidade, defendendo as pessoas da rua. Acho interessante esse universo, pois estive muito perto dele e me desperta amor”, afirma.

Apaixonado pelo teatro, Ricardo costuma dizer que entra no palco para fazer comida fresca: “Não gosto de comida requentada e de fastfood. A ideia é seduzir o público com a criação no momento”. Para ele, o espetáculo é uma metáfora sobre as relações humanas e uma forma de protestar contra a preguiça. “A peça foi escrita para alertar as pessoas de que não temos tempo a perder”, diz.

Com trilha original de Fernando Moura, o espetáculo tem formato irônico e aborda sentimentos como a inveja ou até mesmo um desejo inocente, que causam riso e comoção na plateia. “A peça é uma brincadeira em cima das pequenas implicâncias e cobranças que fermentam o relacionamento humano”, comenta Piccolo. Pamonha e Panaca retratam personagens sociais que fazem um grande esforço para alcançar o fracasso. Eles arrumam obstáculos para não atingir seus objetivos e demonstram, por exemplo, que o saber e o trabalho são os principais instrumentos de evolução do ser humano.

Rogério Blat – Autor
Autor e diretor de teatro com mais de trinta espetáculos encenados, como O Patinho Feio, Funk-se, DNA Brasil, No Meio do Nada, Diferente Igual a Gente e Sorria - Você Está Sendo Roubado. Fundador da ONG Palco Social, vencedor de Prêmios Mambembe e Coca Cola, é preparador de atores para filmes como 174 - Última Parada e Sonhos Roubados, além de roteirista de cinema e TV.

Ernesto Piccolo – Diretor
Um dos nomes de maior destaque na atual cena carioca e diversos prêmios na bagagem, o ator e diretor Ernesto Piccolo já foi indicado duas vezes ao Prêmio Shell: melhor direção por "Divã", com Lilia Cabral, e na categoria Especial pelo desenvolvimento do projeto Oficinas Palco Social. Recebeu também o Prêmio Coca Cola pela direção do musical infantil "A Guerrinha de Troia". Atualmente dirige alguns dos espetáculos de maior sucesso no país: "A História de Nós 2", "Doidas e Santas", com Cissa Guimarães, e "Mais uma vez Amor", com Debora Secco.

Ricardo Blat – Ator
Ator, diretor e preparador de atores para o cinema e TV. Com mais de vinte novelas e minisséries realizadas na TV Globo - como Estúpido Cúpido, Mulheres de Areia, Duas Caras, Tempos Modernos, Hoje é Dia de Maria – também participou de filmes como Carandiru, Madame Satã, Vinícius e Última Parada – 174. No teatro apresentou Equus, Uma História de Borboletas, Na Solidão dos Campos de Algodão, No Meio do Nada, As Cadeiras, Diferente Igual a Gente, Medida por Medida e conquistou vários prêmios, entre eles Shell, Mambembe e Coca Cola.

Cristina Pereira – Atriz
Cristina Pereira surgiu na TV em 1979, na TV Tupi. Na Rede Globo, atuou nas novelas: "Guerra dos Sexos"; "Vereda Tropical"; "Cambalacho", "Sassaricando"; dentre outras. Integrou o extinto programa TV Pirata. Atuou em 22 espetáculos, dentre ou quais:"Equus","A Aurora da Minha Vida","Sábado, Domingo e Segunda" (Prêmio Mambembe de atriz em 1986),’’Abalou Bangu’’e’’Alzira Power’’. Em 2009, comemorou 40 anos de carreira, com a peça "A tartaruga de Darwin", pela qual foi indicada ao Prêmio Shell de melhor atuação.

Ronald Teixeira – Cenógrafo e Figurinista
É diretor de arte, cenógrafo e figurinista para o teatro, cinema e TV, graduado  em Artes Cênicas na UFRJ; mestre em Ciências da Arte pela Escola de   Cinema da UFF e professor de Cenografia e Indumentária Histórica na UFRJ. Criou cenários e figurinos para mais de 190 espetáculos, exposições, filmes e programas de televisão.  Recebeu os prêmios Mambembe 1994, Premio Shell/RJ de Teatro 1999, Premio Shell/RJ de Teatro 2000, premio Coca Cola para o Teatro Jovem 1995, 1996 e 1997, entre outros.    

Gustavo Nunes – Diretor de produção
Produtor cultural desde 2003, é sócio-diretor da Turbilhão de Ideias Cultura e Entretenimento. Co-autor do livro Vestindo Nelson, sobre a obra de Nelson Rodrigues, publicado pela Editora Francisco Alves. Dentre as produções teatrais mais recentes destacam-se os projetos: Auto-peças- 20 anos de Cia dos Atores; Pão com Mortadela; A História de Nós 2, (os dois últimos indicados ao Prêmio Shell 2007 e 2009, respectivamente), Colapso, de Hamilton Vaz Pereira, e O Amor é Lindo, de Rogério Blat.

Para roteiro:
Pamonha e Panaca – Temporada no Tucarena – Sextas e sábados, às 21 horas, e domingos às 19h. Ingressos – R$ 30,00 (sexta e domingo), R$ 40,00 (sábado) e R$ 10,00 (Preço especial PUC-SP – Para estudantes, professores e funcionários da PUC, sob comprovação). Duração – 60 minutos. Indicação de faixa etária: Livre. Até 15 de maio. Ficha Técnica: Texto – Rogério Blat. Direção Ernesto Piccolo. Elenco – Ricardo Blat e Cristina Pereira. Trilha sonora original – Fernando Moura. Cenário e Figurino – Ronald Teixeira. Iluminação – Daniela Sanchez. Preparação Corporal –: Helena Varvaki. Preparação vocal –Rose Gonçalves. Direção de Produção – Gustavo Nunes. Produção local – José Maria Pereira. Produção – Turbilhão de Ideias.


TUCARENA - PUC-SP – Rua Monte Alegre, 1024 – Entrada pela Rua Bartira, Perdizes. Informações – (11) 2626-0938. Capacidade – 300 lugares. Aceita cartões de crédito e débito (Amex, Aura, Diners, Dinheiro, Hipercard, Mastercard, Redeshop, Visa e Visa Electron). Acesso para portadores de necessidades especiais. Estacionamento conveniado na Riti Estacionamentos - Rua Monte Alegre, 835 - R$10,00 – 11 3167-7111. Bilheteria – De terça a domingo,  das 14h às 20h. Ingressos por telefone – Ingresso Rápido – (11) 40031212 ou pelo site www.ingressorapido.com.br

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