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Qualquer Gato Vira-Lata - Entrevista com Cleo Pires,Malvino Salvador, Dudu Azevedo e o Diretor Tomas Portella
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Qualquer gato vira-lata tem uma vida sexual mais saudável que a nossa. Será mesmo? Ao ouvir essa afirmação provocativa e instigante, a apaixonada Tati desconfia que esteja conduzindo mal sua vida sentimental e, para conseguir de volta seu amor, decide compreender melhor o conceito. Assim tem início a ação de “Qualquer gato vira-lata”, comédia romântica estrelada por Cléo Pires, Malvino Salvador e Dudu Azevedo e dirigida por Tomás Portela.
Cleo Pires, em seu primeiro longa como protagonista, interpreta Tati, que forma um divertido triângulo amoroso com Dudu Azevedo – Marcelo, o namorado infiel –, e Malvino Salvador, que vive Conrado, o professor de biologia desajeitado autor da tese que vai mudar a vida de Tati. Para reconquistar Marcelo, Tati se aproxima de Conrado, e mesmo discordando e debatendo alguns pontos, segue seus conselhos, baseados no comportamento de fêmeas e machos no reino animal.
“Qualquer gato vira-lata” é o primeiro filme de um diretor experiente: Tomás Portella assina seu primeiro longa depois de ter trabalhado com grandes nomes como Guel Arraes (O Bem Amado, Lisbela e o prisioneiro), Fernando Meirelles (Ensaio sobre a cegueira), Mauro Lima (Meu nome não é Johnny, Tainá 2) e Heitor Dhalia (À deriva). Experiência também não falta a Pedro Rovai (Tietê Produções Cinematográficas), de extenso currículo na produção de filmes brasileiros, que se associou à Filmland, comandada por Tubaldini Jr., iniciante na produção de longas mas com anos de trabalho bem-sucedido em teatro.
Essa saborosa comédia é uma adaptação da peça “Qualquer gato vira-lata tem uma vida sexual mais saudável que a nossa”, estrondoso sucesso de Juca de Oliveira que lotou teatros em diversas temporadas, contabilizando cerca de 1 milhão de espectadores. Agora um público ainda maior poderá acompanhar as peripécias de Tati, Conrado e Marcelo, divertindo-se ao mesmo tempo em que reflete sobre a mudança nos papeis do homem e da mulher na sociedade nos últimos anos.
Sinopse
Qualquer gato vira-lata. Tati gosta de Marcelo que gosta de namorar... muitas garotas. Sincera (às vezes em excesso), Tati demonstra seu amor mas só consegue afastar Marcelo. Ao assistir a uma palestra do jovem professor e biólogo Conrado, ela tem uma ideia: aplicar as polêmicas teorias dele em seu relacionamento. Conrado desenvolve um guia técnico de sedução a partir de Darwin, comparando o comportamento dos jovens namorados com o dos animais. A bela cobaia é aplicada e tudo parece dar certo na reconquista de Marcelo. A experiência "científica" se complica quando o envolvimento do professor com a aluna deixa um cheiro de romance no ar.
Cleo Pires /Tati
De quem partiu o convite para atuar no filme?
O convite veio do Tomás, o diretor.
Onde você e a Tati se encontram e onde se separam; qual é a sua visão sobre a personagem?
A Tati no início do filme é muito insegura, e ao mesmo tempo faz de tudo para acertar e ser feliz, e com essa busca ela se encontra, se descobre – isso tem a ver comigo, a busca. E o arco da personagem para mim é muito interessante. Ela deixar de ser essa menina insegura e histérica para se encontrar, ficar mais serena, mais segura, mais madura.
A Tati se aproxima do Conrado buscando reconquistar o namorado. Você diria que as mulheres são mais suscetíveis às fórmulas e teorias sobre amor e relacionamento que os homens? Daí tantos livros de autoajuda sobre o assunto?
Eu acho que as mulheres em geral, por vivermos numa sociedade paternalista, são criadas, consciente ou inconscientemente, com a meta de casar e ter filhos, programadas social e culturalmente para isso. Os homens são educados para ter uma carreira de sucesso, dinheiro, poder, e para serem deuses do sexo. Acho que por isso a mulher se concentra tanto nesse assunto, assim como os homens em geral adoram ler sobre sexo, carros, negócios e política. Acho que todos nós sofremos um condicionamento do qual muitas vezes nem nos damos conta.
As mulheres do filme ficam um tanto indignadas com as teorias do Conrado, achando que há um quê de machismo nelas. O mesmo pode acontecer com as espectadoras do filme?
Não acho que o filme julgue o que é certo ou errado, como você deve agir sendo homem ou mulher; muito pelo contrário, o filme passa a ideia de que não existe uma regra no amor, ou para o sexo feminino e masculino; existe sim, a busca e a descoberta do que é bom para você ou não. Não acho que seja um filme moralista.
No filme, a teoria de Conrado se confirma em parte, porque o Marcelo volta a se interessar pela Tati. Por outro lado, ela perde o interesse por ele. É possível aproveitar lições da biologia nos relacionamentos amorosos, em algum grau?
O Marcelo, para mim, é o típico garoto gente boa, mas raso, completamente manipulado pelas regras sociais do que um jovem adulto deve ser, e por isso, o jogo que Conrado ensina Tati a jogar para reconquistar o namorado faz sentido para o Marcelo mesmo. Não acho que significa a Tati conquistando o amor do Marcelo, mas sim a Tati ganhando o jogo de gato e rato imposto pelas regras da sociedade paternalista. A Tati não quer ganhar ou perder, ela quer amar, viver de verdade. Por isso, quando ela ganha perde a graça: porque ela mesma passou a se ver de verdade e a ver seus verdadeiros desejos e suas verdadeiras aspirações. Acho que a biologia é, de fato, grande parte do indivíduo e de como ele se comporta, mas tão importante quanto ela são a consciência, o poder de raciocínio, o bom senso, o ambiente que cerca esse indivíduo, as aspirações e dons que nascem com ele antes mesmo de haver qualquer interferência social, econômica, ou cultural.
O filme é leve, tem bastante humor e romance. O cinema brasileiro mostra que também pode produzir comédias românticas com competência?
Não consigo pensar em algo que seja um empecilho para que isso aconteça. Talvez só há pouco tempo o nosso cinema tenha tido mais espaço para ser um veículo de diversão e entretenimento, tanto quanto uma forma de falar sobre política e dramas sócio-econômicos, mas talento para isso acho que o país tem de sobra.
Esse é um gênero que você aprecia? Pode citar algum título que você destacaria entre as comédias românticas?
Gosto de algumas. “O amor não tira férias”, “Jerry Maguire – a grande virada”, “Alguém tem que ceder”, “Armações do Amor”.
Você vem construindo uma carreira no cinema, paralela à TV – este é seu quarto filme, você já está em uma nova produção, agora estrangeira. Qual é a particularidade de fazer cinema, qual a parte mais prazerosa?
Eu comecei no cinema, e é o que realmente fala mais à minha alma. Eu amo o estudo profundo que se pode fazer em todas as áreas de um filme que vai ser realizado, o estudo do personagem, os ensaios, e o tempo intenso e relativamente curto em que rodamos o filme. Eu sinto uma facilidade maior para me aprofundar no universo do personagem, e expressar esse novo mundo que eu absorvi durante o estudo do personagem.
Quem são as suas inspirações na telona, quais os atores e atrizes de cinema que você admira?
Inspirações não tenho, mas admiro muito Meryl Streep, Laura Cardoso, minha mãe [Glória Pires], Diane Keaton, Wagner Moura, Tony Ramos, e mais alguns, poderia fazer uma lista bem grande (risos).
Malvino Salvador / Conrado
Como você se envolveu com o projeto?
Já conhecia o Tubaldini, um dos produtores. Partiu dele o convite para fazer a primeira leitura.
Como foi trabalhar com a Cleo Pires?
Foi ótimo! A Cléo é uma excelente atriz e colega. Gostei muito de trabalhar com o Dudu Azevedo também. Nossas filmagens tiveram um clima muito descontraído. Toda a equipe contribuiu para fosse desse jeito. O Tomás, nosso diretor, sabia muito bem o que queria e nos deu liberdade para discutir as cenas. Isso nos deixou confiantes e à vontade.
Você já viveu galã, vilão, personagens cômicos. O Conrado foge dessas definições, foi um desafio para interpretá-lo?
O maior desafio foi conciliar a preparação e as filmagens com os ensaios e as apresentações da peça “Mente Mentira”, na qual atuei e também produzi. Foi uma loucura, pois as datas coincidiam. Ao mesmo tempo tive a oportunidade de ser preparado pelo Sergio Penna. A preparação foi importante para que eu encontrasse um caminho e não ficasse perdido na hora das filmagens. O Conrado é bem diferente de mim, tem uma postura diferente, usa óculos, é mais introvertido... Foi muito gostoso achar em mim uma pessoa diferente.
Algumas personagens ficam indignadas com as teorias do Conrado, achando que há um quê de machismo nelas. O mesmo pode acontecer com as espectadoras do filme?
As teorias do Conrado têm embasamento na teoria da evolução de Darwin, são muito contundentes. A diferença é que o homem é um animal que, além do instinto, é racional e tem valores. Além disso, ele não é machista, é um estudioso. Mas a teoria do Conrado vai se chocar com seus próprios sentimentos e ele se apaixonará. Acho que as espectadoras vão gostar do Conrado.
O Juca de Oliveira, autor da peça, conta que sua inspiração partiu da observação, vendo a filha se relacionava e se decepcionava. As pessoas estão, de fato, confusas com as mudanças nos papéis sociais?
As mulheres conquistaram um espaço nunca antes alcançado na sociedade, o que as deixou mais independentes. Acho isso importante para que a submissão de um sexo ao outro deixe de existir. Mas, como tudo isto aconteceu abruptamente, percebo as mulheres e os homens sem chão, cada um tentando se agarrar a fragmentos de valores e ao que resta de histórias conhecidas, para tê-las como parâmetro e poder seguir um exemplo e ser feliz. Além disso, o individualismo e o fetichismo estão demasiadamente aguçados. Mas sou otimista e acho que logo a sociedade vai convergir para algo mais confortável à alma e a um equilíbrio entre os sexos.
Você tem uma carreira já tem muitos trabalhos em novela; no cinema esse é o seu terceiro filme. O que te agrada ao atuar nesse veículo?
Acho que a TV, o cinema e o teatro podem proporcionar grandes momentos na carreira de um ator. Existem atores que fizeram carreira na TV, nunca ou quase nunca fizeram teatro ou cinema e merecem respeito. Eu, particularmente, gosto de transitar nos três. Quero sempre estar experimentando e, principalmente, estar envolvido em bons projetos, que me dêem prazer. Não gosto de coisas banais. Gosto de boas histórias e de trabalhar com pessoas que admiro.
O filme é leve, tem bastante humor e romance. O cinema brasileiro mostra que também pode produzir comédias românticas com competência?
Claro! E o público vai comparecer e mostrar que haverá espaço para todos os gêneros.
Dudu Azevedo / Marcelo
Como foi o convite para participar de “Qualquer gato vira-lata”? O que te atraiu no projeto?
Fui convidado pelo Diretor do Filme, Tomas Portella. Recebi um telefonema, fui ao seu encontro e naquele momento nos tornamos amigos. Antes mesmo de ler o roteiro, já fiquei com vontade de trabalhar com o Tomas. À medida que a conversa se desenrolou fui percebendo que se tratava de um projeto bacana, com pessoas interessantes envolvidas e tudo isso me fez acreditar que seria uma experiência interessante.
Fale um pouco do seu personagem, o Marcelo. O que você tem em comum com ele e em que vocês são totalmente diferentes? Inspirou-se em alguém em especial para compô-lo?
Gosto sempre de fazer uma análise psicológica dos personagens que faço. Apesar de muito intuitivo no processo de trabalho, venho tentando cada vez mais desenvolver técnicas para atingir um resultado mais preciso e consciente com meus personagens. Baseado nisso, tento buscar justificativas que fundamentem o comportamento e a trajetória dos mesmos. O primeiro passo é respeitar a primeira leitura do roteiro, pois as sensações desencadeadas nesse momento são sempre valorosas. Uma vez traçado o esboço dos personagens e suas relações, procuro, nas leituras seguintes, entender por que caminhos vou seguir na busca de sutilezas e detalhes que formarão a personalidade , o caráter , a atitude e o comportamento do personagem no qual trabalharei .
No caso do Marcelo, encontrei inspiração em muitos amigos e estórias próximas (minhas inclusive). Trata-se de um conflito muito comum e corriqueiro. Os entraves da relação Homem e Mulher. Nesse caso, entre dois jovens de classe média, classe média alta, com a participação de um terceiro indivíduo que vem para embaralhar tudo. Não é diferente do que acontece muitas vezes na vida fora de um roteiro de teatro e cinema. Na minha opinião, o Marcelo e a Tati tinham que terminar juntos! Esse sim seria o Final Feliz!
As mulheres na plateia do professor Conrado ficam um tanto indignadas com as teorias dele, achando que há um quê de machismo nelas. O mesmo pode acontecer com as espectadoras do filme?
É possível que as mulheres fiquem indignadas a princípio, mas acredito que se identifiquem com muitas questões e tenho certeza de que se envolverão e se emocionarão com essa estória que fala muito de nós, seja nas virtudes ou seja nas fraquezas.
Como foi o trabalho com a Cleo Pires?
Foi ótimo trabalhar com a Cleo ! Não nos conhecíamos, mas tivemos o privilégio de fazer um trabalho de preparação com o mestre Sergio Penna e tudo que poderia ser dificuldade pela falta de intimidade foi contornado. É muito bom sair de um trabalho com muitas sensações boas. Sensação de ter feito um bom trabalho, de ter feito parte de um bom grupo de profissionais, perceber que todos ficaram satisfeitos e a ótima sensação de ter feito vários amigos, como a Cleo por exemplo.
E a parceira com o Álamo (Facó)? Funcionou bem essa dupla do sedutor e o “palhaço”, não é?
O Álamo é demais! Um bom parceiro de cena é meio caminho andado. Uma cena com o Álamo não tem como não ser engraçada. Muito Bom! Funcionou!
Na linha das teorias do Conrado você acha que as pessoas estão, de fato, confusas com as mudanças nos papeis sociais? Ou são apenas as mulheres que complicam muito os relacionamentos?
As relações estão mudando. Ninguém mais quer ser o sexo frágil . As pessoas buscam realização, felicidade e muitas outras coisas que batem de frente com aquela ultrapassada maneira de se relacionar em que o homem representa o chefe de família e a mulher desempenha única e somente o papel de mãe e dona de casa, subordinada ao homem, sem muita expressão ou voz ativa. Hoje em dia a mulher busca seu espaço em condição de igualdade com o homem na sociedade e isso inevitavelmente implica numa mudança na maneira de se relacionar entre os sexos, seja no trabalho, seja em família.
Você tem vários filmes no seu currículo; tem uma preferência: humor, drama? Qual é o prazer que só o cinema proporciona, para um ator?
Eu me sinto privilegiado por ser um brasileiro empregado. Trafego pela TV, cinema, pelos palcos , seja na música , seja no teatro . Diversificar é mais que necessário, é fundamental . Fazer cinema me proporciona tantos prazeres que não poderei descrevê-los como gostaria . Muito bom ler um roteiro, me envolver, me apaixonar, mergulhar na estória e vivê-la com verdade, propriedade e intensidade. O período de dois meses de trabalho intenso provoca é uma crise de abstinência quando finda. Essa é a máxima do cinema. É tão gostoso de fazer que quando acaba um projeto, a gente quer é começar outro. E quando vai para tela é frio na barriga, emoção, orgulho, nervosismo e a sensação de realização. Falando muito sinceramente.
Paralelo à carreira de ator você também é músico; consegue conciliar bem as duas funções?
Tento conciliar as atividades. Às vezes é difícil e um pouco cansativo, mas as duas me realizam . Toco, atuo, existo.
Tomas Portella/Diretor
Tomas Portella vive a singular experiência de estrear já sendo um veterano. Determinado a trabalhar com direção depois de desistir da faculdade de física, Portela buscou trabalhar com o maior número de diretores possível para ganhar experiência. Fez filmes com o Fernando Meirelles (Ensaio sobre a cegueira e Som e Fúria), com Mauro Lima (Tainá 2, Meu nome não é Johnny e Reis e Ratos), Guel Arraes (Lisbela e o Prisioneiro e O bem amado), Heitor Dahlia (À Deriva) e com alguns diretores norte-americanos (Journey to the end of the night e Increadible Hulk 2).
Em 2003 iniciou a carreira como diretor filmando cenas adicionais do longa Tainá 2 e em seguida a segunda unidade de um filme americano. Em 2006, dirigiu 8 capítulos de um programa documental da TV Futura chamado “O bom jeitinho brasileiro” , e em 2009 foi diretor assistente do Guel Arraes no filme “O bem amado”. Em 2010 filmou uma série para internet ainda inédita e o longa “Qualquer Gato Vira-lata”. Atualmente trabalha como diretor assistente de José Wilker, em plena filmagem do longa “Giovanni Improtta”.
Como você chegou a diretor de “Qualquer gato vira-lata”?
Entrei no projeto a convite dos produtores, Pedro Rovai e do Tubaldini Jr. Conheci o Pedro durante as filmagens do Tainá 2, filme no qual trabalhei como assistente de direção do Mauro Lima e como diretor de algumas cenas adicionais filmadas após o término do longa.
Quando eles me apresentaram o projeto eu, de cara, me apaixonei pelo desafio de levar às últimas consequências um gênero tão popular e tão pouco explorado no Brasil como a comédia romântica. Fazer o público rir é muito mais difícil do que fazê-lo chorar e começar com um filme assim significava um desafio em tanto. Adoro desafios.
Você chegou a assistir à peça? Qual é a especificidade de filmar uma história que já foi encenada no teatro com tanto sucesso?
Eu assisti um DVD da peça e lembro que me impressionei muito com a resposta do público, que gargalhava e aplaudia, realmente curtia a peça. Eles fizeram quase 1 milhão de espectadores com apenas uma cópia! Digo isso porque uma peça de teatro corresponde a apenas uma cópia de um filme, pois passa apenas em um local por vez... Adaptar uma peça para o cinema é sempre complicado e ainda mais com essa expectativa de êxito. As peças se apóiam muito nos diálogos enquanto que um filme precisa de vários outros elementos para funcionar. No caso do “Qualquer gato” a trama ajudou muito. A dinâmica é bem humorada e mexe com questões universais entre homens e mulheres.
Qual foi a participação do Juca de Oliveira no projeto?
A participação dele foi essencial, sem ele não haveria nada. O Juca tomou a decisão de não interferir no filme durante a preparação e as filmagens, dando-nos uma liberdade incrível. Meu contato com ele só ocorreu após a edição do filme.
A comédia romântica é um gênero não muito explorado no cinema nacional, embora tenhamos uma tradição humorística forte. “Qualquer gato vira-lata” abre caminhos para esse tipo de produção?
O filme é uma comedia romântica genuína. Tenho certeza de que ele vai provar que existe um grande mercado interessado não só em rir, mas também em se emocionar, torcer e sair do cinema mais leve e apaixonado. As comédias românticas vêm fazendo sucesso no mundo todo e não há por que não fazerem o mesmo sucesso aqui no Brasil. À reação do público nas nossas sessões de teste foi maravilhosa. Um comentário unânime foi que você sai do filme alegre e emocionado, como no filme O fabuloso destino de Amélie Poulin. Considero isso um super elogio!
Você, como espectador, admira o gênero, tem algum diretor que aprecia em especial?
Adoro cinema em geral e curto muito o gênero especificamente. É uma delícia após um dia de trabalho ou uma semana de trabalho estressante assistir a algo leve, engraçado e, acima de tudo, humano. Nada melhor do que rir com detalhes, trejeitos e “peculiaridades universais” para relaxar e voltar a se sentir mais humano. Acho que a comédia romântica tem isso, ela nos devolve a nossa sensibilidade de bandeja, sem melodrama. Adoro filmes como “Bridget Jones”, “Um lugar chamado Nothing Hill”, “Harry e Sally” ou “Pretty Woman”; os personagens são sempre muito verdadeiros, muito próximos da gente.
E como foi o trabalho com Cleo Pires, vocês já haviam tido alguma experiência anterior?
Trabalhar com a Cléo foi simplesmente incrível. Eu já tinha trabalhado com ela no “Meu nome não é Johnny”, em que fui assistente do Mauro Lima, e quando li o roteiro não consegui pensar em outra pessoa. Tivemos um bom período de ensaios, quando trabalhamos com o Sergio Penna (preparador de elenco) e com a Daniela De Carlo, (minha co-diretora). Juntos, encontramos um tom muito especial para a Tati, que é a personagem da Cléo. Certamente o público vai se encantar com essa menina romântica e indecisa, que só quer encontrar seu amor. A Cléo se jogou de cabeça no projeto e o resultado foi uma atuação muito verossímil, engraçada e despojada. É uma mulher de cabeça aberta e muita disposição.
E o Malvino e o Dudu, como foi dirigi-los?
Foi muito divertido. O Malvino fez um personagem muito difícil de tornar verossímil, com teorias surrealistas, diferente de tudo que ele já fez. Isso deu um sabor e desafio especial ao trabalho tanto para mim, quanto para ele. O Dudu é uma figura! Muito talentoso, faz atuar parecer fácil. O clima maravilhoso entre o elenco e deles com a equipe certamente imprimiu no filme. Cada um trouxe características especiais para seus personagens.
As teorias do Conrado são uma grande brincadeira, na verdade, mas há algo que pode ser extraído dali? Por exemplo, quando ele fala uma mudança nos papéis sociais que desorienta um pouco os homens, você concorda?
De alguma forma acho que o homem ainda se assusta com mudanças e atitudes novas vindo por parte das mulheres. Ainda vivemos em uma sociedade machista, mas o mundo evolui e as pessoas estão sempre tentando se adaptar a essas evoluções. Não sei se posso dizer que eu concordo com as teorias do Conrado, mas que na prática, muitas vezes elas de fato funcionam... não tenho como negar.
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2 Comentários
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28 de Maio de 2011 | 18:34
Elder
Eu vi algumas cenas do filme e fiquei encantado com todos e com tudo! A Cleo Pres está extraordinária! Deu um show de talento e beleza, para mim ela se consagrou como uma grande atriz ! Se depender de mim esse filme vai fazer um tremendo sucesso! As cenas que vi eram encantadoras e supreendentes! Parabéns a todos que participaram do filme, acertataram em cheio! Com certeza esse vai ser um dos meus filmes preferidos.
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28 de Maio de 2011 | 18:32
Elder
Eu vi algumas cenas do filme e fiquei encantado com todos e com tudo! A Cleo Pres está extraordinária! Deu um show de talento e beleza, para mim ela se consagrou como uma grande atriz ! Se depender de mim esse filme vai fazer um tremendo sucesso! As cenas que vi eram encantadoras e supreendentes! Parabéns a todos que participaram do filme, acertataram em cheio! Com certeza esse vai ser um dos meus filmes preferidos.
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