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O Pequeno Segredo

O Pequeno Segredo

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Leitora compulsiva, devorei todos os livros da Família Schürmann. As letras mágicas me fizeram embarcar junto nas expedições e nas aventuras de duas décadas vividas no oceano, visitando os recantos mais remotos e exóticos do planetinha azul. Vilfredo e Heloisa são dois heróis modernos que tiveram a coragem de sair do porto do conforto e viver a vida no mar. Mas não foi uma atitude desprovida de qualquer racionalidade. Houve planejamento, preparo, metas em curto e longo prazos. Vilfredo é economista.

A vida nasceu no mar. Dele viemos. Inspira medo, respeito, curiosidade, admiração e por fim, arrebatadora paixão. Escolher o oceano como endereço não é para qualquer um. E criar seus filhos nessa opção de vida é admirável! Seus rebentos cresceram a bordo, estudando por correspondência. Heloísa é professora de inglês.

Dia 15 de janeiro foi um domingo caribenho em Santa Catarina, com sol esplendoroso na praia de esmeralda líquida de Bombinhas. Fomos conhecer o Instituto Kat Schurmann, que fica ali pertinho, onde estava programada uma palestra sobre Medicina Chinesa do Doutor Yu Tao, professor da Unisul que, aliás, foi excelente para desentortar um pouco a escoliose crônica do meu amor.

O Instituto Kat Schurmann recebe visitantes de todas as idades, atraídos pela emocionante história da Família Navegadora e pelas atrações do parque ambiental. Lá há trilha ecológica, exposição de fotos do mundo inteiro por onde navegaram e o Espaço Harmonia, com aplicação prática de deliciosas terapias.

Na chegada assistimos a um documentário sobre a Kat, a pequena marinheira, feito pelo irmão cineasta, David. Mesmo com o conhecimento espiritual que temos, sua história ainda nos emociona. Para nós, espíritas, todo filho é adotivo. Mesmo o filho biológico. Porque acreditamos que o Espírito que o anima preexiste e os pais somente geram o corpo que esse Espírito eterno vai “vestir” nessa encarnação. E que cada filho vai parar no lar que precisa para evoluir. Kat nasceu de uma mãe cabocla amazonense, Jeane, da comunidade Carauari e um pai neozelandês, Robert. Conheceram os Schürmann na Austrália e uma amizade estreitou-se entre eles. Heloísa ajudou muito Jeane com sua experiência. Anos depois, reencontraram-se no Rio, já sem Jeane, que havia desencarnado. Os Schürmann passaram a cuidar da Kat enquanto Robert viajava a trabalho. Até que um dia, Robert, doente, num gesto extremo de amor e altruísmo, ofereceu sua filhinha a eles, dizendo que gostaria que ela tivesse uma família amorosa de verdade quando ele partisse. Kat já havia entrado no coração de seus novos pais, e então, entrou oficialmente para a família. Foi crescendo feito plantinha frágil, protegida e cercada de muito amor, em cenários cinematográficos.

Embora seja um fato sempre triste para os que ficam, o desencarne de um jovem significa o final de um processo de resgate e uma nova oportunidade de crescimento para aquele ser. O corpo físico representa uma prisão grosseira para as percepções e capacidades do espírito livre. Quando um destes espíritos já não tem mais necessidade de permanecer encarnado, é libertado, como um pássaro solto de sua gaiola e está livre para seguir seu aprendizado em novas experiências e níveis diferentes. Kat viveu uma vida intensa, de aventuras e desafios, aprendeu a falar três línguas, navegou por mais de cinquenta mil quilômetros e nunca desperdiçou um segundo. Mas era soropositiva e seu Espírito se libertou pouco antes de completar 14 anos.

Para ver o vídeo de Kat: Clique Aqui

Na íntegra a carta em que a família fala do desercarne precoce da sua tripulante caçulinha: Clique Aqui

Saímos do auditório enxugando as lágrimas, meu marido, eu e nosso caçula, Alexander de 16. Quem estava ao lado de fora e veio nos confortar? Vilfredo, o pai. Ai, que vexame! Passada a emoção, meu marido tietou um pouco Vilfredo e perguntou sobre como é lidar com a lição do desapego, deixar os filhos pelo mundo. Ele respondeu que nesse caso, não foram os filhos que partiram, mas que ficaram. A “casa”, o barco com a família é que levantava âncora e partia. O Reiter vive com saudades dos três filhos que moram longe: dois em São Paulo e um em Dublin... Isso que pode conversar a qualquer instante com eles!

Vilfredo falou sobre o projeto de contar a emocionante história de Kat na sétima arte. Será um longa dirigido pelo seu filho David, que já assinou O Mundo em Duas Voltas e roteirizado por Marcos Bernstein, que fez o roteiro do filme Chico Xavier. Está em fase final de captação de recursos através de incentivos fiscais por meio das Leis do Áudio Visual – e ainda há uma cota. Serão contadas histórias paralelas de três mulheres e da menina que se entrelaçarão no fim e terá o sugestivo nome Pequeno Segredo.

Acompanhe o Blog do filme: www.blogpequenosegredo.blogspot.com

Bons ventos!

Barbara Reiter























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2 Comentários

  • 10 de Fevereiro de 2011 | 09:26

    Angela maria Garcia Couto

    Tive a grata satisfação de conhecer e acompanhar essa história mais de perto. E posso falar que poucos filhos biologicos são amados como Katy foi.
    Wilfredo e Eloisa, são pessoas maravilhosas, de uma simplicidade impar.
    parabéns Barbara por mais uma fantástica reportagem.
    Grande abraço,

  • 09 de Fevereiro de 2011 | 18:22

    Angela Guedes

    Bárbara vc coloca mais emoção e carinho nessa bela história que já tive o prazer de conhecer. Mas vc sabe contar tão poeticamente que dá vontade de reler. beijo

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