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Eduardo Kobra refaz mural atacado em Atenas e chega ao Brasil na quarta-feira

Eduardo Kobra refaz mural atacado em Atenas e chega ao Brasil na quarta-feira

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O muralista e artista plástico Eduardo Kobra concluiu seu primeiro mural na Grécia, iniciado no dia 3 de agosto e que havia sido atacado por religiosos, indignados com o que chamavam de agressão a Deus, já que no mural apareciam imagens de evolução humana, segundo Charles Darwin. Em um ponto nobre de Atenas (próximo à estação do metrô Pefkakia), ele concluiu, ao lado de Agnaldo Britto Pereira,  também artista do Studio Kobra, o mural “Evolução Desumana”, com cerca de 35 metros de comprimento por cinco de altura, dentro de seu novo projeto, o Greenpincel. Kobra deixa a Grécia amanhã, dia 23 de agosto, e chega ao Brasil no dia 24, quarta-feira.

“Sempre respeitei as culturas e as religiões. O meu trabalho é com Arte Urbana e, claro, ele acontece principalmente nas ruas, o que aumenta  ainda mais a minha responsabilidade, já que minhas obras são vistas por todos os tipos de pessoas. Mas parece-me claro que o fato de não gostar de algum trabalho artístico, por sua qualidade ou temática, não dá a ninguém o direito de destruí-lo. Se assim o fosse, esses religiosos poderiam entrar no Museu de História Natural de Nova York, onde a evolução da espécies e, principalmente, humana é mostrada de forma realista, e destruírem tudo! Respeitar o direito de expressão é básico na Democracia que, por sinal, começou aqui na Grécia. Por isso decidimos, ainda que exista algum perigo de um novo ataque ao muro, refazer o trabalho, com algumas modificações estéticas, mas ainda dentro do mesmo tema. Não podemos ceder espaço para os intolerantes”, diz Eduardo Kobra.



O artista brasileiro viajou para Atentas, com Agnaldo Britto Pereira, a convite de Kiriakos Isofidis, sócio da editora Carpe Diem, que já publicou três livros sobre muralismo (“Mural Art Book 1, 2, e 3”), além de diversos outros livros sobre Street Art). O terceiro volume de “Mural Art Book” traz duas páginas sobre o trabalho de Kobra. Isofio também dirige o grupo Carpe Diem,  um dos principais de arte de rua na Grécia.

Para conseguir concluir a obra, Kobra e Agnaldo iniciavam o trabalho no muro diariamente às 8h e só terminavam por volta das 21h, quando começa a escurecer. “O calor é forte demais e não há sombra, mas tivemos de prosseguir quase sem descanso, muitas vezes sob um calor de 42 graus em boa parte do dia”, conta Eduardo Kobra. É a primeira vez que Kobra faz um mural do Greenpincel fora do país. Nas duas viagens que fez este ano à Europa, para Lyon (França) e Londres, fez murais relacionados ao seu projeto mais antigo, o Muro das Memórias.



Em “Evolução Desumana”,  Kobra parte da Teoria da Evolução das Espécies, de Charles Darwin, para criticar as intervenções humanas no planeta. Como no local há uma área verde, o artista brasileiro buscou que as cenas pintadas se integrem ao meio-ambiente. “Acho que a imagem fala por si só. Mas, procurando contextualizar, digo que, por mais piegas que pareça, é precioso sempre denunciar a evolução desumana, o fato dos homens modernos não respeitarem o planeta e destruírem a natureza - o meio ambiente rural e até mesmo o urbano - levando a Terra ao caos”, afirma. E acrescenta: “o Homo Sapiens se tornou o Homem Destruidor, modificando o habitat natural de tantas espécies, aquecendo o clima e matando a tudo e a todos”

Kobra conta ainda que muitos amigos e colegas aconselharam-no a não aceitar o convite neste momento em que a Grécia vive uma grande crise. “Mas este foi justamente um dos motivos que me fizeram vir para cá. Quis acompanhar de perto esta questão do euro, as manifestações populares contra o desemprego...enfim, fiz questão de estar aqui em um importante momento histórico neste país tão fundamental para a história da arte e da filosofia de todo o mundo”.



Kobra entregou recentemente um novo mural para a cidade de São Paulo, dentro do projeto Greepincel. Fez um chocante mural de “boas-vindas”, chamado “Welcome to Amazônia”, na av. Rebouças, 167, com cerca de 7mX5m. O cenário mostra um ambiente arrasado. Pouco antes, concluiu o  mural  o “CO2”, na rua Alvarenga, 2.400, com cerca de 10mX5m, também parte do seu projeto Greenpincel, iniciado com o mural “Navio Baleeiro” (obra crua e forte, baseada em uma cena da caça de uma baleia pelo navio Yushin Maru), realizado em março na rua Domingos de Morais, na Vila Mariana.
           
Segundo Kobra, o Greenpincel pretende denunciar e combater artisticamente as várias formas de agressão do Homem à natureza. “Todas as tragédias naturais que têm acontecido em nosso planeta mostram que proteger os animais e a natureza como um todo é também uma forma de protegermos o ser humano. Particularmente, sou um apaixonado por plantas e animais. São temas que namoro há muito tempo e, por isso, decidi que já era hora de colocá-los também dentro do meu trabalho como artista”, diz.



O Greenpincel marca uma nova etapa nas obras de rua do artista, que buscam basicamente preservar a memória e trazer beleza aos paulistanos, em meio à correria do dia-a-dia. “Gosto muito de resgatar a história e levar beleza às ruas das cidades, o que faço principalmente no projeto ‘Muro das Memórias’, mas há situações de denúncia em que devemos chocar, mostrando, como disse, artisticamente as agressões feitas contra o nosso Planeta”, afirma Eduardo Kobra, que há um mês inaugurou diversas obras no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. 

O muralista brasileiro mostra satisfação com o retorno do Greenpincel. Já recebeu convites para intervenções em vários países. Este ano viaja para os Estados Unidos, México e Holanda. Em 2012, para a China.

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